No ano em que o Mundo celebra o 50.º aniversário da Apollo 11, vale lembrar os desbravadores que completaram a mesma missão com uma ordem crítica: não pousar na lua.

Em breve o Mundo – e especialmente os EUA – reconhecerá o 50.º aniversário dos primeiros Humanos a caminhar na lua.

Lembramos e celebramos o heroísmo da tripulação da Apollo 11: a humildade de Neil Armstrong fazendo as primeiras pegadas; a seriedade de Buzz Aldrin durante os momentos críticos da descida final do módulo lunar Eagle; e a vigília solitária de Michael Collins em órbita acima de seus companheiros, esperando para trazê-los de volta para casa.

Mas também precisamos celebrar os muitos desbravadores que tornaram possível essa missão histórica. Entre os mais críticos estavam a tripulação da Apollo 10, que foi convidada a realizar um ensaio completo da missão Apollo 11 apenas dois meses antes. Comandante Thomas P. Stafford; John W. Young, piloto do módulo de comando; e Eugene A. Cernan, piloto do módulo lunar, fez quase tudo que Aldrin, Armstrong e Collins fizeram, mas pararam pouco antes de aterrissar na lua.

Da esquerda, Eugene A. Cernan, piloto do módulo lunar; John W. Young, piloto do módulo de comando; e Thomas P. Stafford, comandante, em 1968.

Imagine se Ferdinand e Isabella tivessem enviado um navio para o Novo Mundo em 1491 e pedido a seu capitão e tripulação que encontrassem novas terras a oeste sem sair do navio para pisar nelas, porque o próximo capitão e a tripulação deveriam fazer em 1492.

Parece irreal ir por todo esse caminho, correr todos esses riscos e depois recuar, não colher as recompensas. Em certo sentido, porém, essas eram as instruções, e esse era o peso da tripulação relativamente desconhecida da Apollo 10, cinquenta anos atrás.

Impulsionada pelo discurso do presidente dos EUA John F. Kennedy em 1961, desafiando a nação a “comprometer-se a atingir a meta, antes que esta década acabe, de pousar um homem na Lua e trazê-lo em segurança para casa“, a NASA prosseguiu por 8 anos numa corrida lunar. Este empreendimento arrojado empregaria cerca de 500 mil engenheiros, técnicos, cientistas e outros, tanto no governo quanto na indústria. Também custou a vida de três astronautas heróicos – Gus Grissom, Ed White e Roger Chaffee – que morreram no incêndio de 1967 da Apollo 1.

Voos sucessivos da Apollo tiveram que se tornar mais seguros e mais ousados ao mesmo tempo para cumprir o prazo de Kennedy. Atrasos na conclusão do módulo de pouso lunar, também conhecido como Módulo de Excursão Lunar, significou que a Apollo 8 seria a primeira missão lunar tripulada a pilotar apenas o módulo de comando, a partir da qual a famosa foto da Terra nascendo de 1968 foi tirada. Coube à tripulação da Apollo 9, em março de 1969, fazer a primeira missão de teste do módulo no Espaço, passando 10 dias na órbita da Terra.

O palco estava montado para um ensaio completo da próxima tripulação até a plataforma de lançamento. Todos os oficiais da Apollo 10 ganharam asas de astronautas durante o Projeto Gemini, precursor da NASA para a Apollo. Sua missão a bordo era simples: Praticar e resolver as dificuldades e preparar o terreno para um pouso bem-sucedido na Lua (e um retorno seguro à Terra).

Mas havia uma ordem crítica: não pousar na lua.

Seria a primeira vez que o módulo lunar voaria no ambiente para o qual foi construído. Todos os riscos que eles correriam para provar os equipamentos e procedimentos – lançamento; acoplagem orbital na órbita da Terra; a viagem de três dias da Terra à Lua; entrada na órbita lunar; descida do módulo, apelidado de Snoopy, quase à superfície; subida e re-acoplagem; mais três dias de volta à Terra; reentrada e amerissagem no Oceano Pacífico – foram os mesmos riscos que a tripulação da Apollo 11 teria que enfrentar, com uma distinção. Um pouso na lua não era para acontecer.

