Bélgica confirma escolha para compra de 34 caças F-35A.

A Bélgica disse oficialmente nesta quinta-feira (25) que optou por comprar aviões furtivos F-35, fabricados nos Estados Unidos, sobre o Eurofighter Typhoon, o que os críticos chamam de golpe na tentativa da União Europeia de construir suas próprias defesas. O Ministro de Defesa da Bélgica disse que o principal fator foi o preço.

Em um acordo multibilionário com a Lockheed Martin, o governo belga disse que comprará 34 caças furtivos F-35As para substituir seus antigos F-16AM/BMs a partir de 2023. Com a seleção do F-35A pelo governo belga, a Bélgica se torna a 13ª nação a participar do programa Joint Strike Fighter (JSF).

Os críticos chamaram a decisão de “uma notícia muito ruim” para uma estratégia de defesa mais autônoma da UE, que recebeu um impulso após a criação do Brexit e do pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A Lockheed Martin disse esperar ansiosamente por laços com “o governo e a indústria belgas nas próximas décadas”, segundo um comunicado no Twitter.

O primeiro-ministro belga, Charles Michel, tentou contrapor seus críticos quando disse que a Bélgica estava querendo que a Europa e os Estados Unidos atendessem às suas necessidades de defesa.

A Bélgica também está comprando drones, fragatas, caçadores de minas e veículos blindados “dentro da estrutura da OTAN e da defesa europeia”, disse Michel em entrevista coletiva.

“Os aviões e drones são americanos, o equipamento restante é europeu e a Bélgica desfrutará dos benefícios econômicos”, acrescentou Michel.

O ministro das Relações Exteriores, Didier Reynders, disse que a oferta dos EUA “foi a melhor do ponto de vista de preço e operacional”.

O F-35 concorreu contra uma oferta do Eurofighter, desenvolvida por um consórcio europeu que também inclui a italiana Leonardo e a Airbus.

Jean-Dominique Giuliani, que dirige a Robert Schuman Foundation, uma think tank europeia, lamentou a decisão.

“Não é uma escolha europeia. É pior que um tapa, é terrível para a defesa europeia”, disse Giuliani. “É uma notícia muito ruim.”

O F-35 requer um sistema operacional e de manutenção que depende “do controle dos Estados Unidos”, acrescentou.

“Nós pousamos! Este governo está investindo pesadamente em defesa. Com a compra de caças F-35A … garantimos sua segurança e a de nossos militares ”, disse o ministro belga da Defesa, Steven Vandeput, no Twitter durante a coletiva de imprensa.

“A oferta dos americanos foi a melhor em todos os nossos sete critérios de avaliação”.

Afastamento da Europa

Marcando um afastamento da confiança de décadas da Europa pelos Estados Unidos para sua defesa, Bruxelas lançou no ano passado uma “cooperação estruturada permanente em defesa”, conhecida como PESCO.

O objetivo era unificar o pensamento de defesa europeu e racionalizar uma abordagem fragmentada para comprar e desenvolver equipamento militar.

A França provavelmente também ficou insatisfeita com a decisão.

Os Estados Unidos, agindo em nome do F-35, e a Grã-Bretanha, empurrando o Eurofighter, responderam formalmente ao processo de licitação que a Bélgica lançou em março de 2017.

No entanto, o governo francês adotou uma abordagem diferente em setembro do ano passado, propondo uma “cooperação aprofundada” com a força aérea belga, além de fornecer caças Rafale, construídos pela empresa francesa Dassault.

O ministro da defesa belga, Steven Vandeput, disse que a França se descartou com sua abordagem.

“Lamentamos que a França tenha se retirado voluntariamente de sua obrigação de apresentar uma proposta no âmbito de nosso processo competitivo transparente”, disse ele.

Dois F-35A da Real Força Aérea Australiana. (Foto: Australian Defence Force)

Christophe Wasinski, professor de relações internacionais na Universidade ULB, em Bruxelas, disse que o anúncio dos planos de compra de 400 veículos blindados franceses equivalia ao governo.

“Ele tentou turvar as águas dizendo que compraria não apenas material americano, quando a estrela dessas compras foi de fato o F-35”, disse Wasinksi.

