Os engenheiros da sonda Voyager 2 da NASA estão trabalhando para retornar a missão às condições normais de operação depois que uma das rotinas de proteção autônoma da sonda foi acionada.

Várias rotinas de proteção contra falhas foram programadas na Voyager 1 e 2, a fim de permitir que a nave espacial tomasse ações automaticamente para se proteger, se surgissem circunstâncias potencialmente perigosas. No Laboratório de Propulsão a Jato (Jet Propulsion Laboratory – JPL) da NASA, em Pasadena, Califórnia, os engenheiros ainda estão se comunicando com a espaçonave e recebendo a telemetria.

Lançada em 1977, a Voyager 1 e a Voyager 2 estão no Espaço interestelar, tornando-as os objetos humanos mais distantes do sistema solar. No sábado, 25 de janeiro, a Voyager 2 não executou uma manobra programada na qual a sonda gira 360 graus para calibrar seu instrumento de campo magnético a bordo. A análise da telemetria da sonda indicou que um atraso inexplicável na execução a bordo dos comandos de manobra deixou inadvertidamente dois sistemas que consomem níveis relativamente altos de energia operando ao mesmo tempo. Isso fez com que a nave extrapolasse sua fonte de alimentação disponível.

A rotina do software de proteção contra falhas foi projetada para gerenciar automaticamente um evento desse tipo e, por design, parece ter desligado os instrumentos científicos para compensar o déficit de energia. Desde 28 de janeiro, os engenheiros da Voyager desativaram com êxito um dos sistemas de alta potência e ligaram os instrumentos científicos, mas ainda não retomaram a coleta de dados. A equipe agora está revisando o status do restante da espaçonave e trabalhando para devolvê-la às operações normais.

A fonte de alimentação da Voyager vem de um gerador termoelétrico de radioisótopo (radioisotope thermoelectric generator – RTG), que transforma o calor da decomposição de um material radioativo em eletricidade para alimentar a espaçonave. Devido à deterioração natural do material dentro do RTG, a capacidade de energia da Voyager 2 diminui cerca de 4 watts por ano. Em 2019, os engenheiros desligaram o aquecedor primário do instrumento do subsistema de raios cósmicos (cosmic ray) para compensar essa perda de energia e o instrumento continua a operar.

Além de gerenciar a fonte de alimentação de cada Voyager, os operadores de missão também devem gerenciar a temperatura de certos sistemas na espaçonave. Se, por exemplo, as linhas de combustível da espaçonave congelassem e quebrassem, a Voyager não seria mais capaz de apontar sua antena de volta para a Terra para enviar dados e receber comandos. A temperatura da sonda é mantida através do uso de aquecedores ou aproveitando o excesso de calor de outros instrumentos e sistemas de bordo.

A equipe levou vários dias para avaliar a situação atual principalmente por causa da distância da Voyager 2 da Terra – cerca de 18,5 bilhões de km. As comunicações que viajam na velocidade da luz levam cerca de 17 horas para chegar à sonda e são necessárias outras 17 horas para que uma resposta da sonda retorne à Terra. Como resultado, os engenheiros da missão precisam esperar cerca de 34 horas para descobrir se seus comandos tiveram o efeito desejado na espaçonave.


FONTE: JPL – NASA


NOTA DO EDITOR: A sala de comando das sondas é uma viagem no Tempo. Ainda hoje instrumentos de 1977 são mantidos como novos. Isso era o que havia de melhor na época, o ápice da tecnologia. Sem esses instrumentos “pré-mouse” e “touch-screen”, as sondas não podem ‘ouvir nem falar com o criador’…

Anúncios