Eles executaram o ensaio sem falhas. Enquanto Young circulava acima deles no módulo de comando e serviço apelidado de Charlie Brown, Stafford e Cernan acionavam o motor do módulo e desciam em direção ao local de pouso nas planícies vulcânicas, escuras e suaves do Mar da Tranquilidade.

Eles acabariam chegando com o módulo a apenas 14,3 km acima da superfície, perto o suficiente para testar o radar de pouso, numa altitude máxima das aeronaves comerciais que sobrevoam a superfície da Terra. Enquanto transmitiam suas reações e perspectivas de volta a Young a bordo do Charlie Brown, Cernan gritou: “Oh Charlie! Acabamos de ver a Terra e isso é magnífico!

A visão da gritante paisagem lunar abaixo deles daquela altitude, marcada por bilhões de anos de crateras de impacto, era tão impressionante para a tripulação. As transcrições de suas conversas revelam que eles não tinham muito tempo livre para admirá-lo, dada a intensa concentração (e ocasional reparo por falhas no computador) necessária para voar no Snoopy.

Ainda assim, em determinado momento, Stafford comentou: “Parece que estamos chegando tão perto que tudo o que você tem a fazer é colocar o gancho da cauda para baixo e estamos lá”. Cernan ficou tão empolgado quanto, exclamando:”Isto é assim!

Tirando fotos pela janela e pegando muitos passos – eles são um caso de sucesso, Stafford proclamou: “Diga a Jack Schmitt” – referindo-se a um colega geólogo-astronauta e futuro andarilho da Apollo 17 – “que aqui há pedras suficientes para encher Galveston Bay¹!

O que passou pela cabeça deles quando Houston finalmente enviou a ordem para disparar o motor de subida e voltar para cima? Deve ter sido tão tentador continuar com o pouso. Cernan estava melancólico: “A espaçonave está boa e não há problemas, Charlie, exceto que seria bom estar por aqui mais vezes…

Mas o Snoopy não tinha combustível suficiente para aterrissar na Lua e depois decolar novamente. De acordo com Craig Nelson, autor do livro “Rocket Men”, Cernan especulou que o módulo de subida tinha sido propositadamente abastecido com combustível insuficiente: “Muitas pessoas pensavam sobre o tipo de pessoas que éramos: Não dê esses caras uma oportunidade de pousar, porque eles podem!

Dois meses depois, enquanto o mundo inteiro olhava, passos humanos foram enfim deixados na superfície poeirenta da lua por Neil e Buzz.

A disposição da tripulação da Apollo 10 de servir como substitutos em vez das estrelas do show seria, com o tempo, generosamente recompensada pela NASA.

A tripulação da Apollo 11 interroga a tripulação da Apollo 10 após o voo da 10.

Young desceu até a superfície da lua como comandante da Apollo 16 e, mais tarde, comandou o primeiro voo do Ônibus Espacial. Cernan também chegou à superfície como o comandante da Apollo 17 em 1972, e detém o título de ser a última pessoa a ter andado na lua.

Embora Stafford nunca mais tenha voltado à Lua, ele foi o comandante do Projeto Apollo-Soyuz em 1975, atracando com os homólogos soviéticos na órbita da Terra.

Nos anais da história, a missão da Apollo 10 foi ofuscada pelas viagens posteriores à superfície lunar. Mas os astronautas da Apollo 10 foram pioneiros e sua história acrescenta riqueza e humanidade à história da corrida à lua. Suas conquistas e os riscos que eles tomaram para ajudar os Estados Unidos a vencer merecem ser lembrados e celebrados.


Com informações do New York Times


¹ Estuário no litoral do Texas, Estados Unidos, com uma área de cerca de 1500 km²

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29 COMENTÁRIOS

  1. Se tem aqueles dizem que a Terra é quadrada, os que se negam a acreditar que o homem chegou realmente na Lua, tem os que dizem que a Apollo 10 deveria ter pousado, mas falhou…

    • Sim claro, hoje a NASA não tem capacidade de pousar na lua em menos de 10 anos, mesmo sem teto para gastos. Mas na década de 60 com menos tecnologia que uma TecPix, pousaram na lua…

      Eu sinceramente fico me perguntando como que tem seres humanos que acreditam nestas historias de conta de fada.

      • Qual a tecnologia a Nasa não dispunha na década de 60 necessária para um pouso na lua?

