Os fabricantes de aeronaves militares japonesas não estão interessados em permanecer no setor de aviação, já que Tóquio compra cada vez mais equipamentos de aviação militar dos Estados Unidos.

Embora haja poucas perspectivas de que os consumidores japoneses comprem carros americanos suficientes para agradar Donald Trump, o gasto recorde do governo do Primeiro-Ministro Shinzo Abe com a Defesa está se configurando como um ponto positivo no comércio bilateral para o presidente dos Estados Unidos.

As compras do Japão pelo programa de Vendas Militares Estrangeiras (foreign military sales – FMS) dos EUA representam 16% de todos os custos (somente equipamentos) para as forças de autodefesa do país neste ano, mais que o dobro de 2014, segundo cálculos da Bloomberg baseados em dados do governo.

Planos para comprar radares avançados, caças furtivos e sistemas de defesa antimísseis nos próximos anos significarão bilhões de dólares para os fabricantes de armas dos EUA. As empresas japonesas, que já lutam para competir, não se beneficiam tanto porque a a tecnologia nacional é mais cara e o governo do primeiro-ministro Shinzo Abe quer obter mais retorno do investimento.

Durante uma visita a Tóquio em novembro passado, Trump pediu a Abe que comprasse “enormes quantidades de equipamento militar” dos EUA. Mesmo sem o incentivo para aliviar o atrito comercial, o Japão já era um bom consumidor, enquanto Abe elevava os gastos de defesa para um recorde de US$ 47 bilhões neste ano fiscal para combater tanto a Coréia do Norte, armada com armas nucleares, quanto a China mais agressiva.

Kawasaki C-2

Para consternação de Trump, o Japão comprou apenas US$ 533 milhões em novos veículos de passageiros dos EUA em 2017, enquanto os americanos compraram US$ 39,8 bilhões em carros e caminhões japoneses. Fora da esfera militar, o Japão buscou aumentar as compras de energia, como o gás natural liquefeito, para aplacar os EUA. As maiores importações dos EUA em 2017 foram produtos agrícolas, produtos químicos e maquinário.

A preferência pelo equipamento dos EUA ajuda as forças armadas de ambos a trabalharem de forma mais suave, mas a compra de sistemas de armas americanos não gera empregos para fabricantes de peças locais e os levará à falência, segundo Naohiko Abe, vice-presidente da Mitsubishi Heavy Industries Ltd., a maior empresa de defesa do Japão, que produz aviões de combate, helicópteros, navios, mísseis e outras armas.

Embora haja pouca ameaça à produção doméstica de navios de guerra, os custos são um problema especialmente para as aeronaves.

Um comitê do Ministério das Finanças recomendou a mudança para o avião de carga C-130 J30 fabricado pela Lockheed Martin, que, embora seja mais lento e com um alcance menor, custa menos da metade do C-2 produzido localmente. O Japão vai comprar dois C-2 da Kawasaki Heavy Industries neste ano fiscal, depois de comprar três no ano passado.

O Japão está comprando novos caças F-35A para substituir seus velhos aviões. O próximo campo de batalha para os fabricantes nacionais será quem produzirá o jato de combate para substituir o F-2, o último caça produzido domesticamente.

Mesmo antes do final da produção do F-2, em 2011, os fornecedores estavam fugindo dos negócios de defesa. A Sumitomo Electric Industries começou a encerrar seus negócios com o Ministério da Defesa em 2007, citando uma perspectiva de baixo crescimento, e em 2010, a Yokohama Rubber Co. deixou de fabricar pneus de avião para o ministério. Em 2016, 52 das 72 empresas fornecedoras do setor disseram que viram fabricantes de peças desaparecerem e causarem interrupções, de acordo com uma pesquisa do ministério.

O F-2 começará a ser retirado de serviço a partir de 2030, e empresas como a Mitsubishi Heavy e a IHI Corp. desenvolveram o X-2, um jato demonstrador de tecnologia avançada, para mostrar que um caça substituto poderia ser construído internamente. “O Japão deve assumir a liderança do desenvolvimento para que a indústria doméstica sobreviva“, disse a Mitsubishi Heavy.

O voo de teste de sucesso do jato em 2016 mostrou que a indústria nacional é plenamente capaz de desenvolver um substituto, mas a Jiji Press informou em março que o Ministério da Defesa havia descartado um jato produzido internamente, alegando altos custos.

Enquanto o ministro da Defesa, Itsunori Onodera, negou os relatos da mídia, o ministério está procurando desenvolver o plano em conjunto com empresas estrangeiras. A Reuters informou recentemente que o governo emitiu RFIs para fabricantes nos EUA e na Europa.

Masahiro Matsumura, professor de relações internacionais e defesa da Universidade de St. Andrew, em Osaka, disse que o problema é que, sem a produção em massa, a compra de equipamento militar japonês é como comprar itens artesanais feitos à mão.

Alguns políticos do Partido Liberal Democrata (LDP) querem que os gastos com a defesa priorize as empresas nacionais. Kenji Wakamiya, diretor da divisão de defesa nacional do LDP, disse em maio que era importante apoiar as empresas domésticas e ajudá-las a se tornarem competitivas contra concorrentes estrangeiros.

