Cálculos errados podem afetar o desempenho e a segurança da aeronave C919.

Erros matemáticos durante o projeto e falhas técnicas estão atrasando ainda mais o C919.

Há quase 12 anos, a China, com a intenção de ingressar na indústria aeroespacial e competir com a Boeing e Airbus, estabeleceu uma nova entidade estatal conhecida como Corporação Comercial de Aeronaves da China – ou COMAC, abreviando.

A empresa estabeleceu a meta de um voo inaugural para o seu jato de passageiros de estreia, o C919, em 2014, com produção e entrega nos próximos anos.

Após uma série de atrasos, o C919 decolou pela primeira vez em 2017, e as autoridades chinesas esperavam terminar os testes, iniciar a produção e começar a fazer entregas até o final deste ano.

Em vez disso, a Reuters informou esta semana que a empresa completou menos de um quinto das horas de voo necessárias para a aprovação do regulador de aviação civil da China, ou 20%, e que a corporação agora está olhando entregas, em 2021 ou 2022, na melhor das hipóteses.

Pelo que a Reuters escreveu, a COMAC ainda não enviou os cálculos corretos à General Electric e à Safran. A fabricante do motor precisa das informações corretas para garantir que os motores possam lidar com cargas pesadas, o que pode exigir o reforço do motor e da carcaça.

Uma das fontes da Reuters disse à organização internacional de notícias que “as coisas nem sempre funcionam como planejado, mas espero que o COMAC diminua um pouco e tente não apressar as coisas, caso contrário, haverá muitos problemas mais tarde”.

Questões anteriores incluíam rachaduras nos estabilizadores horizontais e gearboxes dos jatos de teste (que obrigaram os motores a desligar durante os vôos de teste), além de inspeções que descobriram rachaduras e vazamentos de óleo.

O relatório observou que os promotores federais em 2018 descobriram um esquema das autoridades chinesas para espionar 13 fabricantes aeroespaciais globais, incluindo a Airbus.

Até o momento, seis aeronaves C919 participam dos voos de testes.

Projetado para acomodar até 168 passageiros, o C919 já tem pedidos de 20 clientes. Embora o preço do jato ainda não tenha sido divulgado, acredita-se que seja cerca de 30% menor que o preço de um Airbus A320neo ou Boeing 737 MAX.

Analistas disseram que as questões sublinham a inexperiência da COMAC na aviação comercial, mas alguns também observaram que o atraso contínuo não é necessariamente um problema para a empresa – mesmo que ela perca pedidos durante a atual alta do mercado. Afinal, eles disseram, o governo da China pode simplesmente direcionar suas próprias companhias aéreas para comprar os jatos da COMAC assim que estiverem prontos.

Anúncios

1 COMENTÁRIO

Comments are closed.