A equipe terrestre da missão desligou um dos aquecedores da Voyager 2 para economizar energia.

As sondas Voyager da NASA ainda estão por aí, explorando o Espaço interestelar 42 anos depois de terem deixado o nosso planeta. Para mantê-las funcionando todos esses anos com geradores que são 40% menos poderosos do que eram décadas atrás – e que estão produzindo cada vez menos energia ao longo do tempo – a Agência teve que sacrificar algumas de suas peças e componentes. De fato, os gerentes da missão recentemente desligaram o aquecedor do instrumento de subsistema de raios cósmicos (cosmic ray subsystem – CRS) da Voyager 2 como parte de seu novo plano de gerenciamento de energia.

O sistema de raios cósmicos da sonda teve um papel fundamental na confirmação de que a Voyager 2 deixou a heliosfera em novembro passado e continua sendo útil até hoje. Uma vez que foi projetado para detectar partículas em movimento rápido tanto do sol quanto de fontes externas ao nosso sistema solar, ele continuou enviando dados de volta mesmo após entrar no Espaço interestelar.

É por isso que os gerentes mantiveram extensas discussões com a equipe de ciências antes de decidir desligar o aquecedor do instrumento, o que é necessário para evitar que congele. No final, todos decidiram que é o componente a ser sacrificado neste momento, porque o CRS só pode olhar em certas direções fixas. Felizmente, isso não significava morte instantânea para o instrumento de raios cósmicos. A equipe confirmou que está enviando dados de volta mesmo depois de sua temperatura ter caído para menos 58 ºC e apesar de ter sido testado em temperaturas que caíram apenas para menos de 9 ºC décadas atrás.

A gerente de projetos da Voyager, Suzanne Dodd, disse que é “incrível que os instrumentos da Voyager tenham sido tão resistentes“. Ela acrescentou: “Estamos orgulhosos por eles terem resistido ao teste do tempo. As longas vidas da espaçonave significam que estamos lidando com cenários que nunca pensamos que encontraríamos. Continuaremos a explorar todas as opções que temos para manter as Voyagers fazendo a melhor ciência possível“.

Como outro exemplo da necessidade das sondas de se adaptar às circunstâncias para continuar, a Voyager 2 ativou seus propulsores de manobra de correção no dia 8 de julho, 30 anos após a última vez que foi disparado. Seus propulsores de controle de atitude são antigos e não têm funcionado bem, exigindo que a sonda disparasse um número crescente de pulsos para garantir que sua antena permaneça apontada para o nosso planeta. Agora, a espaçonave usou os propulsores como a Voyager 1 em 2018 e os usará para corrigir sua orientação.


Com informações de Engadget

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5 COMENTÁRIOS

  1. Acho que ja comentei aqui, é admirável os cientistas que trabalham na recepção dos sinais enviados e recebidos das sondas, imagina o quanto fraco é o sinal recebido da Voyager.

    • É um milagre.. Um milagre da tecnologia!
      É o contato de rádio mais distante já feito pela humanidade.
      Quem entende um pouco de rádio, sabe das incontáveis variáveis envolvidas em uma operação dessas.
      É um feito extraordinário difícil de acreditar, especialmente se lembrarmos que se trata de uma tecnologia com mais de 40 anos!!!

      • Sim, ja é difícil acertar o alvo emissor/receptor, e dai ao chegar na Terra encontram um enxame de interferência ahahah, é louvável essa parte da missão.

  2. Um dos mais importantes e admiráveis projetos da ciência. Incrível estar ativo depois de tanto tempo. Alguém sabe dizer se existem outros projetos similares agora? Com a tecnologia atual talvez seja possível colher dados mais longe e por muito mais tempo….

  3. Uma coisa interessante é que 40 anos depois, ainda existe uma réplica na Terra das Voyagers funcionando. É onde a NASA, sendo que muitos técnicos e cientistas que nem haviam nascido, mantem as sondas vivas. são computadores dos anos 1970! Vivos!

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