Após incidente no dia 16 de janeiro, as duas companhias aéreas japonesas que possuem o 787 suspenderam as operações com as aeronaves. (Foto: Kyodo News)
Após incidente no dia 16 de janeiro, as duas companhias aéreas japonesas que possuem o 787 suspenderam as operações com as aeronaves. (Foto: Kyodo News)

Duas grandes companhias aéreas do Japão deixaram em terra suas respectivas frotas de jatos Boeing 787 Dreamliner nesta quarta-feira, após uma unidade do modelo ter feito um pouso de emergência no país, no mais novo incidente de uma série de problemas apresentados por um avião que muitos veem como o futuro da aviação comercial.

A All Nippon Airways disse que instrumentos a bordo de um voo doméstico detectaram erro de bateria, acionando alertas de emergência aos pilotos. Shigeru Takano, um importante membro da Agência de Aviação Civil, disse que um segundo alerta indicou presença de fumaça.

O incidente desta quarta-feira foi descrito por representante do Ministério dos Transportes do Japão, como “altamente sério”, o que no meio de segurança internacional significa que poderia haver acidente.

Nos últimos dias, problemas como vazamentos de combustível, fogo em bateria, problemas elétricos, falha em computador de freio e rachaduras em janela do cockpit atingiram o primeiro avião do mundo com estrutura de compósito de carbono.

“Estamos perto do ponto em que eles precisam considerar isso como uma crise séria”, afirmou Richard Aboulafia, analista sênior da Teal Group em Fairfax, nos Estados Unidos. “A visão das pessoas sobre o avião vai mudar se não tomarem uma medida rapidamente”, acrescentou.

Um alerta num 787 Dreamliner da ANA fez com que a aeronave fizesse um pouso de emergência. (Foto: Kyodo News)
Um alerta num 787 Dreamliner da ANA fez com que a aeronave fizesse um pouso de emergência. (Foto: Kyodo News)

A ANA informou que suspendeu voos com todos os 17 Boeings 787 de sua frota. A empresa afirmou que a bateria no compartimento de carga dianteiro da aeronave afetada pelo problema é do mesmo tipo de íon de lítio que pegou fogo em outro Dreamliner nos Estados Unidos, na semana passada.

A Japan Airlines também suspendeu os voos com 787s previstos para quarta e quinta-feiras.

Ambas as empresas vão decidir na quinta-feira se retomarão os voos com o Dreamliner no dia seguinte. As duas operam quase metade dos 50 787s que a Boeing já entregou.

REVISÃO DETALHADA

O 787, que tem um preço de tabela de 207 milhões de dólares, representa um salto na forma como os aviões são planejados e produzidos, mas o projeto teve várias mudanças e anos de atraso. Alguns sugerem que a pressa da Boeing para compensar este atraso resultou nos recentes problemas, o que a fabricante nega vigorosamente.

Um Boeing 787 Dreamliner da Japan Airlines teve um problema semelhante na semana passada. (Foto: Stepham Savoia / AP)
Um Boeing 787 Dreamliner da Japan Airlines teve um problema semelhante na semana passada. (Foto: Stepham Savoia / AP)

Autoridades dos Estados Unidos estão monitorando o mais novo incidente como parte da detalhada revisão no Dreamliner anunciada na semana passada.

O voo 692 da ANA deixou Yamaguchi, no oeste do Japão, pouco depois das 8h (21h em Brasília) com destino ao aeroporto de Haneda, perto de Tóquio, um voo de 65 minutos. Porém, após cerca de 18 minutos de voo, o avião desceu e fez um pouso de emergência, de acordo com o site de acompanhamento de voos Flightaware.com.

Um porta-voz do aeroporto de Osaka disse que o avião pousou em Takamatsu às 8h45 locais. Todos os 129 passageiros e oito tripulantes foram retirados por tobogãs infláveis da aeronave. Cinco pessoas ficaram levemente feridas, segundo autoridades.

Passageiros do voo disseram a uma TV local que um cheiro parecido com o de plástico queimado começou a tomar o avião logo após a decolagem. “Começou um cheiro ruim assim que a viagem começou e antes do pouso de emergência houve um anúncio, com a voz da comissária trêmula. Aí eu vi que era sério”, afirmou um passageiro à TBS TV.

Outro homem afirmou a uma emissora local: “Havia um forte cheiro de queimado e a fumaça apareceu depois que eles abriram as portas de emergência, depois que pousamos.”

