As descobertas de um estudo publicado pela NASA há dois anos revelaram uma taxa de mortalidade por problemas cardiovasculares muito maiores entre os astronautas da Apollo que se aventuraram até a Lua do que os colegas que nunca passaram da blindagem de radiação fornecida pelo campo magnético da Terra.

As preocupações sobre uma possível ligação entre a saúde cardíaca prolongada e a exposição à radiação cósmica galáctica estão ganhando nova urgência com a assinatura da diretiva de política espacial do presidente Trump em dezembro passado. O governo dos EUA pede que a NASA se una aos parceiros do setor privado e internacional para um retorno humano para a Lua durante a próxima década, seguido de missões a Marte e além.

Em fevereiro, os programas Human Heath e Space Biology da NASA selecionaram nove das 47 propostas de pesquisa para estudos focados na resposta de saúde do astronauta ao ambiente do Espaço profundo, com um foco especial na radiação cósmica e no sistema cardiovascular. O esforço de três a quatro anos recebeu um financiamento da NASA de US$ 17,7 milhões.

Todo mundo quer ser o primeiro a chegar a Marte, e é isso que está levando muito do interesse renovado para chegar ao Espaço profundo“, diz Michael Delp, pesquisador da Universidade Estadual da Flórida. Delp lidera um dos nove novos estudos e também liderou a avaliação da Apollo, cujos resultados foram publicados na revista Nature. “O problema é que nossa compreensão do efeito da radiação espacial no corpo está ficando para trás. Esses estudos são projetados para ajudar a preencher essa lacuna de conhecimento”, disse ele.

Embora o tamanho da amostra da Apollo fosse pequeno, 24, as descobertas anteriores levantaram uma bandeira de que mesmo exposições à radiação relativamente pequenas poderiam levar ao que Delp caracterizou como dano cardiovascular de longo prazo, especialmente para o coração e o cérebro. As nove missões Apollo de três homens que viajaram para os arredores lunares duraram de seis a 12 dias.

O mais recente estudo de Delp se voltará para ratos de laboratório como sujeitos de uma série de experimentos a serem conduzidos no Brookhaven National Laboratory, em Nova York. O laboratório oferece uma capacidade autônoma para simular os níveis de radiação que os astronautas podem esperar encontrar no espaço profundo e muito além do campo magnético que protege as equipes da Estação Espacial Internacional.

O pesquisador da Flórida também estudará se existe a possibilidade de que a falta de gravidade possa interagir com a exposição à radiação como parte da preocupação cardiovascular de longa duração e investigar possíveis contramedidas.

Em vez de apenas examinar um fator ou outro, vamos combinar os dois para ver se a falta de peso e a radiação do espaço profundo interagem entre si para causar mais danos do que qualquer um deles poderia fazer por conta própria“, disse Delp.

Desde a Apollo, os astronautas da NASA acrescentaram exercícios às suas rotinas diárias enquanto estão na órbita baixa da Terra de até 2 horas. Dietas e planejamento de suplementos nutricionais também foram refinados.


FONTE: Aviation Week

1 COMENTÁRIO

  1. Queria ja algum tempo falar sobre o assunto, dai aproveitando o post…

    O maior problema de uma viagem a Marte ou permanência na Lua, não é a radiação solar mas sim a falta de gravidade e/ou baixa gravidade como em Marte que possui quase 1/4 da gravidade que temos na Terra.

    A radiação é importante mas ja sabemos como diminuir seus efeitos, ja a falta de gravidade destrói rapidamente o corpo humano e não sabemos como criar gravidade artificial com a tecnologia que temos, ou seja se fomos para Marte como o marketeiro da spaceX e a NASA pretende, o risco será o mesmo que tiveram na Apollo 11, se não for maior….

    Será que algum governo ou empresa vai arriscar? Essas autoridades dão a cada dia mais atenção a essa geração "mimimi" de merda, tenho duvidas se eles terão coragem.