        • Eu que te pergunto, que tecnologia ele tinha em 1969 e não tem hoje? Talvez o super mega ultra computador dela? Ah não, era uma inferior a uma calculadora de hoje em dia…

          Será que vocês não tem inteligencia para entender isso? HOJE ELES NÃO CONSEGUEM, MAS EM 1969 CONSEGUIRAM? ME EXPLICA? POR GENTILEZA? Como que acontece uma proeza dessas?

          Isso é fanatismo, é tão alarmante quanto a os seguidores de um 9 dedos ai, que tem pilhas de provas e dizem "cade as provas".

          Isso se chama, FANATISMO!

          • Não respondeu.

            O programa Apollo era caríssimo. Não há recurso natural na lua. Os EUA iam ficar mandando missões lá pra quê? Pra passear?

            Aquela mania de falar do que não se entende.

            A ignorância é tanta que não sabe que os computadores estavam no controle de missão. O computador de bordo é só navegação e integração de sistemas.

            Joga aí IBM 360 no Google. Um monstro que durou décadas e foi lançado em 1964.

            Com relação ao computador embarcado. Em 1970 voou o F14, o primeiro caça computador. Em espaço menor, fazia a mesma coisa que o embarcado da missão Apollo.

            • Vamos mandar a Apollo 327 para ir a lua catar pedras inúteis iguais as que existem na terra para agradar os malucos da internet.

              Ou

              Vamos explorar a órbita terrestre e ganhar vantagem comercial e militar.

              Que escolha difícil.

            • Como eu disse FANATISMO! Vou desenhar para você!

              Há poucas semanas atrás, foi divulgado um relatório que seria IMPOSSÍVEL a NASA dar uma simples volta na orbita de Marte até 2033. MESMO COM O ORÇAMENTO ILIMITADO!

              1969 "Pousamos na Lua em menos de 10 anos"
              2019 "Não podemos dar uma voltinha em Marte, mesmo com dinheiro ilimitado"

              Tu está fazendo uma salada de frutas, parece os esquerdistas se perdendo e se contradizendo em seus próprios discursos.

              Tu quer mesmo, comparar um computador de um F-14 com da missão Apolo? Então quer dizer que se eu colocar uma TecPix em uma nave eu posso ir a Jupiter?

              • Não respondeu.

                Marte é um planeta.

                A lua é um satélite natural.

                Já expliquei. O computador estava no controle de missão.

                O computador de bordo é para navegação e integração.

                É possível se pousar na lua sem computador de bordo.

                Qual parte o gênio não entendeu?

                • Discutindo exploração espacial com um cidadão que compara lua com planeta.

                  Maravilhas da internet.

                • Ter que explicar que a distância é maior, que a gravidade é maior e que Marte tem atmosfera é dose.

                  Aí como convencer o congresso a gastar bilhões para fazer a mesma coisa que uma sonda faz sem colocar vidas em risco.

                • O computador de bordo de um F14 faz exatamente a mesma coisa que o computador de bordo da missão Apollo.

                • Difícil é discutir com um cidadão que acha que em 1969 pousamos na Lua, mas até 2033 mesmo com orçamento ilimitado, não se consegue dar uma volta em Marte.

                  E essa historia que voltar a lua não faz sentido é FURADA, pois a NASA e SpaceX estão querendo voltar lá e não acredito que nenhuma arvore tenha crescido lá desde 1969.

                  Fala isso que a Sonda faz tudo que um ser humano faz, para a NASA e SpaceX que querem colonizar Marte e voltar a Lua.

                • Estar querendo não é o mesmo que fazer.

                  Querer, querem faz tempo.

                  Pena que ninguém quer pagar.

                • Não respondeu pergunta alguma.

                  Qual tecnologia não estava disponível na década de 60 que inviabilizaria o pouso na lua?

                  Não consegue responder. Daí cria analogia maluca de satélite com planeta.

                • INÚMERAS! Não me lembro o número exatamente, mas as chances de pousar na lua, supostamente, eram bem baixas! Isso por só mostra o nível.

                  E se tu acha que em 1969 pousamos na lua, mas em 2033 não podemos dar uma volta na orbita de marte…tu é um FANÁTICO!

                • Não sabia que Marte fica em outra galaxia.

                  É o mesmo que viajar de SP e RJ, e dizer que não pode viajar de SP a POA.

