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Mock-up do JAS 39E Gripen / Foto: Saab AB, em caráter ilustrativo

A neve domina a paisagem, o termômetro marca temperaturas negativas e o Sol se põe pouco depois das três da tarde, após nascer quase às nove da manhã. Mas o casal Viviam Lawrence e Marcelo Takase está feliz por trocar o verão brasileiro pelo frio de Linköping, cidade sueca com pouco mais de cem mil habitantes. Os dois fazem parte do primeiro grupo de 46 profissionais enviados por empresas do Brasil para participarem do projeto Gripen NG.

“O trabalho de desenvolvimento do avião em conjunto com eles está se iniciando e esta etapa será essencial para a troca de conhecimento, visando à transferência da tecnologia”, diz Viviam. Mestre em engenharia mecânica pela USP, ela leva na bagagem a experiência de 13 anos na Embraer, onde trabalhou nos projetos do Super Tucano, do cargueiro KC-390 e dos jatos E-170/190, Phenom, Lineage e Legacy.

Primeiros engenheiros brasileiros já estão na Suécia para ajudar a desenvolver o futuro caça da FAB
Primeiros engenheiros brasileiros já estão na Suécia para ajudar a desenvolver o futuro caça da FAB / Foto: Saab AB, em caráter ilustrativo

Já Marcelo, engenheiro da Embraer desde 1998, trabalha com sistemas ambientais e pela primeira vez vai enfrentar os desafios do desenvolvimento de um jato capaz de superar a velocidade do som. “Uma das diferenças é que no voo supersônico a temperatura externa do ar é mais elevada, o que dificulta a capacidade de resfriamento dos equipamentos e dos sistemas do avião que trocam calor com o ar externo”, conta.

Marcelo irá trabalhar ao lado do sueco Erik Israelsson, que não esconde a surpresa com a parceria. “O que vem à mente quando escuto a palavra Brasil é o Carnaval no Rio e florestas tropicais exuberantes. Então eu não estava realmente certo do que esperar, e estou agradecido por relatar que até agora a experiência tem sido positiva”, conta o engenheiro.

Erik explica que foram criados cursos rápidos para que os brasileiros comecem a trabalhar o mais rapidamente possível. Para ele, além de transmitir conhecimento, a presença de novos parceiros pode significar mudanças positivas no processo. “Eu acho que será muito útil trabalhar com pessoas não familiarizadas com o ‘jeito Saab’. Penso que isso nos fará refletir sobre como nós fazemos as coisas, e isso dá a esperança de mudanças positivas”, explica.

A troca de conhecimentos será mútua. É essa a aposta do engenheiro Per Randell, um dos coordenadores do processo de transferência de tecnologia. “Mudar o ambiente e a estrutura de como as coisas são feitas desafia a sua percepção e faz você aprender mais”, afirma. “Tanto suecos quanto brasileiros têm conhecimentos e experiências, mas talvez de plataformas e sistemas diferentes”, completa.

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Montagem do 1º protótipo do JAS 39E Gripen nas instalações da Saab em Linköping, no sul da Suécia / Foto: Saab AB, em caráter ilustrativo

Mais de 350 brasileiros na Suécia

Até 2022, mais de 350 brasileiros vão trabalhar com o projeto Gripen NG na Suécia. Além da Embraer, as empresas AEL, Akaer, Atech, Inbra e Mectron também vão enviar profissionais para a sede da Saab em Linköping. Eles vão atuar no desenvolvimento da aeronave, gerenciamento de projeto, desenvolvimento de simuladores e certificação, dentre outras atividades. Com status de parceiro no projeto Gripen NG, o Brasil terá papel de protagonista no desenvolvimento da versão para dois pilotos e nos primeiros estudos de viabilidade do Sea Gripen, modelo com adaptações necessárias para operar a bordo de porta-aviões.

Para 2016 a expectativa da Saab é concluir a montagem do primeiro protótipo do Gripen NG. Daqui a três anos, em 2019, sairá da fábrica em Linköping a primeira aeronave para o Brasil. Das 36 unidades adquiridas, quinze serão produzidas no Brasil, com a última prevista para entrega em 2024. A Força Aérea da Suécia já encomendou outras 60 unidades do modelo. Ao todo, são 96 encomendas firmes, e a expectativa é aumentar os números com novas exportações.

Se ainda faltam alguns anos para o novo caça da FAB ser uma realidade nas bases aéreas brasileiras, no mundo da engenharia o projeto já é motivo de satisfação. “Sou neto de um integrante da FAB e também um pioneiro da Embraer, Raimundo Fernandes Dias, e tenho muito orgulho de poder, assim como ele, contribuir de alguma forma com a nossa Força Aérea”, finaliza o engenheiro Marcelo Takase.

JAS 39E Gripen , Foto - Saab AB
Mock-up do JAS 39E Gripen / Foto: Saab AB, em caráter ilustrativo

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FONTE: FAB – Força Aérea Brasileira

EDIÇÃO: Cavok

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29 COMENTÁRIOS

  1. Será que chega em 2019 mesmo? Hehehehehe

    E sinceramente, eu não acredito que ainda sonham com o tal Sea Gripen! Até é possível de fazer, mas precisa de $$$, e do jeito que andam as coisas, era melhor esquecer e seguir em frente! Não é a primeira vez que fariam isso mesmo.

    • Tendo $$$, tudo é possível, basta saber o que se quer, mas em se tratando da Ilha de Vera Cruz…

    • Giordani, Ufric,

      A tendência é sair de qualquer jeito, já que o financiamento foi aprovado… E a SAAB vai receber o dela contadinho…

      O problema vai ser na década que vem, quando o País vai ter que começar a pagar após receber o ultimo exemplar…

        • Olá Ufric.

