A NASA reconheceu que ainda resta muito trabalho para corrigir pelo menos duas falhas de software que afetaram o voo de teste inicial da cápsula espacial Starliner da Boeing.

Dois defeitos de software “críticos” encontrados após o primeiro voo de teste da cápsula espacial Boeing Starliner em dezembro podem ter causado a destruição do veículo, mas os controladores de solo conseguiram resolver o problema a tempo“, informou a NASA na sexta-feira (7).

As duas questões de software provavelmente são apenas sintomas, não o problema raiz“, disse Douglas Loverro, administrador da NASA para Operações Humanas no Espaço, durante uma entrevista no Kennedy Space Center, na Flórida.

A NASA espera que a cápsula transporte astronautas para a Estação Espacial Internacional  (International Space Station – ISS) e além, mas durante seu voo de teste em dezembro de 2019, a Starliner sofreu várias falhas de software e não conseguiu atracar na ISS conforme planejado.

Após o voo a NASA e a Boeing reuniram uma equipe de revisão independente para investigar as deficiências da Starliner. A revisão ainda está em andamento, mas recentemente a equipe forneceu algumas conclusões preliminares, bem como uma lista inicial de ações corretivas.

A Boeing e a NASA haviam confirmado apenas um erro de software, o que fez com que a  Starliner não atingisse a altura orbital planejada.

Depois de encontrar a primeira falha no software, procuramos problemas semelhantes e encontramos mais um“, disse Jim Chilton, vice-presidente da Divisão de Espaço e Lançamento da Boeing. “Nós encontramos porque fomos procurar“.

A equipe de investigação conjunta NASA-Boeing descobriu que a intervenção dos controladores de solo evitou a perda do veículo.

Embora essa anomalia tenha sido corrigida em pleno voo, se não fosse corrigida, levaria a disparos errôneos do propulsor e movimento descontrolado durante a separação do módulo de serviço, com o potencial de uma falha catastrófica da espaçonave“, disse Paul Hill, membro do Painel Consultivo de Segurança Aeroespacial da NASA que está examinando problemas com a missão.

Hill é o ex-diretor de Operações da Missão no Centro Espacial Lyndon B. Johnson da NASA em Houston e ex-diretor de voo do ônibus espacial e da Estação Espacial Internacional.

O erro adicional de software coloca em dúvida que a Starliner poderá transportar astronautas para a estação espacial sem outro voo de teste. A SpaceX , que desenvolveu a cápsula Crew Dragon, deverá levar dois astronautas da NASA para à ISS entre março e junho deste ano.

A investigação também revelou problemas com o sistema de comunicação espaço-solo intermitente da nave, o que impediu a capacidade dos engenheiros e gerentes de voo da Boeing de comandar e controlar a espaçonave. Os investigadores já forneceram 11 ações corretivas de alta prioridade para a equipe da Boeing .

Durante a coletiva de imprensa de sexta-feira (7), funcionários da NASA e da Boeing disseram que as falhas de software foram o resultado de falhas na fase de projeto e código e na fase de teste e verificação.

As correções exigirão ações corretivas sistêmicas“, disse a NASA em comunicado. “Inúmeras fugas de processos existiram durante as quais tanto a NASA quanto a Boeing poderiam ter descoberto os defeitos“, completou Douglas Loverro.

A NASA disse que espera conhecer as causas dos problemas e fornecer um conjunto completo de ações corretivas para a Starliner até o final de fevereiro.

Queremos garantir que essas etapas necessárias sejam completamente compreendidas antes de determinar o plano para os próximos voos“, afirmou a NASA. “Separadamente da investigação de anomalia, a NASA também ainda está revisando os dados coletados no voo de teste para ajudar a determinar o plano“.

Logo após a decolagem do Kennedy Space Center (KSC), na Flórida, no topo de um foguete United Launch Alliance Atlas 5 em seu primeiro voo real (não tripulado), assim que a nave se separou do foguete começou a desviar de seu plano de voo, disparando  inesperadamente os propulsores, reorientando-se e consumindo muito combustível, o que impediu o encontro e a atracação planejada com a Estação Espacial.

Os engenheiros no solo recuperaram o controle da espaçonave e a colocaram em uma órbita segura, mas fora do alcance da ISS. Os controladores da missão realizaram o maior número possível de testes e, em seguida, trouxeram a Starliner de volta para um pouso seguro no Novo México.

A cápsula, que não foi danificada na reentrada, está sendo reformada no Centro Espacial Kennedy. “Vamos continuar nossos testes de software em terra e vamos testar até acertar“, disse John Mulholland, vice-presidente e gerente de programa Starliner da Boeing.


FONTE: UPI


NOTA DO EDITOR:

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