A China entrou bem tarde no mundo da Exploração Espacial.

Mas apenas 15 anos depois de ter enviado um astronauta ao Espaço pela primeira vez, a China se tornou o primeiro país a pousar com sucesso uma espaçonave robótica do outro lado da Lua. E nas próximas décadas planeja não apenas construir uma nova estação espacial, mas também uma base na Lua e conduzir missões a Marte.

É importante ressaltar que Xi Jinping, o líder mais poderoso do país desde o presidente Mao, apoiou o “sonho espacial” – e com isso, bilhões em investimentos. A mídia estatal chinesa, por sua vez, lançou o “sonho espacial” como um passo no caminho para o “rejuvenescimento nacional”.

Então, por que o Presidente Xi e a China estão tão interessados em deixar sua marca no espaço – e o que isso significa para o resto do mundo?

Enviando uma mensagem

De acordo com o professor Keith Hayward, membro da Real Sociedade Aeronáutica do Reino Unido, a China está sendo motivada pelas mesmas motivações que os EUA, a Rússia e outros.

Primeiro, demanda dos militares, sem a qual “você não teria metade do dinheiro“.

Em segundo lugar, como uma boa maneira de mostrar. “Você poderia dizer que este é o espaço da Rota da Seda – isso demonstra que a China é uma força a ser considerada“, observa Hayward.

Terceiro, recursos até então inexplorados que têm o potencial de fazer com rico quem os ache.

É a tríade clássica que impulsionou o investimento no Espaço durante a maior parte do Tempo“, disse ele à BBC.

O pouso da Chang’e-4 em janeiro de 2019 parece estar confortavelmente dentro da segunda categoria – ajudando a distinguir a China como uma força a ser considerada, tanto global quanto localmente.

É algo que é muito, muito bom ter feito“, diz o professor Hayward. “Isso diz: ‘podemos não ter colocado um homem na lua, mas estamos muito perto disso’”.

Ele também envia sinais para seus vizinhos – é uma boa maneira de mostrar ‘Soft Power’, com um pouco de força.

A própria China tem sido clara sobre o valor da Exploração Espacial em termos de aumentar sua posição no cenário mundial. “A exploração lunar é um reflexo do poder nacional abrangente de um país“, disse em 2006 o professor Ouyang Ziyuan, um dos principais cientistas do país, ao jornal oficial chinês People’s Daily. “É significativo elevar o prestígio internacional e aumentar a coesão do povo.

Uma nova corrida espacial?

Mas não é o prestígio que provavelmente é motivo de preocupação para países como os EUA.

O vice-presidente Mike Pence revelou planos para uma “Força Espacial dos EUA” em agosto de 2018, dizendo que isso era necessário porque “nossos adversários já transformaram o Espaço em um domínio de guerra“. Na época, isso foi interpretado como um golpe na Rússia e na China.

No entanto, apesar do mais recente sucesso e planos da China, o professor Hayward não parece pensar que os EUA precisam se preocupar.

Os EUA ainda são grandes investidores – não necessariamente através da NASA, mas através do Pentágono“, disse ele. “Não consigo ver a China sendo capaz de igualar esse nível de gastos.

Mas esta é uma nova corrida espacial? Afinal, a aterrissagem ocorreu apenas alguns dias depois que a sonda New Horizons da NASA realizou com sucesso um sobrevôo de um mundo gelado a cerca de 6,5 bilhões Km de distância. A Índia, enquanto isso, anunciou que enviará uma nave com três tripulantes ao Espaço pela primeira vez em 2022. Parece que todo mundo está ansioso para deixar sua marca.

Então, o avanço da China preocupará outros países o suficiente para fazer com que eles ajustem seus planos?

Improvável, diz o professor Hayward. “É difícil responder rapidamente – você está lidando aqui com alguns planos de longo prazo“. Além disso, Bernard Foing, diretor executivo do Grupo de Trabalho Internacional de Exploração Lunar da Agência Espacial Européia, observou que qualquer avanço é bom para o resto do mundo.

A China demonstrou um grande avanço e vontade de colaborar com parceiros internacionais“, disse ele, mas há um país com o qual ela não pode colaborar: a legislação de contra-espionagem dos EUA restringe a NASA de trabalhar bilateralmente com cidadãos chineses sem a permissão expressa do Congresso.

Também foi sugerido que, apesar de parecer tentar alcançar os EUA e a Rússia, a China potencialmente não se considera uma corrida com ninguém.

A China está seguindo suas próprias motivações e interesses, em vez de tocar seu programa competindo com qualquer outra nação“, disse John Logsdon, fundador do Instituto de Política Espacial da Universidade George Washington, à revista Wired em 2018. “Na minha opinião, a China está determinando para si o que quer fazer, não em qualquer competição formal com os planos bastante incertos de qualquer outra nação.”

Mas, é claro, a Exploração Espacial não é apenas sobre o jogo político. Há também “objetivos científicos genuínos” para a missão Chang’e-4, destacou o Dr. Robert Massey, da Royal Astronomical Society.

Ouyang também falou sobre os objetivos científicos e tecnológicos do país em uma entrevista à BBC em 2013.

