MSF06 1598 31 EA 18G - Custo dos Growlers para Austrália fica seis vezes mais caro
Na proposta anterior, a Austrália teria que pegar emprestado os pods de interferência ALQ-99 da Marinha dos EUA, e agora pretende adquirir os pods para os 12 jatos. (Foto: U.S. Navy)

O custo para o contribuinte australiano para converter os 12 caças Super Hornet da RAAF em jatos de guerra eletrônica, ou Growlers, aumentou quase seis vezes de US$ 300 milhões para US$ 1,7 bilhão. No momento em que eles estiverem previstos para entrar em operação no final da década, os pods de interferência dos aviões estarão quase defasados.

O governo dos Estados Unidos teve que acelerar o seu programa do “jammer de próxima geração” para conter os problemas com a sua própria frota de Growlers e os resultados da pesquisa é que eles poderão estar operacionais até início dos anos 2020.

Os críticos australianos dizem que o Ministério de Defesa quer gastar mais que o possível por uma tecnologia que remonta a 1971, e que foi usada nos F-111 sobre Bagdá durante a primeira Guerra do Golfo, que possuem “problemas de sobrevivência” num ambiente de combate, e que os EUA esperam substituir mais cedo ou mais tarde.

Apesar de o governo australiano não se comprometer com o Growler até o próximo mês, no mínimo, ele já gastou 55 milhões dólares na capacidade que tem sido fortemente defendida por membros do grupo de liderança da Força de Defesa Australiana.

Destes, US$ 35 milhões foram alocados em fevereiro de 2009 para o cabeamento de 12 dos 24 Super Hornets deixando esses preparados para uma conversão para Growler. E mais US$ 20 milhões foi atribuído pelo ministro da Defesa, Stephen Smith, em março deste ano para investimento em componentes a longo prazo.

Joel Fitzgibbon, o então ministro da Defesa, disse em 27 de fevereiro de 2009, que o projeto Growler da Austrália iria “requerir um investimento adicional de US$ 300 milhões”.

O que ele não disse foi que a Austrália não estava planejando comprar os pods de guerra eletrônica ALQ-99, apenas os sistemas e hardware que permitem que estes sejam instalados nas aeronaves.

“Posteriormente, a Agência de Cooperação de Segurança e Defesa dos EUA aconselhou o Congresso dos EUA no dia 22 de maio passado de uma possível venda do Growler para a Austrália a um custo estimado de US$ 1,7 bilhão,” disse um porta-voz da Defesa. “A proposta inicial tinha uma estimativa de custo de 2009 que oferecia uma menor capacidade de defesa que agora se propõe adquirir”.

Os pods teriam que ser emprestados pela Marinha dos Estados Unidos sempre que a Austrália quisesse, disse uma fonte. Assim os EUA manteria o controle absoluto sobre o uso da tecnologia Growler na RAAF.

Para comprar os pods totais para os 12 aviões, custaria um adicional de US$ 1,4 bilhão, apenas 100 milhões dólares abaixo da meta do orçamento 2012-13 australiano.

Os pods ALQ-99 têm sido criticados como não confiáveis pelo Government Accountability Office (GAO) dos EUA, que disse em 2010 que a Marinha dos EUA havia identificado sete principais deficiências “e que o Diretor de Teste e Avaliação Operacional descobriu que o conjunto de ataque eletrônico ‘degradava’ a performance do radar da aeronave.

“O novo avião [o Growler] está levando antiquados pods ALQ-99 para um futuro onde eles serão totalmente inadequados”, disse o analista dos EUA Loren Thompson.

O projeto Growler australiano, listado na ação de revisão do Plano de Capacidade de Defesa no mês passado como Projeto Air 5349 Fase 3 e custando entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões, está bem isolado da atual rodada de cortes no orçamento da Defesa.

“Se o Governo decidir adquirir o Growler, a despesa seria distribuída ao longo de vários anos, observando que os kits de modificação e outros sistemas de missão e de apoio seriam produzidos depois desta década,” disse um porta-voz da Defesa.

Sob o novo acordo, que dará a Austrália seus próprios pods, ainda haverá restrições sobre seu uso.

