Para facilitar proposta da Lockheed Martin e seu caça F-35, o Canadá abrandou as exigências para compra de novos caças.

O Canadá está abrandando as regras de sua disputa multibilionária para compra de 88 novos caças a fim de permitir que a Lockheed Martin lance uma proposta, após uma queixa de Washington, disse uma fonte do governo canadense na quinta-feira.

A fonte, que pediu anonimato devido à sensibilidade da situação, disse que Ottawa estava agindo depois que os Estados Unidos disseram ao Canadá que os regulamentos excluiriam o caça F-35 da Lockheed Martin, o avião que a força aérea canadense quer.

A queixa foi o mais recente desafio para um processo atormentado por problemas que se arrasta há mais de uma década.

Inicialmente, o Canadá disse que os licitantes do contrato – com valor entre US$ 11,1 bilhões e US$ 14,1 bilhões – devem se comprometer a dar às empresas canadenses 100% do valor do negócio em benefícios econômicos.

Mas isso contradiz as regras do consórcio que desenvolveu o F-35, um grupo ao qual o Canadá pertence. O escritório conjunto do F-35 escreveu para Ottawa em dezembro passado dizendo que não iria licitar a menos que fossem feitas mudanças.

“O governo dos EUA nos disse que eles não podiam oferecer garantias contratuais de benefícios econômicos”, disse a fonte.

Ottawa está, portanto, descartando a exigência de que as empresas dêem uma promessa juridicamente vinculativa de que gastariam o valor do contrato em negócios no Canadá.

“Um licitante que não está disposto e capaz de assinar um contrato e garanti-lo (os benefícios) ainda pode concorrer e ainda ser competitivo, mas terá menos pontos na categoria de benefícios econômicos” do que empresas que oferecem um compromisso de compensação, disse a fonte.

Os aviões serão avaliados em capacidade, o que representa 60% dos pontos disponíveis, além de preço e benefícios, que representam 20% cada. Os requisitos finais para os jatos devem sair em julho, disse a fonte.

A mudança na política pode levar a protestos da Boeing, Airbus SE e Saab AB, os outros três concorrentes. Fontes do setor prevêem há muito tempo que os rivais da Lockheed Martin poderiam se retirar se sentirem que Ottawa está se inclinando em favor do F-35.

A fonte acrescentou que o Canadá fez mudanças que beneficiaram as outras empresas. Por exemplo, Ottawa inicialmente insistiu que os aviões europeus estivessem totalmente em conformidade com as regras estritas dos EUA sobre o intercâmbio de dados seguros.

As regras agora dizem que os licitantes europeus precisam apenas descrever como planejam atender aos requisitos de segurança dos EUA.

Airbus, Saab e Lockheed se recusaram a comentar. A Boeing não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários.


Fonte: Reuters

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1 COMENTÁRIO

  1. Comprar equipamento de alta tecnologia já é um negócio complicado. Daí os estatistas inventaram toda sorte de contrapartida para tornar o negócio impossível de ser auditado, sabemos bem o motivo.

    Qualquer acessório que não seja diretamente ligado ao negócio (manutenção de motores, nacionalização de peças de desgaste, treinamento, armas, acesso ao código-fonte) é mutreta.

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