EXPECTATIVA

As aeronaves 787 do Japão deverão agora permanecer no solo até que se descubra a causa dos incidentes repetidos.
As aeronaves 787 do Japão deverão agora permanecer no solo até que se descubra a causa dos incidentes repetidos.

Na Ásia, somente as companhias japonesas e a Air Índia têm Dreamliners em operação, mas outras companhias estão entre as que encomendaram 850 unidades do novo avião. A australiana Qantas Airways disse que o pedido de 15 Dreamliners está mantido, com a subsidiária Jetstar devendo receber sua primeira unidade no segundo semestre do ano.

Autoridades indianas disseram que vão esperar o relatório de segurança do Boeing, esperado para esta quarta-feira, antes de decidir se vai parar ou não os seis Dreamliners da estatal Air Índia.

A United Airlines, única companhia norte-americana a operar o 787 atualmente, afirmou que não está tomando nenhuma ação imediata em resposta ao último incidente. “Estamos avaliando o que está acontecendo com a ANA e teremos mais informações amanhã”, disse uma porta-voz.

Os problemas do Dreamliner ecoam incidentes registrados pela rival Airbus, que um ano atrás sobreviveu a uma crise de confiança pública depois do surgimento de rachaduras nas asas do superjumbo A380, o maior avião de passageiros do mundo. Os problemas testaram o relacionamento da fabricante com as companhias aéreas, mas nenhuma encomenda foi cancelada.

Fonte: Reuters / Mayumi Negishi e Tim Kelly, via G1

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12 COMENTÁRIOS

  1. Más notícias para a Boeing, que queria marcar um novo capítulo na Indústria Aeronáutica.
    Um problema de uma bateria do APU é uma coisa, agora com outra situada junto aos aviónicos… complica um pouco mais…

    • Acho que é normal uma aeronave com tantos conceitos novos apresentar esses problemas.
      Agora eles tem de tomar cuidado para não queimar a imagem do avião.
      Incidentes em terra vai lá, mas se acontecer um acidente mais grave e com vitimas fica complicado.
      A Boeing devia fazer alguma acordo com as companhias e groundear todos os 787 até solucionar os problemas, pelo menos preservaria a imagem da companhia e do avião.

  2. É, já virou Nigthmare Liner… e muita gente na Boeing não vai dormir hoje.

  3. "Nos últimos dias, problemas como vazamentos de combustível, fogo em bateria, problemas elétricos, falha em computador de freio e rachaduras em janela do cockpit atingiram o primeiro avião do mundo com estrutura de compósito de carbono."

    Fico pensando se essas notícias estão ressoando na Embraer que precisará tomar decisões em relação ao aumento de materiais compostos nos E-Jets NG. E aí? Arrisca ou opta por um retrofit mais conservador?

    • Pelo que tenho lido dhavix, a Embraer optou por manter a construção do novos Ejets de modo convencional em estrutura de alumínio… em minha opinião uma decisão acertada…

      Existem inclusive novas ligas de Alumínio desenvolvidas pela Alcoa e/ou Alcan, que são quase tão leves como os compósitos sem seus riscos… e li que a Embraer estaria de olho nelas…

      Abç,

  4. “ 'Estamos perto do ponto em que eles precisam considerar isso como uma crise séria', afirmou Richard Aboulafia, analista sênior da Teal Group em Fairfax, nos Estados Unidos". Tá de brincadeira. Preferem correr o risco de um incidente pior no céu do que tomar uma atitude responsável. No mínimo a frota japonesa deveria permanecer no chao.

  5. Tudo que tenta ser novo e revolucionário dá problemas no inicio memso….normal

  6. Linda aeronave, e quanto aos problemas eu não concordo com o "é compreensível, é um percursor de algumas tecnologias e bla-bla-bla.."
    Como que esses problemas não apareceram nos testes?
    Os testes foram completos?

    Inclui nisso o A380, não me lembro de ter visto alguma nota dizendo que os problemas do A380 tenham sido resolvidos…

    • Galileu,
      Tem situações que, mesmo com todos os testes e simulações, só ocorrem na operação do dia-a-dia.
      Temos de esperar para ver se esses casos são todos ligados ao mesmo fator (baterias?) ou se são vários problemas com causas diferentes, o que seria bem mais problemático pois teriam de avaliar todos os sistemas do avião novamente.

  7. A impressão que tenho é que fizeram vista grossa em muita coisa para forçar a certificação desta aeronave…

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