O mini-ônibus espacial robótico X-37B da Força Aérea dos EUA pousou no Centro Espacial Kennedy, marcando o fim de uma longa missão militar secreta.

Este foi o quarto voo do projeto não tripulado, um programa enigmático que usou dois veículos idênticos e reutilizáveis e que acumulou 2.086 dias no Espaço.

A pista do Centro Espacial Kennedy é lembrada por ter sido usada inúmeras vezes pelos Ônibus Espaciais da NASA entre 1984 e 2011. “O pouso do OTV-4 marca outro sucesso para o programa X-37B“, disse o tenente-coronel Ron Fehlen, gerente do programa. “Estamos extremamente satisfeitos com o desempenho do veículo e entusiasmados com os dados recolhidos para apoiar as comunidades científicas e espaciais“.

No início da manhã do dia 7 de maio, a nave recebeu o comando para retornar à Terra, iniciando uma seqüência totalmente autônoma de eventos para disparar seu sistema de propulsão e sair da órbita. Mergulhando pela atmosfera para uma reentrada, o avião espacial executou uma série de voltas para dissipar a velocidade, assim como faziam os saudosos Ônibus Espaciais. Um boom sonico anunciou a chegada do veículo nos céus sobre o Centro Espacial Kennedy.

Ao longo de seus dois anos no Espaço, o veículo manobrou várias vezes, mas observadores amadores de satélite conseguiram rastrear o veículo em uma órbita de 321 por 354 km, inclinada 38 graus para o equador, antes de baixar para uma órbita de 304 por 320 km em fevereiro e, em seguida, para 354 por 365 km. A Força Aérea nunca identificou qual de seus dois aviões espaciais voou esta missão específica.

A confiabilidade, a reutilização e a capacidade de resposta do X-37B mudarão fundamentalmente a maneira como realizamos missões espaciais futuras“, disse Ken Torok, diretor de sistemas experimentais da Boeing.

Funcionários disseram que estes voos visam a testar o sistema e os veículos em uma prova de conceito para operar uma frota de aviões espaciais não tripulados, econômica e tecnologicamente importante para os militares dos EUA. Ocorre que este X-37B transportou pelo menos duas cargas úteis em sua última viagem. Os militares revelaram antes que a naveta estava carregando um experimental motor de propulsão elétrica para ser testado em órbita e um palete para expor materiais de amostra ao hostil ambiente espacial.

Fabricado pela Aerojet Rocketdyne, o avançado motor de cinco kW, chamado XR-5A, foi testado a bordo do avião espacial para o Laboratório de Pesquisa da Força Aérea e Centro de Sistemas de Espaço e Mísseis (Air Force Research Laboratory and Space and Missile Systems Center).

O sistema de propulsão elétrica produz um impulso por ionização e aceleração do gás xenônio. A economia de combustível é uma vantagem distinta de tais sistemas sobre motores químicos convencionais, mantendo o peso baixo e permitindo o lançamento a bordo de um foguete menor e mais barato.

Havia também uma investigação avançada de materiais da NASA a bordo do X-37B. O experimento expôs cerca de 100 amostras diferentes de polímeros, compósitos e revestimentos no hostil ambiente do espaço.

Embora o lançamento tenha sido anunciado com antecedência, o pouso ocorreu sem nenhum aviso oficial, contrariando os três pousos anteriores.

Especula-se que X-37B estivesse em missão de espionagem sobre a China, mas a Força Aérea enfatiza que o X-37B é um banco de ensaio para levar experiências ao espaço.

Ao contrário dos ônibus espaciais que usavam hidrogênio líquido criogênico e reagentes de oxigênio líquido para gerar eletricidade através de células de combustível a bordo, limitando o tempo de permanência no Espaço pela quantidade de consumíveis que poderiam ser transportados, o X-37B é alimentado por energia solar a partir de um painel escamoteável. O voo mais longo de um Ônibus Espacial foi de 18 dias.

O custo do programa é secreto.

Um quinto voo está planejado para ser lançado em 2017, revelou a Força Aérea.


FONTE: Spaceflight Now

3 COMENTÁRIOS

  1. Estava fazendo falta essas missões espaciais secretas – pero no mucho – e envoltas de teorias. Ser humano precisa de uma dose de conspiração ao menos mensalmente.

  2. A humanidade já está avançando nos sistema de propulsão auxiliar, mas ainda falta muito no que tange a propulsão convencional para colocar as naves em órbita. No futuro mais distante eu imagino que a manipulação do magnetismo será o meio pelo qual colocaremos as espaçonaves em órbita e fora dela.

  3. 2 anos em orbita só para testar tecnologia é pouco. deve ter equipamento de EW no veículo. sua orbita deve ter passado por cima de áreas quentes. só retornou por fim de combustível.

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