                  Enfim, não perderei mais meu tempo com um fanático do espaço.

                • Mais uma comparação absurda.

                  Não tem a menor ideia do que está falando.

                  Não gosto e não tenho interesse por exploração espacial.

          • a verdade que nao ha vontade politica de gastar bilhoes de dolares de imediato para ir na lua
            nao ha lucro nisso nem politico como economico
            e antes que diga que sou fã incondicional foram os russos que confirmaram isso (no tempo da guerra fria)

            • Fica difícil explicar para o pagador de impostos a extração de pedras por bilhões de dólares.

              • Vc matou a charada: os soviéticos não perderam tempo indo coletar pedras gastando trilhões de rublos rs

                • Com certeza, por isso a URSS venceu a guerra fria.

                  A viagem a lua foi uma demonstração de poderio financeiro.

        • Já que meu post foi a origem de muitas bobagens aqui escritas, vou ter que clarear algumas coisas.
          O fato de querer analisar fatos históricos fora do contexto da época em que estavam inseridos desvirtua completamente o debate. Naquela época os EUA vinham perdendo a corrida espacial p/ os russos há anos, era uma ferida no orgulho americano, conquistar o maior troféu que era a chegada do Homem na Lua era algo imprescindível p/ o prestígio da nação economicamente mais poderosa do Globo. Isso determinava que eles estariam dispostos a gastar fortunas e correr riscos que não podiam ser realmente calculados, pois nunca se tinha feito algo tão desafiador. A tecnologia não era suficientemente desenvolvida e testada p/ os parâmetros de segurança e racionalidade de custos que temos hoje ou quando não há uma urgência em se alcançar o objetivo. Para se ter uma ideia do pioneirismo, foi p/ a missão Apollo que foi criado o algoritmo p/ que o computador processasse informações por ordem de prioridades, pois na época não tinham capacidade de executar muitas tarefas ao mesmo tempo e ele simplesmente entrava em pane.
          Os motores F-1 do 1º estágio do lançador Saturn-5 queimavam querosene, que certamente não era a melhor opção em termos de eficiência energética, mas que era o menos arriscado do ponto de vista de desenvolvimento p/ ficar dentro do cronograma do programa – p/ se ter uma idéia os 5 tinham um total de 75 milhões de libras ( 3.400t ) de empuxo, e consumiam quase 13t de propelente por segundo! Mal comparando é como compararmos motores automotivos antigos que c/ mais de 5l de deslocamento geravam só uns 200HP, coisa que pode ser feita hoje c/ motores c/ ¼ desse deslocamento.
          Para os curiosos segue um link de um documento do site do MIT de 1967, muito bem detalhado sobre o foguete: http://web.mit.edu/digitalapollo/Documents/Chapte
          Outro ponto que não estão levando em conta é o fator corpo técnico que era gigantesco, que além da NASA abrangia diversas universidades, institutos como o MIT, várias empresas de alta tecnologia e por aí vai. Não tem como se conseguir um exército desse da noite p/ o dia.
          Dizer que se algo foi feito no passado, podemos fazer hoje sem problema, é uma simplificação perigosa. Os romanos criaram um concreto que endurecia debaixo d’água e ficava mais forte c/ o passar do tempo, nem por isso vemos essa tecnologia hoje.

          • Na mesma época, vários projetos de engenharia, como o 747 e o SR71, foram feitos.

            Mesmo com a tecnologia atual, seriam difíceis de serem replicados.

            Os americanos colocaram todos os recursos na conquista da lua, o que não se repetirá tão cedo.

          • soh para ficar claro, quem eu disse que esta de piada eh o outro ali que respondeu dizendo que o homem nao chegou na lua.

            • Eu entendi, só que o seu era o último comentário postado, por isso os meus ficaram como resposta ao seu. Abs.

  2. Daquela vez ficaram só no cheirinho..
    Brincadeiras a parte, a despeito de toda a importância dessa missão para a efetiva descida na lua e etc, é meio óbvio que seria esquecida em troca da Apollo 11..
    Além disso é forçação de barra mais ou menos como querer que se lembrem quem foi o 2° lugar dos 100m livres da olimpíada de 1964 por ex..
    Mas enfim, legal a história até pq no final tiveram a recompensa pela obediência.

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