Em dezembro de 2019 a China colocou em serviço seu segundo porta-aviões durante uma cerimônia na base naval de Yulin em Sanya. A base fica na ilha de Hainan, no ponto mais ao sul da China.

Anteriormente conhecido no Ocidente durante o seu desenvolvimento como o “Type 001A”, o porta-aviões se tornou o “Type 002” durante o comissionamento e recebeu oficialmente o nome de Shandong. É o primeiro porta-aviões a ser construída completamente pelo parque industrial chinês.

Embora o Shandong ainda esteja um pouco distante da capacidade operacional, a cerimônia formal, presidida pelo presidente da China Xi Jinping, destaca as ambições cada vez maiores da China de desafiar a Marinha dos EUA pelo domínio dos mares do Pacífico Ocidental. Logo após seu comissionamento, Shandong navegou pelo Estreito de Taiwan numa clara mensagem política a Taipei antes das eleições na ilha.

Agora a China deu o ponta-pé inicial para um terceiro porta-aviões.

O Shandong foi lançado em abril de 2017 e foi concluído um ano depois, embarcando em seu primeiro teste no mar em maio, embora sem nenhum equipamento de proteção. Em seu terceiro período de testes no mar, em setembro, o porta-aviões realizou operações com aeronaves Shenyang J-15 e helicópteros. No mês seguinte, a versão de guerra eletrônica J-15D realizou operações a partir do porta-aviões.

Em termos de projeto, o Type 002 baseia-se no primeiro porta-aviões da Marinha chinesa, o Liaoning, de tecnologia STOBAR. Este navio foi produzido a partir do casco do antigo porta-aviões soviético Varyag, da classe Kuznetsov, que foi comprado da Ucrânia em 1998. Possui uma ski-jump para caças de decolagem curta. Foi comissionado em 25 de setembro de 2012, mas só alcançou a capacidade operacional de combate em 2017. Sua única ala aéra é composta por caças J-15, uma variante naval do Flanker russo. O Type 002 Destina-se principalmente a ser uma ferramenta de treinamento e avaliação, proporcionando experiência aos marinheiros e abrindo caminho para desenvolvimentos mais ambiciosos.

Também construído pelo estaleiro de Dalian, Shandong compartilha uma configuração semelhante à do Liaoning, incluindo caldeiras a óleo que acionam oito turbinas a vapor e que foram derivadas do projeto soviético para o Varyag. No entanto, apesar de ter um deslocamento semelhante de cerca de 55.000 toneladas em carga padrão e cerca de 70.000 toneladas em carga total, o Shandong possui uma cabine de comando ampliada e uma ilha menor, aumentando a área disponível para manobras de aeronaves.

Além disso, a área do hangar é maior para que o Shandong possa embarcar 44 aeronaves e helicópteros, em comparação com as 36 do Liaoning. Uma ala aérea típica poderia incluir até 32 caças J-15 (incluindo o J-15D), helicópteros Changhe Z-18 de alerta aéreo e guerra anti-submarino e helicópteros de resgate/utilitários Harbin Z-19. Outras mudanças incluem a rampa, que no Shandong foi angulado em 12º contra os 14º do Liaoning.

O Liaoning durante uma visita a Hong Kong. No convés caças J-15 e helicópteros Z-8

O terceiro porta-aviões da China, o Type 003, está em construção no estaleiro de Jiangnan. Maior do que as embarcações anteriores, com 85.000 toneladas, o porta-aviões possui uma configuração CATOBAR (decolagem assistida por catapulta, aterragem por cabo). Acredita-se há muito tempo que o 003 será equipado com uma catapulta eletromagnética (EMALS) no lugar da convencional catapulta a vapor, mas ao que parece os chineses estão enfrentando problemas com essa tecnologia.

Em 2016 foram vistas imagens de caças Shenyang J-15 equipados para testes de catapulta. O arranjo CATOBAR também permite o lançamento de aeronaves mais pesadas para funções de apoio, talvez incluindo uma nova aeronave AEW. Acredita-se que o projeto Xian KJ-600, com aparência semelhante ao E-2 Hawkeye da Marinha dos EUA, esteja em desenvolvimento para serviço a bordo do Type 003 e dos futuros porta-aviões.

A liderança da Marinha chinesa está insatisfeita com o J-15 e espera-se que um novo caça esteja disponível nos porta-aviões que vierem após o Shandong. Um candidato é uma versão do Shenyang FC-31 Mighty Dragon de ‘quinta geração’, que atualmente é oferecido para exportação. Uma versão designada provisoriamente como J-35 é vista como a principal vencedora no preenchimento dos requisitos.

Pouco se sabe sobre o porta-aviões 004 que aparentemente está nos estágios iniciais de construção. Foi sugerido que será movido por energia nuclear, mas também poderá ser uma embarcação convencional semelhante ao 003. De qualquer forma, a China embarcou em uma missão para equipar sua Marinha com uma poderosa frota de porta-aviões que tem por objetivo reduzir significativamente o equilíbrio de poder na região.


FONTE: AINonline


NOTA DO EDITOR: Ter, operar e manter um porta-aviões não é uma coisa corriqueira. Demanda tempo e dinheiro. E é algo que precisa estar sempre em operação. Ter uma arma dessas e ficar um tempo sem operá-la, é jogar no lixo tudo o que aprendeu. E felizmente os chineses e os indianos não estão seguindo os ensinamentos de uma certa Marinha…

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1 COMENTÁRIO

  1. Legal, todo mundo gosta das operações embarcadas de voo, é coisa para os melhores, mas um diplomata e ex-militar americano me contou que os mísseis antinavio ar-superfície, de alcance melhorado, vão inviabilizar essas belonaves daqui a dez anos, bem antes dos novos torpedos. Uma pena, mas eu concordo com ele.

    Assim, por que só os EUA teriam o direito de arriscar a vida de milhares de tripulantes? Jå que os russos se tornaram ruins de armada com voo embarcado (outra pena), que os chineses assumam seu lugar de grande alvo.