O Catar não realizou o pagamento da primeira parcela do acordo relativo a compra de 24 caças Eurofighter Typhoon, acendendo uma luz amarela no Reino Unido.

Os esforços do Catar para obter um melhor financiamento para comprar jatos de combate da Grã-Bretanha forçaram a um atraso no acordo até o final deste ano. Ao mesmo tempo, o Emir do país está iniciando uma visita oficial a Londres. Os britânicos esperam que o Emir não cancele a venda.

O líder do Catar se reunirá com a primeira-ministra britânica Theresa May para um almoço de trabalho e realizará reuniões com outros ministros britânicos. A venda dos caças britânicos está no centro das relações britânicas com o Catar. A decisão de Doha de levantar fundos no mercado de capitais para a compra pareceu surpreender as pessoas que acompanharam todo o processo de compra.

Em dezembro do ano passado, o Catar chegou a um acordo de US$ 6,7 bilhões com a BAE Systems para 24 caças Typhoon e o primeiro pagamento era esperado para agora. No entanto, uma fonte próxima ao acordo confirmou que o Catar estava buscando um empréstimo de US$ 4 bilhões para cumprir suas obrigações, o que atrasou o pagamento e mergulhou o acordo em incertezas.

Inicialmente, o pagamento era esperado por este período, mas agora foi empurrado para o terceiro trimestre, talvez no final de agosto“, disse a fonte com conhecimento do contrato. “Não sabemos por que eles precisam fazer isso (obter o empréstimo), é o processo interno deles que não fazemos parte, mas ainda estamos confiantes no pagamento e esperamos que o acordo seja cumprido.”


Typhoon P3E configuration

O financiamento será por agências de crédito à exportação. Em dezembro passado, a BAE disse que o acordo estava sujeito às “condições financeiras e ao recebimento pela empresa do primeiro pagamento, que deve ser cumprido em meados de 2018”.

O governo britânico disse que as discussões eram uma questão de negociação comercial entre a BAE e Doha. “Os Typhoons aumentarão a missão do Catar de enfrentar os desafios no Oriente Médio“, disse um porta-voz. “Este é um assunto comercial em andamento entre a BAE Systems e o governo do Catar, que continua a avançar neste acordo, que apoiará milhares de pessoas, injetando bilhões em nossa economia e gerando empregos”.

Por conta da riqueza histórica do Catar, a falta de pagamento por causa da necessidade do país de levantar empréstimo para financiar as primeiras parcelas não era esperado. Desde o boicote diplomático imposto ao Catar pelo Quarteto Árabe, incluindo a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, no ano passado, Doha se engajou em uma série de exercícios de emissão da dívida pública no mercado internacional sem precedentes.

Em junho do ano passado, os países que participaram do boicote romperam relações diplomáticas com o Catar, acusando-o de apoiar o terrorismo e de se aliar ao Irã. O impasse impactou a economia do estado, deslocando o comércio e levando a restrições orçamentárias sobre Doha.

O Banco Mundial disse em abril que a economia do Catar havia se alinhado após o anúncio. “Estima-se que o crescimento do PIB tenha permanecido estável em 2,2% em 2017, em parte refletindo os efeitos da ruptura em curso com seus vizinhos“, afirmou.

O governo britânico acredita que o contrato será honrado, injetando bilhões na economia do país e auxiliando na manutenção dos empregos. A BAE Systems emprega cerca de 5.000 pessoas no Reino Unido para construir os caças, mas o programa Eurofighter Typhoon apoia cerca de 40.000 empregos indiretos no Reino Unido. Os 24 aviões do Catar deverão começar a ser entregues em 2022.

Charles Woodburn, diretor-executivo da BAE, disse que o acordo sinaliza um relacionamento de longo prazo com o Catar e suas forças armadas.

O Eurofighter Typhoon entrou em serviço com a RAF em 2007 para substituir a antiga frota Tornado.

O Typhoon foi responsável por quase um terço das vendas da BAE Systems em 2016. É um projeto conjunto entre a BAE, a francesa Airbus e a italiana Leonardo. Em março, a BAE também concordou em finalizar as negociações com um país rival do Catar, a Arábia Saudita, acertando um pedido multibilionário para 48 aeronaves.


FONTE: The National

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6 COMENTÁRIOS

  1. A compra tem um viés político. Compraram apoio no meio da crise.

    Recado dado pra quem ajudar os aiatolás.

  2. Tenho notado nos últimos tempos que, toda vez que é citada numa reportagem, mundo afora, a Airbus é identificada como uma empresa FRANCESA.

    Acho que os chucrutes não vão gostar disso… 🙂

    • Eles abaixam a cabeça para os franceses faz tempo.

      A Alemanha foi o motor da UE, até que eles deixaram os franceses mandarem.

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