O contrato de 2 bilhões de euros garante o desenvolvimento da versão F4 do Rafale. (Foto: Dassault Aviation)

A Dassault Aviation recebeu um contrato da Força Aérea Francesa, avaliado em cerca de 2 bilhões de euros, para o desenvolvimento da versão F4 da aeronave Rafale.

Eric Trappier, Presidente e CEO da Dassault Aviation, recebeu hoje o contrato de desenvolvimento do padrão F4 para o avião de combate Rafale, durante a visita a fábrica da Dassault Aviation em Mérignac pela Ministra Francesa das Forças Armadas, Florence Parly.

O padrão F4 é parte do processo contínuo para melhorar continuamente o Rafale, de acordo com o progresso tecnológico e o feedback da experiência operacional. A versão F4 marca um novo passo na sequência dos padrões F1 (específicos para a primeira aeronave da Marinha Francesa), F2 (capacidades ar-solo e ar-ar), F3 e F3R (versatilidade ampliada).

A ministra das Forças Armadas da França, Florence Parly, Eric Trappier, CEO da Dassault, e Joël Barre, diretor-geral de armamentos (DGA), apresentam o contrato de desenvolvimento do Rafale F4 de 2 bilhões de euros, em frente a vários Rafales sendo montados para o Catar. (Foto: Dassault Aviation)

A Dassault, como arquiteta industrial, será responsável pela implementação de soluções de conectividade inovadoras para otimizar a eficácia das aeronaves em combate em rede (novos links via satélite e intra-patrulha, servidor de comunicação, software de rádio).

Novas funções também serão desenvolvidas para melhorar as capacidades da aeronave (upgrades para os sensores de radar e optrônicos no setor frontal, capacidades de displays montados no capacete), e novas armas serão integradas (míssil ar-ar Mica NG e a AASM (Air-to-Ground Modular Weapon) de 1.000 kg).

Por fim, no que diz respeito à disponibilidade, a Dassault Aviation trabalha sob um contrato de suporte vitalício que se tornará mais ativo sob a autoridade do fabricante da aeronave. A versão F4 incluirá um novo Sistema de Ajuda para Diagnóstico e Prognóstico, introduzindo capacidades de manutenção preditiva. Outros recursos de otimização de manutenção estão programados, especialmente com soluções baseadas em “Big Data” e inteligência artificial. Por fim, o Rafale será equipado com uma nova unidade de controle do motor.

“O padrão F4 garante que o Rafale permaneça no nível mundial para que nossas forças aéreas de combate possam realizar todas as suas missões com eficiência máxima, seja em operações de coalizão ou de forma totalmente independente, como exige a dissuasão nuclear francesa”, afirmou Eric Trappier. “Esta nova norma também garante que o Rafale continuará a ser uma referência credível no mercado de exportação. Por último, confirma a abordagem de melhoria contínua e ajuda a desenvolver as habilidades dos fabricantes.”

A validação da versão F4 está prevista para 2024, com algumas funções disponíveis a partir de 2022.

O Rafale é a única aeronave totalmente “omnirole” do mundo, capaz de operar a partir de uma base terrestre ou de um porta-aviões, capaz de transportar 1,5 vezes o seu peso em armas e combustível, sendo projetado para realizar todo o espectro de missões de aeronaves de combate:

  • Interceptação e combate ar-ar usando um canhão de 30 mm, mísseis Mica IR/EM e mísseis Meteor.
  • Suporte aéreo aproximado usando o canhão de 30 mm, bombas GBU guiadas a laser e bombas AASM guiadas por GPS.
  • Ataque profundo usando mísseis de cruzeiro Scalp-Storm Shadow.
  • Ataque marítimo usando o míssil Exocet AM39 Block 2, e outras armas ar-terra.
  • Reconhecimento estratégico e tático em tempo real usando o pod Areos.
  • Reabastecimento em voo “buddy-buddy”
  • Dissuasão nuclear usando o míssil ASMP-A.

O Rafale entrou em serviço com a Marinha Francesa em 2004 e com a Força Aérea Francesa em 2006, substituindo gradualmente os sete tipos de aeronaves de combate da geração anterior.

Provou-se em operações externas em vários teatros: Afeganistão, Líbia, Mali, Iraque e Síria. Das 180 aeronaves encomendadas pela França até o momento, 152 foram entregues. A frota de Rafale atualmente totaliza quase 270.000 horas de voo, incluindo 40.000 em operações. Um total de 96 aeronaves Rafale foram encomendadas pelo Egito, Catar e Índia.


Nota do Editor: Os 30 caças Rafale que serão encomendados em 2023, para entrega no período 2027-2030, serão entregues nesta versão F4, e todos os outros Rafales em serviço francês serão gradualmente atualizados para o mesmo padrão.

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13 COMENTÁRIOS

  1. È uma boa aeronave, cara de comprar e mais cara ainda de manter, mas esse é o caminho: Upgrades contínuos para melhorar as capacidades do avião em todos os campos.

    • Tadeu, o Rafale não é necessariamente caro de manter, encaixa no perfil da sua classe. De facto, tanto o Rafale como o eurofighters tendo em conta a classe de aviões a que pertencem (bimotores de porte médio) são considerados aceitáveis no custo de manutenção e hora de voo.

  2. Provavelmente o melhor avião de caça ocidental.
    Ainda não pode ser comparado ao Su-35, que é bem maior e carrega muito mais armamentos.

    • Simplesmente tudo errado, o Rafale é um bom caça, leva vantagem em furtividade em cima do SU-35, mas ambos estão longe de serem o melhor caça da atualidade, este título pertence ao F-22.

    • O Rafale tem radar e suíte de guerra eletrônica bem melhores que o Su-35, sem falar é claro do RCS menor.

      Entretanto o caça francês não pode se equiparar ao F-35, que além de furtivo possui sensores e uma fusão de dados bem superior a despeito da inverdades publicadas por blogs patrocinados pela Dassault e reproduzidas no Brasil por mídias sem credibilidade. E tudo isso custando menos.

      Como se vê tudo isso deixa ainda mais patente a inferioridade do Su-35 frente aos caças ocidentais.

      Aceite Xings!

  3. Excelente aeronave e excelente notícia.
    Hoje, é tudo que a Índia precisa. Junto com o F-35, assim como a França, se quiser ter um fator de dissuasão.

  4. Na verdade as compras como a atualização tem o objetivo de manter renda fixa para o programa de defesa.
    Afinal a França não é o Brasil que tem governo falando muito em soberania e na verdade compromisso nenhum com ela.
    Se fosse no Brasil a Dassault para começo de historia não existiria mas vamos viajar e crêr que ela chegasse a existir.
    Teria morrido ainda nos finais dos anos 60 pois nosso governo iria levar 15, 20 ou mais anos para decidir se compra algo e quando compra é um número RIDÍCULO de 20 ou 30/35 aeronaves.
    Não há industria de defesa no campo aeronáutico que sobreviva a um governo desse tipo.
    Diga-se de passagem que essas compras ridículas de aeronaves ocorreram em pleno regime militar…

  5. A grana sobra na França… fora o que vão investir com a Alemanha no caça furtivo…

    Sem falar que a padronização da frota gera muita economia.

  6. Excelente máquina para quem pode usar.
    O texto não diz, mas se vier equipado com os motores M88-4 (?) com cerca de 90kN (?) cada, ficará melhor ainda.
    .
    Uma pena terem matado o Mirage 2000 em detrimento do Rafale, com as devidas atualizações/modernizações ao estilo F-16 seria uma ótima opção custo-beneficio até hoje.

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