Com quase 40 anos na ativa, frota dos CF-18 Hornets canadenses deverá ser substituída.

A competição politicamente carregada para substituir a envelhecida frota de caças do Canadá vai finalmente começar no final de maio, quando o governo federal canadense divulgar a aguardada licitação.

Há quatro empresas na disputa: a Saab da Suécia, a Airbus Defence and Space da Grã-Bretanha e as americanas Boeing e Lockheed Martin.

Uma vez que o pedido de propostas for liberado, os fabricantes terão até o final do ano para apresentar ofertas, disseram fontes da indústria de defesa.

Foi o ex-governo conservador que iniciou o esforço para substituir os CF-18 que tinham três décadas de serviço em 2010, uma tentativa que foi abatida em uma disputa sobre a maneira como o caça F-35 foi selecionado.

O governo canadense cancelou uma vez a escolha do F-35.

O programa ficou atolado na política quando os liberais prometeram durante a campanha eleitoral de 2015 não comprar o jato furtivo. Uma decisão final terá agora que esperar até depois da eleição deste outono.

A competição acontece em um momento de renovada rivalidade geopolítica entre o Ocidente e a Rússia e a China, e o chefe da Força Aérea Sueca disse que seus jatos de combate estão mais ocupados do que nunca.

O Major General Mats Helgesson disse que a Suécia, que tem uma longa história de ser um país neutro e não-alinhado, descobriu nos últimos anos que seu espaço aéreo era violado com mais frequência por aviões de guerra russos e da OTAN. Isso exigiu um estado de prontidão para os esquadrões de caças Gripen do país.

“Quando olhamos para as nossas fronteiras, especialmente sobre o Mar Báltico, podemos ver um aumento na atividade, não apenas na Rússia, mas também na OTAN”, disse Helgesson em uma entrevista. “Nós vemos exercícios. Vemos o treinamento diário e também vemos a coleta de informações de uma maneira que não vemos há muitos anos.”

F/A-18 Super Hornet.

A força aérea sueca é aproximadamente do mesmo tamanho que a Real Força Aérea Canadense. Há muito tempo, o Gripen, que passou por várias iterações e modelos desde que foi introduzido, em meados da década de 90.

A Saab AB, sediada em Estocolmo, pretende oferecer a última versão – a versão E – como substituta da atual frota de CF-18 do Canadá.

As melhorias de projeto da aeronave, disse Helgesson, são um resultado direto do que os militares e os engenheiros do país enxergam com o desenvolvimento na Rússia.

“Não é nenhum segredo que precisamos ser capazes de enfrentar não apenas as aeronaves da Rússia, mas também em outras aeronaves de alto desempenho no futuro”, disse ele, apontando para o caça russo Su-30, o mais moderno Su-35, e o furtivo Su-57.

Houve um debate político e acadêmico rigoroso sobre se o Canadá deveria escolher um modelo legado da década de 1990, como o Gripen, ou o recém-lançado caça invisível Lockheed Martin F-35.

Eurofighter Typhoon.

A noção de que caças furtivos são necessários para conflitos com países como a Rússia – países que possuem sistemas avançados de defesa aérea – foi parcialmente descartada pela Agência de Pesquisa de Defesa da Suécia em um relatório recente.

As armas anti-acesso / negação de áreas da Rússia (conhecidas como A2 / AD) não são todas consideradas, disse o relatório divulgado no mês passado, que analisou o uso de tais sistemas no conflito na Síria.

“Nos últimos anos, muito tem sido falado sobre as novas capacidades da Rússia e do impacto que elas podem ter na capacidade dos países membros da OTAN de reforçar ou defender os países bálticos vulneráveis ??em caso de crise ou guerra”, disse o relatório.

“Em uma inspeção mais próxima, no entanto, as capacidades da Rússia não são tão assustadoras, especialmente se contramedidas em potencial forem consideradas.”

Gripen E proposto pela Saab.

O Gripen é destinado a operações em ambientes com pouca logística no solo, como a região ártica da Suécia, disse Helgesson.

“Estamos operando a partir de bases dispersas”, disse ele. “Usamos rodovias e pequenos campos de pouso espalhados por toda a Suécia em lugares remotos, distantes. E a pegada logística é muito pequena.”

O Ártico é, naturalmente, uma importante área de operação para a força aérea sueca, e com bases distantes exigiu que a força se tornasse criativa com relação ao armazenamento de combustível, munição e outros suprimentos.

Os CF-18 do Canadá ocasionalmente operam a partir de bases avançadas no Norte, mas essas implantações são pouco frequentes em comparação com a atividade de rotina dos suecos, observaram especialistas no passado.

Como o Canadá, a Suécia acaba de começar a reinvestir na defesa, disse Helgesson.

Espera-se que a competição entre os fabricantes do setor de caças a jato do Canadá seja intensa.

A Lockheed Martin novamente oferecerá seu caça furtivo F-35. A Boeing está na fila para oferecer o Super Hornet – uma versão maior e mais avançada do CF-18. A Airbus Military planeja oferecer seu Eurofighter Typhoon.


Fonte: CBC News

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7 COMENTÁRIOS

  1. Se fosse pelo racional apenas, o gripen levaria certamente, porém, se trata de política e dos "faniquitos" dos americanos. Ainda assim, penso que essa é a principal chance do Gripen desde a compra pelo Brasil. Seria bom pro projeto como um todo.

  2. Marque com um "X" a alternativa correspondente à concorrência mais enrolada:
    ( ) F-X/F-X2 Brasil
    ( ) MRCA Índia
    ( ) Substituição dos F-18 Canadá
    ( ) Substituição dos F-18/F-5 Suíça

    • Torço primeiro pelo Gripen porque pode dar mais força ao nosso projeto, em segundo o F-35.

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