O KC-390 da Embraer será um dos focos da fabricante brasileira após fusão da área comercial com a Boeing.

A Boeing e a Embraer continuam avançando com sua parceria comercial, com a fusão programada para ser finalizada no final de 2019.

Sob o acordo multinível, a nova joint venture Boeing Brasil – Commercial (BBC) será majoritariamente controlada pela Boeing. Um segundo empreendimento, de propriedade majoritária da Embraer, terá como foco promover e desenvolver o transporte aéreo KC-390. Finalmente, a Embraer continuará a manter suas operações de jatos executivos, que atualmente estão focadas na produção das famílias Legacy e Praetor de aeronaves executivas.

Embraer E195-E2 “Profit Hunter”.

A formação da BBC foi uma resposta direta à formação de joint venture rival, majoritariamente liderada pela Airbus, para assumir o programa Bombardier CSeries. Esse esforço, iniciado no final de 2017, tornou-se oficial em julho de 2018, quando a Airbus assumiu 50,01% de participação no controle do programa. O CSeries foi rapidamente renomeado como A220 depois da Airbus assumir o controle do programa.

A Boeing, por meio da BBC, usará suas operações de marketing e suporte para pressionar a família de E-Jets contra a renomada linha Airbus A220. Há muito pouca sobreposição competitiva entre a Boeing e as duas linhas de produtos da Embraer, consistindo apenas em alguma competição indireta entre o E195-E2 e o 737 MAX 7. Mais importante, a união permitirá um ataque amplo e abrangente à família Airbus A220, com o E190-E2 e E195-E2 desafiando a versão A220-100, e o 737 MAX 7 e 737 MAX 8 batalhando com o A220-300.

Depois que a BBC estiver em operação, a Embraer se concentrará nos jatos executivos, na MRO e na aeronave de transporte militar KC-390. No mercado de jatos executivos, a Embraer continua enfrentando alguns ventos contrários. Os baixos preços de aeronaves no mercado de pré-venda, juntamente com o petróleo barato, podem representar dificuldades nos esforços da empresa para aumentar as vendas.

Depois de estagnar em 2015, o mercado de jatos executivos inverteu-se nos anos que se seguiram. A redução das receitas do petróleo e as sérias desacelerações econômicas nos mercados emergentes da Ásia, América Latina e Rússia afetaram negativamente a demanda por tais aeronaves. Como resultado, a Embraer registrou vendas de US$ 5,07 bilhões em 2018, uma queda de 13% em relação aos US$ 5,84 bilhões registrados em 2017. A empresa registrou uma perda de US$ 178 milhões em comparação ao lucro líquido de US$ 263 milhões em 2018. A perda em 2018 foi devida a menos entregas de aeronaves comerciais e executivas.

Aviação Executiva

Agora, devido à melhoria contínua nas condições econômicas globais, ao aumento moderado dos preços do petróleo e ao retorno dos compradores norte-americanos a essa parcela do mercado, a demanda deverá subir em 2019 e 2020. No entanto, de acordo com a Previsão de Aeronaves Civis da Forecast International, uma pequena desaceleração de dois anos no período 2021-2022 é antecipada, com o crescimento da produção anual sendo retomada até 2027. Nesse período, a Embraer deve ficar em segundo lugar em termos de produção, atrás da Cessna e à frente da Bombardier.

Praetor 600.

Graças aos esforços anteriores de desenvolvimento, a Embraer está bem diversificada nesse mercado, tendo presença em sete dos oito segmentos do mercado de jatos executivos, conforme definido pela Forecast International. A linha de jatos executivos da empresa agora cobre cada segmento de mercado – da classe very light jet (VLJ) até a categoria de cabine grande e inclui um produto na classe de aeronaves corporativas configuradas. Esse posicionamento é útil no atual clima de negócios, pois uma forte demonstração em um setor pode ajudar a compensar os resultados mais baixos em outro.

O 300º Phenom 300 entregue.

