O relatório confirma que os primeiros caças F-35B produzidos possuem uma vida útil menor do que o esperado.

O relatório anual do Pentágono sobre o programa F-35, escrito pelo Diretor de Teste Operacional e Avaliação (DOT&E), Robert Behler, foi liberado ao público recentemente e decidimos fazer um breve resumo das principais conclusões feitas.

O relatório confirma a notícia de que os primeiros caças F-35B produzidos podem ter uma vida útil muito menor do que o esperado, acrescentando que os testes de durabilidade levaram a descobertas que exigiram reparos e modificações de design, algumas até para aeronaves do lote 12, além de retrofits para aeronaves já implantadas de todas as variantes.

O programa suspendeu os testes de durabilidade com a célula estática do F-35B (BH-1) após completar os testes do segundo ciclo de vida em fevereiro de 2017, diz o relatório.

Devido a várias modificações e reparos aos anteparos e outras estruturas, a célula BH-1 não mais representava a estrutura das asas de aeronaves em produção e foi considerada inadequada para testes de durabilidade de um terceiro ciclo de vida.

O programa adquiriu fundos para uma nova célula de testes, que vai representar uma aeronave de produção, porém tal ainda não foi adquirida, revelou o relatório.

O relatório também diz que a célula estática do F-35C (CJ-1) começou testes de durabilidade do terceiro ciclo de vida em abril de 2017, mas em abril do ano seguinte os testes foram interrompidos seguindo a descoberta de mais rachaduras na fuselagem, exigindo reparos para que os testes pudessem continuar.

A célula estática do F-35C não foi capaz de concluir os testes do terceiro ciclo de vida.

Mas após uma estimativa de custos e de tempo de reparo ou substituição da parte danificada, junto com a necessidade de cuidar de outros danos à estrutura, o programa determinou a descontinuação dos testes do terceiro ciclo de vida. Não há planos de adquirir uma nova célula estática.

C2D2:

O DOT&E é bem critico ao programa de atualização do F-35 Continuous Capability Development and Delivery (C2D2), dizendo que o planejamento atual é de “alto risco” com o conteúdo de capacidades planejado a ser disponibilizado para entrega em incrementos de seis meses.

Muitas das lições aprendidas com o System Development and Demonstration (SDD) envolvendo a quantidade de testes que pode ser feita em laboratórios ao invés de testes de voo pode ser aplicado ao C2D2, diz o relatório.

O relatório também afirma que manter aeronaves implantadas com diferentes configurações (como o Block 2B, o Block 3F e o novo sistema de guerra eletrônica implementado a partir do lote 11) enquanto administrando uma frota de testes de desenvolvimento com hardware atualizado para apoiar a produção de aeronaves de novos lotes será um desafio para o Escritório Conjunto do Programa (JPO).

Problemas com o canhão interno do F-35A:

A precisão do canhão interno instalado no F-35A foi considerada atualmente “inaceitável” pelo DOT&E, baseado em testes realizados em setembro do ano passado.

Nenhuma correção de software ou hardware foi implementada para corrigir os problemas de precisão, embora os sistemas de missão do F-35 tivessem recebido correções de software para melhorar a estabilidade da mira do canhão, diz o relatório.

Caça F-35A da Força Aérea dos EUA disparando seu canhão interno GAU-22/A.

Investigações nos suportes de canhão do F-35A revelaram desalinhamentos que resultam em erros de alinhamento do cano. Como resultado, o verdadeiro alinhamento de cada canhão de F-35A não é conhecido, portanto o programa está considerando opções para corrigir os alinhamentos do canhão.

O relatório também revela que durante testes de disparo ar-ar com o canhão, pilotos de testes recebiam alertas no cockpit de “canhão inseguro” enquanto tentavam disparar. Esses dois alertas ocorreram em duas aeronaves diferentes e a causa está sobre investigação.

Testes de precisão com o canhão externo do F-35B e F-35C mostram que os resultados “foram consistentes e atendem às especificações do contrato“, diz o DOT&E.

ALIS:

O relatório diz que o Autonomic Logistics Information System (ALIS) “ainda não funciona como deveria“, citando deficiências que podem ter um efeito significativo na disponibilidade das aeronaves.

Os usuários devem empregar várias soluções alternativas devido a deficiências de dados e funcionalidades. A maioria dos recursos funciona como deveria apenas com um alto nível de esforço manual pelos administradores e pessoal manutenção do ALIS“, diz Behler no relatório.

Problemas com o ALIS afetam grandemente a disponibilidade da frota de caças F-35.