Em termos da ciência, além da Terra, também precisamos conhecer outros corpos celestiais como a Lua, sua origem e evolução e, a partir disso, podemos conhecer nosso planeta“, disse ele.

E então havia o vasto potencial de recursos, alguns dos quais poderiam “resolver a demanda de energia dos seres humanos por cerca de 10 mil anos, pelo menos“.

Trazê-los de volta, no entanto, continua a ser um desafio – mas que a China procurará resolver: Chang’e-5 e 6 são missões de retorno de amostras, trazendo rocha lunar e solo a laboratórios na Terra.

Mitologia

Existem muitos elementos da mitologia chinesa presentes no programa de exploração espacial da China.

Chang’e (pronuncia-se Chang-er): A sonda lunar da China recebeu o nome da deusa da Lua e uma das figuras mais populares da mitologia chinesa. Ela era uma linda jovem casada com um famoso arqueiro, Hou-yi, que conseguiu ganhar uma poção da imortalidade. Ele decidiu não aceitar, pois era apenas o suficiente para um, dando-o a Chang’e por segurança. Mas um dia um discípulo de Hou-yi tentou roubar a poção. Incapaz de derrotá-lo, Chang’e bebeu a poção e flutuou para a Lua, onde ela ainda vive. Hou-yi estava de coração partido e todos os anos, quando a lua estava em sua plenitude, ele apresentava sua comida favorita em homenagem a ela – uma tradição anual em toda a China desde então.

Coelho Jade: O rover lunar da China recebeu o nome do único companheiro de Chang’e na Lua.

Magpie: O satélite de retransmissão da China leva o nome da história da filha de uma deusa que se apaixona por um trabalhador pobre de fazenda. Eles se casam e acabam tendo filhos. Mas quando a deusa descobre, ela fica furiosa – e os expulsa para lados diferentes da Via Láctea. Sentindo pena do casal, os deuses decidem que uma vez por ano, eles formem uma ponte para conectar os dois amantes. Este dia é comemorado todos os anos na China, a versão local do Dia dos Namorados.


FONTE: BBC News

16 COMENTÁRIOS

  1. A China está escalando para ser a maior potência em todos os setores.
    E no espacial não será diferente.

    • É mais propaganda que um feito relevante, como o texto deixa bem claro…..

      Aceite o fato Xings!

  2. Cuidem para não falar que a Rússia está ficando para trás nesta corrida, senão o maluco que mora no Rio de Janeiro e usa ushanka no calor de 40ºC vai fazer textão…

    • O que eu posso fazer se de fato a Rússia está ficando para trás na corrida espacial? Na verdade não é apenas na tecnologia espacial como também em muitos setores, a começar pela furtividade..,

      • À Rússia não interessa, no momento, retomar a dianteira no setor espacial.
        Interessa, e já foi alcançado, aumentar a distância no campo dos mísseis balísticos.
        No momento, estão décadas à frente de qualquer concorrente.
        .

        • Primeiro não estão décadas a frente, nada disso.

          E não interessa retornar a dianteira no setor espacial é uma inverdade, o que acontece é que eles não tem dinheiro para competir.

        • Não estão tãoooo a frente mas de certa forma a Russia só existe porque tem ICBM/SLBM, logo faz sentido investir nisso.

        • A Rússia simplesmente não tem dinheiro e tecnologia para investir no setor espacial, portanto está ficando para trás.

          Ademais a tão propalada “superioridade” quanto aos mísseis balísticos existe apenas na Sput(pe)nik. E não custa lembrar o fracasso retumbante da Rússia e também da China em produzir aeronaves furtivas.

          Perdeu de novo Xings!

  3. Tá aí algo impressionante. Essa dita "corrida" espacial, irá fazer a humanidade alcançar diversas conquistas rumo ao espaço profundo. Mesmo que com a alegação de que são pesquisas científicas, estes atos de Chineses e Americanos tem um certo viés militar escondido, como o texto cita o interesse e verba dos militares. São recados indiretos entre estes países. Mas nós que só observamos de longe vamos acabar vendo e conhecendo coisas que até então só existia em filmes, aguardem …

  4. A China absorveu o programa espacial soviético, mesmo com esses feitos ela ainda está atrás dos feitos da URSS, talvez daqui uns 10~15 anos ela faça algo de novo, algo que os sovieticos não conseguiram.

  5. Com o avanço do seu programa espacial a China se consagra definitivamente como potência, não mais como mera nação plagiadora do ocidente e grande fabricante de quinquilharias.

  6. Recomendo assitir o video no yt:

    PLANOS ESPACIAIS DA CHINA!!! , do canal HOMEM DO ESPAÇO

    Um canal extremamente técnico, praticamente obrigatório a inscrição.

  7. Pura propaganda, todos nós sabemos que a Terra é plana, até porque se fosse esférica se chamaria "redondeta" e não "planeta"!

    • Penso o seguinte Conde: Se fosse de interesse dos EUA e da antiga URSS\Rússia chegar ao lado oculto da Lua eles teriam feito lá nos anos 60.

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