De acordo com dados do Pentágono no início deste mês, 320 caças F-35 foram entregues globalmente, principalmente para os EUA, mas também para Israel, Austrália, Japão e Grã-Bretanha.


Fonte: AFP – Edição: Cavok

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16 COMENTÁRIOS

  1. A choradeira eurobambi de sempre. Nem entendi os dois caças como finalistas. Um não tem nada em relação com o outro. Para o tipo de missão que a Bélgica executa na Otan, o F35 é melhor.

  2. Com todos os percalços o F-35 vai se firmando como o caça das próximas décadas.
    Parabéns aos belgas, escolheu, pagou, levou.
    Lá: Definição em 2018 entregas em 2023 (5°G)
    Aqui: Definição em 2013 entregas em 2021 (4,5°G)

    • Mas vamos combinar que são duas propostas industriais bem diferentes, né? Não dá pra comparar.

    • Mas o f35 ja é um caça consolidado,o gripen é uma nova geração sendo necessario protitipos e testes…nao estou defendendo ngm,so mostrando fatos

      • F-35 (5°G)
        Gripen (4,5°G)

        Como o Gripen pode ser uma "nova" geração e o F-35 um caça "já consolidado" ???
        O Gripen voou em 1988.
        O F-35 em 2006.
        O NG é basicamente uma atualização, (não sou eu que estou dizendo, isso é de conhecimento geral está na internet, só pesquisar) não tem nada de tão novo e inovador assim quanto tentam vender.
        .
        Gosto muito do Gripen, e acho que foi uma escolha acertada para nossa realidade, mas não adianta tentar negar o óbvio…

  3. A picaretagem francesa, oriunda de negociar com brasileiros e indianos, quebrou a cara! Parabéns aos belgas…

  4. Sábia decisão. A probabilidade indica que quem comprou Typhoon, Gripen ou Rafale hoje estará, daqui há 20 ou 25 anos, com vetores desatualizados e precisando de substituição ou complementação por aeronaves de 5ª geração, principalmente em cenários geopolíticos mais "quentes", como a própria Europa com a Rússia ao lado.

  5. Disse num comentário anterior, a Suécia está cercada de F35, interessante ahah

  6. Haverá sentido em manter os F-16B de treinamento?

    Interessante que o país possui duas grandes e fortificadas bases aéreas, que serão os prováveis lares dos F-35, estratégicas por décadas. E vive a tempos uma disputa judicial com o Google por causa das imagens de satélite que devassam as instalações. Século XXI…

  7. Reação da França a escolha do F-35 para reequipar sua aviação de caça e dor de cotovelo. Rafale é + caro e brilha no radar e o Thyphonn da Airbus é o mesmo. Governo belga fez o certo!

  8. Já estou imaginando os F-35 nas FACH. Quanto a Bélgica, achei um movimento arriscado, e corajoso, uma vez que em Bruxelas fica o Parlamento Europeu, e o núcleo da Zona do Euro. Acho que Alemanha, França, Itália, e Espanha não devem ter gostado do sinal, da direção dado por Bruxelas, mas como diz o ditado, amigos amigos, negócios a parte. Gosto mais do F-35 como plataforma de combate, de sua capacidade de somar e gerenciar os dados de seus sensores e de rede do que sua capacidade furtiva, que pode ficar obsoleta muito rapidamente. Boa escolha da Bélgica deixando de lado a famosa escolha política, que tantos defenderam no FX2. Lá Bruxelas deu as costas pro político e baseou sua escolha nos aspectos técnicos, operacionais e econômicos.

    • Um país cercado por amigos fez uma escolha técnica, enquanto a bananalandia prefere o caminho corrupto-etilico-eleitoreiro.

      Toda sorte de grupos criminosos, guerrilheiros e regimes ditatoriais controlam nossas fronteiras.

  9. "O F-35 aparece como a melhor relação qualidade-preço. A oferta do F-35 foi a mais interessante. Eu teria ficado feliz se os franceses tivessem feito uma oferta, mas até hoje eu ainda não sei qual é o preço do avião francês. Quando compro um carro, antes de assinar o formulário de encomenda, quero saber qual é o preço",

    Primeiro-ministro belga ao justificar a escolha pelo F-35.

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