“É extremamente improvável que a RAAF seja autorizada a utilizar os seus Growlers enquanto exista aviões americanos em voo [na vizinhança],” foi o que nos disseram.

O estouro no custo levanta questões sobre a transparência e o benefício do investimento.

Andrew Davies, analista sênior do Instituto de Política Estratégica Australiano, apóia a mudança da capacidade de acesso e de propriedade – mesmo se não houver restrições operacionais. “Eu acho que há mais vantagem do que desvantagem”, disse ele.

Carlo Kopp, do Air Power Australia, discorda: “Existem alguns problemas principais de sobrevivência com o Growler,” disse ele.

Fonte: The Camberra Times – Tradução: Cavok

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25 COMENTÁRIOS

  1. Quando compraram os F/A-18 foi uma conversa de aeronave preparada para ser convertida, agora vem este orçamento bilionário.

    • Eu só estou me divertindo, com as verdades que se tornam, verdades pesadas…

  2. US$ 1,7 bilhão para converter 12 caças… U$141.666.666,00 por cada caça!

    Se somar com o valor já pago pelo próprio caça, deve alcançar pelo menos uns 210 milhões e dólares, por cada Growler…

    será que vale a pena gastar tanto neste vetor? Do proprio texto:

    "…Os críticos australianos dizem que o Ministério de Defesa quer gastar mais que o possível por uma tecnologia que remonta a 1971,…"

    • Mas pelo que eu entendi do texto, o custo disparou pois a Austrália agora quer comprar os pods de interferência, que na proposta anterior viriam de forma emprestada. Me corrijam se eu estou errado.

      Abraço,

      Fernando Valduga
      Editor Cavok Brasil

  3. Até aí, nada de mais. O custo aumentou justamente por conta dos pods. E aeronaves de guerra eletrônica são caras de qualquer forma… Agora, dizer que a tecnologia utilizada é defasada ou está prestes a ser… é bem verdade que uma hora ou outra a tecnologia tornar-se-á obsoleta, mas não creio que seja apropriada a colocação, mesmo porque contam-se nos dedos os tipos de aeronaves que são capazes de fazer o que o Growler é capaz… E fazer o que faz mantendo capacidade total de combate, até onde sei o Growler é único nesse aspecto.

  4. O problema é o preço, a US Navy precisa deste equipamento no F-18, a Austrália poderia colocar em outra plataforma mais barata.

    A verdade é que a Austrália nunca precisou destes F/A-18 novos e poderia esperar os F-35, então tudo que gastarem neles vai ser criticado. os tempos são outros.

  5. Como venho dizendo… nada é de graça! não existe mágica! falam dos preços do Rafale como se ele fosse desconexo do todo… e, a cada dia, as máscaras caem, eu me divirto, só me espanto (ou não) com a insistência de alguns em não aprenderem com este "dia-a-dia"…

    Acho que a próxima a reclamar da "realidade" será a Suiça! vai descobrir o truque depois da escolha…

    • Francisco AMX eu não sabia que o Rafale e o Gripen tem a versão de guerra eletrônica, rssss….

      • Rodrigo, ironias a parte, já que eu ironizei também sobre os custos… Este "negócio" de guerra eletrônica é muito extenso e, diria até, vago, precisa ser considerado o objetivo como um todo para se determinar o que seria, de fato, guerra eletrônica… o Gripen para atuar com alguma capacidade precisa levar pods interferidores, o Rafale conta com uma capacidade interessante em seu sistema "interno", que também, através de seus sistemas ativos e passivos, gerenciado por um software poderoso, emite interferencias, dissimula e rouba sinais, o que seria pautado como guerra eletrônica… dadas as proporções… o que um POD deveria fazer com maior range, porém este também deixa a sua "assinatura"… uma coisa é vc ter muitos SH-G a sua disposições, escoltados e cobertos por um mix de aeronaves como F-18/F-15?f-16 e Raptores… mas inverta isso e coloque um avião como o Growler no "outro" time… a coisa muda totalmente… o G é uma parte da equação americana…

        • Francisco AMX,

          É aí que está…

          No caso específico do F-18 E/F, uma parte do pacote de proteção é, salvo engano, o pod AN/ALQ214, que, combinados ao radar APG-79, ao sensor ALE-50 e ao RWR, tem uma atuação muito similar a do Spectra. Na verdade, a suite é mais completa, uma vez que o Rafale não tem nada parecido ao ALE-50. E espera-se que o Gripen NG tenha uma capacidade desse tipo também.