O gerenciamento de configuração do software do ALIS e de produtos de dados permanece complexo e demorado, nota o relatório. Os usuários devem lidar diariamente com problemas generalizados com integridade de dados.

Cibersegurança:

Testes de segurança cibernética em 2018 mostraram que algumas das vulnerabilidades identificadas durante períodos de testes anteriores ainda não haviam sido corrigidos, afirma Behler, acrescentando que mais testes são necessários para avaliar a segurança cibernética da aeronave.

Além disso, de acordo com o relatório, testes identificaram vulnerabilidades que precisam ser corrigidas para garantir a segurança das operações do ALIS.

Disponibilidade e deficiências:

A adequação operacional da frota F-35 permanece em um nível abaixo das expectativas do Serviço“, diz Behler, acrescentando que os números de adequação continuaram quase os mesmos em 2018.

A taxa de disponibilidade da frota de caças F-35 dos EUA permanece abaixo do alvo mínimo de 60% e os dados não mostram qualquer tendência de melhoria em 2018, afirma o relatório.

O programa finalizou o SDD em abril de 2018, com 941 deficiências abertas, sendo resolvidas ou sobre investigação. 102 dessas deficiências eram de categoria 1 enquanto 839 eram deficiências de categoria 2.

A frota de caças F-35 ainda enfrenta problemas de disponibilidade abaixo do mínimo.

Entretanto, o programa revisou os relatórios de deficiências abertas entre maio e julho, recategorizando muitas das 102 deficiências de categoria 1 (em maio de 2018) para categoria 2, deixando 13 deficiências de categoria 1 abertas, para entrar no Initial Operational Test and Evaluation (IOT&E), que mais tarde se tornou 15 deficiências.

Principais recomendações:

  • Continuar a trabalhar com os serviços para priorizar e corrigir as deficiências de categoria 1 e 2 restantes descobertas durante o SDD.
  • Determinar a causa do problema de precisão com o canhão interno do F-35A e implementar uma solução para as aeronaves já produzidas.
  • Desenvolver um local de testes adequado para o ALIS para garantir que seus recursos sejam totalmente testados antes de implementados em unidades operacionais.
  • Continuar aplicando medidas para melhorar a disponibilidade da frota.
  • Continuar conduzindo rodadas periódicas de testes de segurança cibernética corrigir deficiências abertas.
  • Completar ações contratuais para adquirir uma segunda célula estática do F-35B para concluir testes de durabilidade de pelo menos dois ciclos de vida para validar a estrutura das asas.

Para ler o relatório DOT&E completo, clique aqui.

13 COMENTÁRIOS

  1. Muito tempo,muito dinheiro, muitos problemas… Cada dia mais parecido com o programa do F111… Ao que parece (pelo menos para mim que sou leigo) definiram características muito ambiciosas para o projeto e estão pagando caro a inovação em tantas frentes diferentes… No final todos estas correções aumentarão muito o custo total do programa… Esse avião vai ter que vender muito muito e ficar por aí por uns 50 anos para custear o programa ( palpite de leigo, deixo bem claro aqui)…

  2. Os defensores do F-35 dizem que é normal esse tipo de coisa, que as aeronaves por serem muito inovadoras sofreram com estes empecilhos e que tudo será resolvido… Tá, eu concordo, só que a essa altura do campeonato não acho normal continuar aparecendo noticias sobre problemas no projeto de alguma parte da aeronave, tudo bem que o canhão interno só tem no F-35A mas seria mais lógico terem problemas com o software e não com a aeronave, até porque já devem estar testando o canhão a quase 4 anos.

  3. Estava debatendo com um amigo sobre este tema e a coisa é aquilo que há tempos se comenta: o problema é o canhão nessa posição. O GAU-22/A do F-35B e C, por serem montados em pod, não vão apresentar esse problema.

    • Ou o F-14 que após cada pouso embarcado tinha vazamento hidráulico hehe!

      Mas essa geração de caças ainda sofreu mesmo com o pouco acesso a esses relatórios de órgãos de transparência. Como Pierre Sprey, hoje também contrário ao F-35, na época chamando o F-15 de inútil e muito "dependendente do radar ".

      • Tem isso também, hoje tudo é escancarado na imprensa. Até pouco tempo informações de desempenho eram mantidas em sigilo absoluto, e na história desses aviões lendários dos anos 70/80 o que não faltam são erros de projetos e trajedias durante o desenvolvimento. O que veio é que fizeram muito marketing do avião e em algum momento o projeto ficou complicado demais até para a tecnologia de hoje. Mas o futuro desse avião parece promissor.