A maquete da nova aeronave widebody que está sendo desenvolvida em conjunto entre a Rússia e a China foi apresentada no China Airshow em Zhuhai.
A maquete da nova aeronave widebody que está sendo desenvolvida em conjunto entre a Rússia e a China foi apresentada no China Airshow em Zhuhai.

A China e a Rússia deram um passo adiante na última quarta-feira para o desenvolvimento conjunto de um jato de longo alcance que visa concorrer com as fabricantes Boeing e Airbus, mostrando um modelo do avião sem nome que iria competir com as rivais ocidentais.

A empresa de aviões comerciais da China (COMAC) e a United Aircraft Corp (UAC) da Rússia disseram que começaram o trabalho para encontrar fornecedores, pois apresentaram uma maquete do jato widebody durante o China Airshow em Zhuhai.

Nenhuma das empresas deu detalhes sobre financiamento ou especificações técnicas para o que os analistas ocidentais chamam de uma iniciativa política que será difícil de ser alcançada e provavelmente terá um alto preço. Segundo a COMAC,os dois países investirão mais de US$ 20 bilhões na nova aeronave.

A China abriu o show na terça-feira na cidade de Zhuhai, no sul do país, com um breve voo de seu caça J-20, em uma demonstração de força militar.

Uma imagem já havia sido divulgada no final de 2015.
Uma imagem já havia sido divulgada no final de 2015.

Ambos os países estão desenvolvendo atualmente jatos menores, de corredor único para competir com os tipos mais vendidos da Airbus e da Boeing.

Guo Bozhi, gerente geral do departamento dos widebody da COMAC, disse que uma joint venture com sede em Xangai iniciará as operações este ano.

Depois do primeiro anúncio em 2014, o projeto até agora tem andado lentamente para se materializar. As empresas disseram que querem conduzir um voo inaugural em 2022 e começar as entregas em 2025 ou mais tarde.

Analistas da indústria ocidental consideram o alvo desafiador, mas mais realista do que os programas de aeronaves recentes que visavam resultados em 5-7 anos e estão atrasados.

“Um jato widebody é um produto extremamente complicado, que exigirá muitas habilidades (para desenvolver) e exigirá um amplo conhecimento industrial”, disse Guo a repórteres. “A China e a Rússia, cada um dos países, tem suas próprias vantagens.”

As descrições que acompanham o modelo mostram que as empresas finalmente prevêem três variantes, com base em uma versão básica que acomodará 280 e terá um alcance de até 12.000 quilômetros, concorrendo diretamente com o 787 e o A350.

PESQUISA DE FORNECEDORES

A aeronave está sendo desenvolvida pela COMAC e pela UAC.
A aeronave está sendo desenvolvida pela COMAC e pela UAC.

A decisão de fundar o empreendimento em Xangai foi uma “decisão mútua”, disse Guo no evento, com a presença do presidente da COMAC, Jin Zhuanglong, do presidente da UAC, Yury Slyusar, e do ministro do Comércio e Indústria da Rússia, Denis Manturov. Guo se recusou a dizer o quanto cada empresa tinha investido no projeto.

Um esforço global para avaliar potenciais fornecedores está agora em andamento, disse a COMAC, que está desenvolvendo separadamente seu próprio avião de passageiros de corredor único C919, com um voo inaugural atrasado, agora destinado para o final de 2016 ou início de 2017.

As empresas norte-americanas Honeywell e United Technologies Corporation disseram na quarta-feira que discutiram o jato da China-Rússia com funcionários da COMAC no show aéreo, sem comentar a natureza ou o assunto dos contatos.

Fonte: Reuters

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1 COMENTÁRIO

  1. A principal vantagem de Rússia e China nesse tipo de negócio é que eles podem enfiar guela abaixo das companhias aéreas de seus respectivos países.
    Lógico que eles tem capacidade técnica e de produção também, mas não é da noite pro dia que vc entra em um mercado consolidado como esse e vai tirando market share dos outros.
    Até pq tem toda uma linha de manutenção, logística e técnica já consolidada dos concorrentes e pra aprender todos esses passos demora anos.
    Senão vão ficar igual os canadenses com a Bombardier, entuchando dinheiro bom lá torcendo pra que alguém compre deles, já que eles não podem (ainda) obrigar as companhias canadenses a comprarem aviões da Bombardier.

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