          Já o F-18G é um tipo em particular, otimizado para guerra eletrônica com os ALQ99. Contudo, seu raciocínio não deixa de estar certo. O sistema do Rafale pode ser, em teoria, utilizado para fazer ataques eletrônicos, mas não das mesmas proporções que o F-18G, com sua eletrônica mais "parruda", seria capaz…

          No mais, o F-18 Growler não seria uma arma de ataque direto, atuando somente como caçador eletrônico. A idéia básica seria mante-lo fora do alcance inimigo, voando na retaguarda, usando os sistemas anular ou diminuir a eficácia dos radares inimigos, permitindo aos atacantes uma passagem mais segura…

          Abraço, amigo.

    • Caro Francisco AMX,

      É verdade. Não existe mágica.

      Contudo, lembre-se de que esses Growlers são aeronaves de guerra eletrônica, um tipo de aeronave que talvez seja o mais caro no inventário de qualquer força aérea.

      Dentro de sua categoria, o F-18 Growler é único, realizando ataques eletrônicos e mantendo uma capacidade "full" de defender-se. Não há comparação com o Rafale, dentro desse aspecto. Mesmo porque, não há versão do Rafale especializada em guerra eletrônica…

      • Pois é… o Growler custa o que tem que custar… o Rafale também… só o Gripen promete "mágica sustentável"… mas voltando ao assunto…
        Olha, existem críticas internas sobre o desempenho do Pod e dos sistemas do SH-G…, já lí sobre a falta de controle destas emissões, que são poderosas, mas ultrapassadas em termos de ação tática… chega a interferir no desempenho do APG-79… eu vejo isso mais ou menos como os poderosos radares russos, que sem a tecnologia AESA, perdem boa parte de sua capacidade de gerenciamento… enfim… mas como não sou um conhecedor contumaz deste assunto, deixo que alguns mais capacitados aqui, exponham suas idéias…

        abraço RR!

        • Francisco AMX,

          Também não sou um "expert" nesse assunto, mas vamos lá…!

          Os sistemas de interferência eletrônica poderiam mesmo acabar interferindo nos sistemas da própria aeronave jammeadora. É possível mesmo que o ALQ99 interfira no desempenho do APG-79. Problemas como um menor alcance, por exemplo, seriam perfeitamente factíveis. Afinal de contas, são ondas eletromagnéticas atiradas ao espaço que acabam encontrando outras ondas eletromagnéticas… Ou seja, uma interferência pode mesmo ocorrer…

          Abraço, Francisco AMX.

  6. agora, o "supra-sumo" da IE, como sabemos, carrega um potente POD, do tempo do êpa!… realmente não existe algo igual, com mesma estrutura tecnológica… mas existem outros equipamentos que suplantariam este POD? nos USA sabemos que não mas em Israel, França, china e Russia?…

    • Francisco AMX,

      Até onde sei, todos esses países possuem tecnologia similar, mas nada como os EUA possuem na forma do Growler. Poder-se-ia até comparar outros pods menores como o SkyShield, que, em tese, poderia ser utilizado para fazer o mesmo, mas não nas mesmas proporções que o Growler seria capaz; seriam mais uma proteção individual e não um instrumento de ataque eletrônico em si…

      No meu entender, o Growler em si nasceu da necessidade da USN de exercer projeção de poder sem ter que depender de aeronaves de guerra eletrônica baseadas em terra. A única razão para Russia, China e outros não investirem num equipamento como esse é provavel que seja justamente o fato de não possuirem um poder naval de projeções como os da USN. Daí, termina sendo mais lógica a utilização de aeronaves baseadas em terra. Em suma, a necessiade faz a força tal como ela é…

      No caso específico dos australianos, provavelmente optaram pelo Growler por conta de sua capacidade de realizar SEAD e guerra eletrônica ao mesmo tempo…

      • RR, o Growler, em termos de plataforma, é tão somente uma evolução do Prowler… nada de "impressionante"… a USN precisa disso, outros países nem tanto… fosse diferente…

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