Aeronavs E-jets da Embraer sempre tiveram grande presença no mercado dos EUA.

Projeção da fabricante americana é para vendas na aviação comercial nos próximos 10 anos, em mercados nos quais atuam os aviões comerciais da Embraer, cuja área será vendida para a Boeing, com conclusão em 2019

A previsão é de um dos fundadores da Embraer, o engenheiro e coronel da Força Aérea da reserva Ozires Silva, 88 anos e ainda na ativa: “A Embraer tem que prestar atenção sempre no mercado. Na demanda futura”.

E foi assim que surgiu, no final de 2017, a notícia de que Embraer e Boeing estavam negociando alguma forma de “combinar seus negócios”, o que culminou na venda de 80% da Aviação Comercial da brasileira para a fabricante norte-americana, por US$ 4,2 bilhões. O negócio deve estar concluído até o final deste ano.

Muita gente torceu o nariz para a negociação, projetando a “morte” da Embraer após a venda da área comercial. No entanto, para Ozires Silva, a junção das aeronaves regionais ao portfólio da Boeing, maior fabricante de aviões do mundo, servirá para enfrentar a concorrência da Airbus, consórcio europeu que comprou fatia majoritária do programa de jatos regionais da canadense Bombardier, maior concorrente da Embraer.

“Quando a Embraer foi privatizada, tinha certeza de que poderíamos conquistar o mercado, pela demanda crescente de transporte regional e pelos concorrentes. Tinha convicção de que precisávamos de uma companhia brasileira, propriedade intelectual brasileira, e que pudéssemos exportar para todo mundo”, lembra o fundador da companhia.

Agora, é momento de outras “refundação” na empresa, que completa 50 anos na próxima semana. A separação da Aviação Comercial fará a Embraer menor, com os segmentos de Aviação Executiva e Defesa, no entanto projetará a produção dos jatos comerciais para o mundo, em mercados que a Embraer teria dificuldade de disputar sem a presença da gigante Boeing.

A norte-americana estima um mercado mundial de US$ 4,18 trilhões para novos aviões na próxima década, quando devem ser entregues mais de 35 mil aeronaves até 2028.

Os aviões da Embraer poderiam concorrer em ao menos metade desse mercado mundial, cujo valor em reais (R$ 16,3 trilhões) supera em 2,3 vezes o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2018, que foi de R$ 6,8 trilhões.

Com dois novos jatos, Aviação Executiva da Embraer quer dominar mercado global

Certificado nesta semana pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o novo jato executivo Praetor 500, da categoria de jatos médios, é uma das estrelas do portfólio da Avião Executiva da Embraer para dominar o mercado mundial.

Além dele, seu irmão gêmeo, o novo jato executivo super médio Praetor 600, certificado em maio, é outra aposta da fabricante para aumentar as vendas.

Segundo Gustavo Teixeira, diretor de Vendas da Aviação Executiva para a América Latina, as performances de ambos os aviões superaram as expectativas e surpreenderam o mercado. “Apresentamos na Labace [feira em São Paulo] nosso principal lançamento, o Praetor 500, não só trazendo a homologação, mas a primeira venda no Brasil, de um produto disruptivo. Juntamente com Praetor 600, estamos entregando muito mais do que qualquer outro avião nesse seguimento”. E completa: “Otimista com as vendas. O avião está entregando performance que supera qualquer competidor mais próximo”.

Unidade de Eugênio de Melo será a nova sede da Embraer em São José dos Campos

Após meses de suspense, a Embraer confirma: “A empresa não vai deixar São José dos Campos”, cidade onde foi criada e prosperou até tornar-se a terceira maior fabricante de aeronaves comerciais do mundo.

Com a venda do segmento comercial para a Boeing, a nova empresa Boeing Brasil Commercial irá ocupar toda o complexo da atual sede da fabricante brasileira, na unidade Faria Lima, região sudeste de São José.

Os trabalhadores que não serão incorporados à nova companhia serão deslocados para a unidade de Eugênio de Melo, na região leste da cidade, que passa por obras.

Estão sendo construídos novas e modernas instalações no local para receber a equipe de engenharia, tecnologia e inovação da empresa, a Embraer S.A, separada da Aviação Comercial. Uma parte menor da equipe irá para a unidade de Gavião Peixoto, onde está parte da linha de montagem da Aviação Executiva e a de Defesa e Segurança. Em Eugênio de Melo, a inteligência da Embraer continuará pulsando em São José.


Fonte: O Vale – Xandu Alves

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