Boeing 737 MAX 8 da Ethiopian Airlines.

Os pilotos do Boeing 737 MAX da companhia Ethiopian Airlines, que caiu no dia 10 de março perto de Adis Abeba, respeitaram os procedimentos de emergência para evitar a queda do avião. A informação foi dada nesta quinta-feira (4) pelo ministro dos Transportes etíope, Dagmawit Moges, durante a apresentação do primeiro relatório sobre o acidente.

Durante uma coletiva de imprensa, o ministro declarou que a tripulação efetuou todos os procedimentos detalhados pelo construtor mas não conseguiu controlar o avião. As regras internacionais estipulam que o relatório preliminar não aponte nenhum responsável pelo acidente. Ele também não traz uma análise detalhada sobre o voo, que deve constar no futuro relatório final, que será apresentando dentro de um ano.

Algumas fontes que estão familiarizadas com o processo de investigação disseram que um pássaro ou um objeto estranho pode ter danificado o sensor AOA do MAX 8 etíope durante a decolagem.

O documento divulgado hoje mostra, entretanto, quais pontos estão sendo analisados com prioridade pelos investigadores. Ele estabelece que os pilotos agiram corretamente e emite duas recomendações para a Boeing e as autoridades reguladoras. O relatório preliminar também sugere que a Boeing faça uma revisão de seu sistema de controle de voo e que as autoridades aéreas confirmem que o problema foi resolvido antes de autorizar novamente os voos do 737 MAX.

Boeing pode contestar o relatório

O fabricante pode contestar, entretanto, a maneira como os pilotos reagiram depois de ter acesso aos dados recebidos pelo computador de bordo. A questão é saber se o avião foi estabilizado antes de desativar o sistema que protege a aeronave da perda de sustentação, conhecido como MCAS. A Boeing disse que analisará o relatório.

Desde a catástrofe com a companhia Ethiopian Airlines, que aconteceu cinco meses depois da queda de uma aeronave da companhia Lion Air, todos os aviões desse modelo estão sendo mantidos em solo pelas empresas que os adquiriram. O fabricante americano anunciou nesta quarta-feira (3) ter testado com sucesso uma atualização do programa que controla o MCAS, dando mais autonomia para os pilotos conservarem o controle manual do aparelho.

FAA cria grupo internacional para acompanhar atualização do sensor

A Administração Federal de Aviação (FAA, Federal Aviation Administration) anunciou que estabelecerá um “Grupo Conjunto de Autoridades de Revisão Técnica” para avaliar o software atualizado anti-estol dos jatos da série 737 MAX para garantir a segurança da aeronave.

O grupo será liderado pelo ex-presidente do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB), Christopher Hart, e incluirá um grupo de especialistas da FAA, NASA e autoridades de aviação internacional dispostas a participar.

O Canadá se tornou o primeiro país a anunciar que se uniria.

O grupo realizará uma revisão detalhada do sistema de controle de voo automatizado da aeronave e avaliará suas características para determinar sua conformidade com os requisitos de segurança.

O anúncio veio dois dias depois de a Boeing sinalizar que a implementação do novo software anti-estol poderia demorar mais do que o planejado anteriormente.

A Boeing tem trabalhado em uma atualização de software para evitar que dados falsos do AOA (Angle of Attack) acionem o sistema anti-estol dos 737 MAXs conhecido como MCAS (Sistema Aumentado de Características de Manobra) que está no centro das investigações após dois acidentes fatais.

Em 2 de abril, o Comitê de Comércio do Senado dos EUA disse que estava investigando alegações de que alguns inspetores de segurança da aviação que participaram do processo de certificação não foram devidamente treinados ou certificados.

A FAA foi acusada de delegar algumas de suas funções de certificação à Boeing.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Simplesmente não acredito em colisão com pássaros, pois são notados rapidamente pela tripulação e comunicado a torre, controle aéreo. E caso tenha ocorrido esta colisão, reforça a critica ao MCAS que baseava sua lógica em apenas um sensor de AOA. Os caras parecem estar procurando algo pra justificar seu programa de validação incompetente, negligente. O FAA deve ser investigado pelo Congresso Americano. Ali tem gato! Se procurar acha.

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