Uma área que a Embraer quer expandir é o setor de manutenção, reparo e revisão geral (MRO). A empresa organizou uma nova divisão de serviços em 2017, que consolida as capacidades de serviço que foram espalhadas por suas diferentes unidades de negócios. O novo setor de Serviços Globais e Suporte é agora o foco de todas as ofertas MRO comerciais, executivas e relacionadas à defesa da Embraer. Com o apoio ao mercado de reposição sendo um importante gerador de receita, a nova operação deve poder crescer, graças a um portfólio ampliado e à redução de redundâncias operacionais. Com 2.000 aeronaves da Embraer em operação em todo o mundo, a empresa pretende capturar uma fatia maior dos serviços pós-venda do que no passado.

KC-390 da Embraer

Em seu terceiro mercado, defesa e segurança, a Embraer completou seus marcos finais em 2018 com a produção inicial do KC-390 fazendo seu primeiro voo no início de outubro. No final daquele mês, o KC-390 recebeu a certificação final da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), autoridade brasileira de aviação civil. Atualmente, a Embraer também possui cartas de intenção (LOI) para 38 KC-390 e está em processo de conversão para pedidos firmes. Pelo menos inicialmente, a Embraer pretende construir cerca de 10 KC-390 por ano.

O primeiro KC-390 da FAB deve ser entregue em breve.

O governo brasileiro estimou que até 300 KC-390 poderiam ser vendidos no mercado de exportação em um período de 20 anos. Nos próximos anos, os clientes em potencial para a aeronave serão encontrados entre as operadoras que estão procurando substituir os antigos C-130, um grande número dos quais permanecem em operação em todo o mundo. As vendas também podem ser impulsionadas pela próxima criação de uma joint venture com a Boeing que visa promover e desenvolver novos mercados para a aeronave.

Gripen para o Brasil

Em 2015, a Saab e a Embraer assinaram um acordo que estabeleceu uma parceria para a gestão conjunta do projeto F-X2 para a Força Aérea Brasileira. O acordo concluiu mais de um ano de negociações após a seleção brasileira do caça Gripen NG para o contrato em dezembro de 2013. Sob o plano de fabricação do Gripen NG – denominado F-39 no Brasil – a Embraer receberá um pacote significativo de transferência de Saab. A empresa também estará ativamente envolvida na finalização do projeto de aeronaves monoposto F-39 e desenvolverá com a Saab a variante F-39 de dois lugares no Brasil. Uma linha de produção foi estabelecida na unidade industrial de Gavião Peixoto da Embraer. As entregas dos 36 Gripen NGs da Força Aérea Brasileira estão programadas para começar em 2019 e serem concluídas em 2024. Aproximadamente 10-15 aeronaves serão montadas no Brasil pela Embraer.

Mock-up do Gripen NG em Gavião Peixoto. (Foto: Evandro Giordani / Cavok)

Finalmente, a Embraer tem expandido ativamente sua presença global com instalações em países importantes em todo o mundo. Atualmente, a sua presença global inclui a sua sede no Brasil, bem como operações nos EUA, México e Portugal. Essas instalações incluem não apenas centros de treinamento e serviços de pilotos, mas também operações de fabricação de jatos executivos. Por exemplo, nos EUA (Melbourne, Flórida), a empresa monta aeronaves Phenom 100 e 300 (e recentemente adicionou o Legacy 450 e 500), enquanto em Portugal, a fábrica de Évora fabrica asas. Essa dispersão geográfica ajuda a proteger a empresa das flutuações da moeda única. Talvez mais importante, essa diversidade muda a mentalidade de que a Embraer é simplesmente “uma empresa brasileira” e reforça sua posição como uma empresa aeroespacial internacional.


Fonte: Forecast International

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2 COMENTÁRIOS

  1. KC390 precisa de escala para atrair novos compradores. A resposta está no transporte civil de cagas. Até 2020 a maioria da frota dos atuais aviões de carga existentes estarão bem envelhecidas e precisando ser trocadas. A maioria são conversões de aeronaves de passageiro, não foram concebidos para carga. Os que foram Engenheirados para cargas são somente 4, segue a capacidade de carga, A330-200F (65 t ), 767-300F (40t), 777F (102 t), 747-8F (137 t). Uma versão C390 alongada, e sem o peso da estrutura para pousos em pistas rusticas, é urgente. Espero estar no pipeline da EMB, imagine uma versão com capacidade para 32 a 35 t mas com preço pela metade de um B767-300F. Veja mais desta reportagem de quarta-feira passada (em inglês) https://simpleflying.com/cargo-aircraft-shortfall

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