Nem soviéticos, nem americanos. A China será o primeiro país a explorar o lado oculto da Lua.

O programa lunar chinês tem três etapas e cada etapa é composta por duas naves. Primeiro a etapa de módulos orbitadores, com as Chang’e 1 e 2, segundo com os módulos de pouso, com as Chang’e 3 e 4 e depois com os módulos de retorno de amostras, Chang’e 5 e 6. A Chang’e 3 pousou em 2013 e liberou o jipinho Yutu. Infelizmente o simpático jipe não durou muito, ao que parece os seus painéis retráteis emperraram e impediram um isolamento térmico eficiente para os instrumentos e eles acabaram pifando.

Agora é a vez da Chang’e 4. Mas as informações são escassas.

Tanta cautela tem uma explicação simples; trata-se do programa espacial chinês, ou seja, o mundo – e a comunidade científica – sabe apenas aquilo que o governo chinês quer que o mundo saiba. E quando eles quiserem que o mundo saiba.

De acordo com a parte do programa espacial chinês que foi divulgada recentemente, o lançamento da sonda Chang’e 4 será no próximo dia 07 de dezembro e tem como objetivo pousar no lado oculto da Lua.

A Lua está “travada” gravitacionalmente à Terra, ou seja, ela gira ao redor de nós mostrando sempre a mesma face. Desta maneira, o outro lado dela está permanentemente oculto. Ele também é chamado de lado distante, principalmente em inglês e se você pensou em lado escuro, se enganou. É claro que a Lua tem um lado escuro e na Lua Cheia ele é exatamente o lado oculto, mas ele não tem nada a ver com uma parte misteriosa da Lua, acessada apenas na década de 1960, inicialmente por sondas soviéticas.

A Chang’e 4 é um clone da sonda anterior, ou seja, um módulo de pouso e um jipe lunar, que deverão executar diversas medidas científicas. Essa será a primeira vez que um pouso no lado oculto será feito. As dificuldades para isso acontecer começam pelo óbvio, como essa face está constantemente oculta, não há como estabelecer uma ligação direta de comunicação com a Terra. Para resolver esse problema, a China lançou em maio deste ano o satélite Queqiao, para servir de ponte entre o comando da missão e o módulo de pouso.

O Queqiao, que em chinês significa uma espécie de corvo, está em uma órbita especial que permite enxergar simultaneamente a Chang’e 4 na superfície lunar e a Terra ao fundo. Junto com o Queqiao, partiram 2 microssatélites que também se direcionaram para o lado oculto, mas um deles falhou em estabelecer sua órbita e o segundo está em uma órbita de altura bem baixa e já enviou imagens.

O microssatélite carrega radiotelescópios para estudar o Universo em frequências incapazes de atravessar a nossa ionosfera. Além disso, ele utiliza a própria Lua para bloquear as transmissões de rádio da Terra que impediriam as observações. Por esses motivos nunca foram feitas observações nessas frequências e muita coisa interessante deve estar sendo descoberta!

Se tudo der certo, o pouso do módulo deve ocorrer no começo do ano que vem apenas. Tomara que dessa vez os chineses sejam um pouco mais generosos, liberando imagens desta missão fantástica!


FONTE: G1 Ciência e Saúde – Blog do Cássio Barbosa


NOTA DO EDITOR: A Rússia está ficando para trás com seu programa espacial. Ao que parece a nova nave destinada a substituir a Soyuz está “patinando”. Os EUA estão prestes a fazer voar o seu novo foguete SLS e a SpaceX, bem como outras empresas privadas, como a Boeing e a Lockheed, estão trazendo para a realidade veículos e tecnologias totalmente novas. A Índia está acelerando seu programa espacial para um voo tripulado. O programa espacial chinês está cada vez mais sólido e a probabilidade deles retornarem à Lua antes dos EUA é bem real.

31 COMENTÁRIOS

  1. Quem diria! Os chineses até bem pouco tempo atrás só sabiam fazer quinquilharias, mas fizeram o básico e necessário, investitam em escola, simplesmente assim. E o resultado está aí! Um colosso em todas as áreas!

    • Não é só questão de investir em escolas. O povo chinês (e os habitantes do Extremo Oriente em geral) são muito disciplinados. Mesmo que o Brasil tivesse as melhores escolas do mundo, o povo brasileiro não é adepto da disciplina, do estudo e do conhecimento.

      • O q não dá é ser alfabetizado por decreto de governos como vimos nos últimos 20 anos. Isso só serve para eleger governo populista. Então se quisermos ser grandes teremos que quebrar esse paradigma de que brasileiros não conseguem ser ou fazer.