Um comitê do PLD também recomendou que Abe aumentasse ainda mais o orçamento de defesa, já que ainda representa menos de 1% do produto interno bruto, bem abaixo dos 2% que a Organização do Tratado do Atlântico Norte estabeleceu para seus membros.

A fim de reduzir os custos, Wakamiya quer que o Japão exporte seus equipamentos militares para que a produção aumente, mas até agora houve pouco sucesso.

Além do custo, limites rígidos na divulgação de informações atrapalham a realização de negócios, segundo Takashi Yoshimura, diretor do departamento de tecnologia industrial do maior lobby de negócios do Japão.

As empresas de defesa “estão rangendo os dentes e seguindo em frente com um senso de missão“, disse ele, acrescentando que “seus esforços estão chegando ao limite“.


FONTE: Bloomberg

11 COMENTÁRIOS

  1. Que piada! Só agora, depois de 70 anos, os nipônicos descobriram que a aliança ocidental liderada pelos EUA, os considera, assim como seus 'parceiros' como a Europa, Canadá, Austrália e o próprio Japão nada mais do que submissos servos do senhorio americano? Que na área da defesa, a indústria bélica norte-americana manda e desmanda? Kkkkkkk, chega a ser hipócrita o chororô japonês!
    Países soberanos, na verdadeira acepção da palavra 'soberania', no mundo, só há 3: China, EUA e Rússia. O resto, como diria o Kiko do Chaves são…'gentalha, gentalha!' Kkkkkkk

    • Acho que você não leu a matéria na íntegra.O fato é que a indústria bélica japonesa, que também está constitucionalmente impedida de exportar, possui custos muito elevados o que encarece as aquisições. Por outro lado o Japão precisa manter forças armadas relativamente grandes e poderosas tendo em vista a vizinhança complicada e mais recentemente a agressividade e o expansionismo chinês. Então a coisa passa a ser eminentemente econômica o que favorece a aquisição de equipamento produzido nos EUA afinal, do que adianta comprar apenas equipamento produzido no Japão se ao final haverão soldados chineses, russos ou norte-coreanos marchando nas ruas de Tóquio?

      Ademais esse papinho de "malvada aliança ocidental que considera todo mundo servos submissos" é coisa de Centro Acadêmico, coisa de garoto mimado que ganha mesada e carro do papai e quer fazer "revolução". Por fim, é fácil defender autocracias e regimes totalitários em uma democracia, quero ver você defender um Estado Democrático na Rússia ou na China….

    • A Europa é gentalha submissa? Porque projetaram e usam Rafale, Thypoon, Gripen, Tornado, etc ao invés de usarem caças dos EUA, russos ou chinos, que para você são os únicos soberanos, seja lá o que for que você entenda por isto? A reportagem é clara ao apontar.os custos bem mais altos dos equipamentos japoneses como a causa do problema, mas este tipo de comentário "juventude socialista" não analisa os fatos, só esbraveja conceitos obtusos.

  2. Os custos dos projetos militares sobem exponencialmente. Um caça hoje vai de 20 a 40 bilhões.

    O pessoal aqui acreditou que a Saab fosse entregar a tecnologia do Gripen por uma compra de 36 caças. Chega a ser piada.

    Se tivesse que optar por salvar setores, eu manteria a indústria naval. Quanto a aeronáutica, acaba sendo inevitável comprar um caça estrangeiro. Contudo armas, software e aviônica nacionais.

    • Revolucionário de centro acadêmico, que defende ditadura do proletariado usando Iphone e carro dados pelo papai, é isso aí meu amigo…..

      • Acho que ele está se referindo ao custo de projetar e desenvolver um caça, que é por aí mesmo em bilhões. O preço que você citou por unidade não compra nem um 4G sem armamentos.

  3. Olha o que dá a sovinice…

    O caminho parece ser propor sociedades em projetos internacionais (demorou) e exportar o que puder (demorou mais ainda), mas parece que esses caras são tão inteligentes quanto moles, pedem autorização até para ir ao banheiro e só abaixam o braço quando ouvem o "hi" do tio — Sam.

    Sem isso, continuarão na dependência (era pra esses caras estarem íntimos da Dassault, da Saab, da Rolls Royce, da TAI, da PT Dirgantara, da Aero Vodochody, da Taqnia, da venda do seu Zé da esquina etc há décadas, não só para desenvolver parafusos, mas para se enturmar)…

  4. A "Bichubishi" e as outras deveriam procurar parcerias de vendas de seus produtos de defesa (Os liberados pelo EUA) para mercados como o Sulamericano e Africano. Claro, fazer produtos nos quais tenham preço razoável e de qualidade. Mesmo que sejam vendidos aos poucos mas, diminuiria a dependência gigantesca das empresas japonesas a seu próprio país… Com o governo comprando tanto dos americanos sem sequer ter a devida consideração com os empregos dos japoneses nessa área. Já poderiam fabricar sistemas para os mercados emergentes… Talvez ajudariam a diminuir o descontentamento e o paradeiro quase que total de sua industria bélica !

    • Preço depende de escala, escala no caso japonês dependem de alterações nas leis japonesas. Qualidade com certeza devem ter.

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