          Verdade. Peço mil desculpas aos colegas… É o que dá escrever cansado… Por favor, ignorem meu comentário anterior…

          Falando do Sea Gripen, penso ser a essa altura a única coisa que poderia eventualmente operar 'full' do São Paulo, se este voltar a operar…

          Contudo, a situação da MB exige providências com relação a força de superfície que tem que ser tomadas o mais rapidamente possível, ou até 2025 ver-se-á reduzida as três Amazonas e um punhado de Macaés em condições de navegar, além da Barroso e do NDM Bahia… Logo, penso que não deveria haver uma grande dedicação a Sea Gripen; não nessa década ao menos…

          Pra ser honesto, como já disse outras vezes, acredito que o conceito deva mudar para V/STOL; embora não creio que seja praticável, uma vez que não existem outras opções que não o F-35B no médio prazo ( e a MB claramente deseja um caminho de maior autonomia )…

          • Caro RR,

            Tudo bem, eu sei bem como é. Hehehehe

            Enfim, mas o que vc quer dizer exatamente com a MB operar um V/STOL? Será que os custos seriam menores do que o desenvolvimento do Sea Gripen?

            Sds!

            • eu acho que uma boa opção pra operar no são paulo seria o rafale m

              • De fato, o Rafale M é o melhor caça naval( E mais bonito) existente,(Até o F-35C) porem é aquilo, Rafale é pra quem pode e precisa, acredito que o super hornet seja melhor a nossa realidade, aliás, falar de Rafale M e SH na MB, já é fora da realidade! Infelizmente!

                • Pedro, Ufric,

                  O Rafale até operaria do SP, mas o seria com restrições de peso… As catapultas simplesmente não seriam capazes de lança-lo com o máximo de peso possível para essa aeronave…

            • Caro Ufric.

              Questão de custo/benefício como um todo.

              A plataforma da qual um F-35B operaria seria, sem sombra de dúvidas, muito menos custosa que um caríssimo NAe CATOBAR.

              O tipo mais moderno próximo da faixa de deslocamento do São Paulo é o francês Charles de Gaulle, que leva entre cinco e seis vezes mais tripulantes que um LHD como o Juan Carlos I, que tem provisão para operar F-35B. Só nisso, o sistema de armas operando V/STOL, como um todo, já compensaria… Há também outros pormenores, como maquinaria de menor desempenho ( e mais barata ) para um LHD, além do próprio navio ser algo mais simples, mais barato e rápido de construir…

              O conceito V/STOL, como um todo, é mais flexível. As aeronaves desse tipo poderiam até mesmo fazer uso do convoo de um navio LPD em caso de necessidade extrema, como NDM Bahia.

              Saudações.

              • Obrigado pela explicação, RR!

                Pelo o que vc me disse, parece ser algo melhor para a MB em um futuro.

                Sds!

  2. Saindo a um preço que……vcs estão carecas de saber.Mas dá um certo orgulho , esses homens e essa mina ai estão tendo uma chance de ouro.

  3. Fiquei com inveja das temperaturas negativas…da neve brilhando…é desumano temperaturas de 30ºC!

    • Vídeo interessante.Colocou em cheque tudo que eu sabia sobre Varredura Eletronica.

    • muito interessante, quantas vezes por segundo que ele faz um scan completo?

      • Infelizmente eu não sei muito a respeito de radares, este vídeo encontrei no momento em que estava tentando entender o que diferencia um radar AESA de um radar PESA suas vantagens e desvantagens de um em relação ao outro, sou leigo no assunto e quando vi este vídeo achei bastante esclarecedor para quem não tem muito conhecimento sobre o assunto e decidi compartilhar para as pessoas que também não saiba muito bem sobre o mesmo e possam entender um pouco mais.

  4. Independente de preferencias….qualquer engenheiro se sentiria orgulhoso e honrado de participar de um projeto dessa importância…o crescimento profissional é exponencialmente enorme…imagina isso no curriculum vitae…rs..!!!

    • Se o cara pegar uma boa experiência, pode até ficar na Suécia mesmo!

  5. O comentário do engenheiro sueco Erik Israelsson é uma triste realidade " O que me vem a mente quando escuto a palavra Brasil é o carnaval no Rio e florestas tropicais exuberantes, então eu não estava certo do que esperar" É assim que somos vistos lá fora. Tenho contato com muitos americanos, e eles pensavam que eramos como os mexicanos, falávamos em espanhol e usávamos sombreros. Não se interessam por nós ou como vivemos, ao contrario de nós que vivemos falando deles e do que comem, fazem, ouvem, vestem ou assistem.

    • Sim, e a Saab oferece o dispositivo para os Gripen novos ou existentes, o que significa que já é compatível com o Gripen C/D.

      • olhando esses sistemas, eu penso que não vai demorar muito pra surgir um hardkill pra aeronaves, algo que se posicione na trajetória do missíl… ou lasers 🙂

  6. As coisas no Brasil são tão imprudentes( ou feitas de má fé) que mesmo com uma investigação seríssima em curso não dão uma parada no projeto.

    Se der alguma merda no melhor estilo Petrobrás, que praticamente parou, e mantiverem o projeto andando, as multas tendem a ficar cada vez maiores.

    Era melhor fazer como os americanos fizeram com o ST..

    Apareceu a denúncia, suspenderam, investigaram e como não apareceu nada continuaram.

    A diferença é que aqui como meteu a família real de São Bernardo do Campo, a probabilidade de não ter nada é praticamente zero.

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