Mas a oposição pode barrar, pois vê o aumento do orçamento como uma oportunidade do Presidente Donald Trump de explorar politicamente o retorno à Lua com astronautas dos EUA durante um possível segundo mandato.

Jim Bridenstine, administrador da NASA, estava quase tonto quando revelou o pedido de orçamento do presidente Donald Trump para o ano fiscal que começa em 1.º de outubro, o que dará a Agência mais de US$ 25,2 bilhões – cerca de 12% a mais do que sua dotação atual.

Esse é um dos orçamentos mais fortes da história da NASA”, disse Bridenstine durante um discurso no Centro Espacial Stennis da NASA, onde o estágio principal do primeiro foguete SLS (Space Launch System – Sistema de Lançamento Espacial) da Agência está sendo preparado para um teste de motor estático ainda este ano.

O SLS é uma parte essencial do plano da NASA de expandir a presença humana para além da órbita baixa da Terra, porém, é caro. O novo veículo dos EUA destina-se a levar astronautas a Marte na década de 2030, após uma série de expedições à superfície lunar e o estabelecimento de um pequeno posto avançado na órbita da Lua sob o programa Artemis.

Embora a NASA tenha sido em grande parte poupada da política partidária divisiva e irrisória, pode ser difícil aprovar o aumento especialmente durante um ano eleitoral. O  Congresso norte-americano pode se opor. Para os congressistas oposicionistas, acelerar o programa lunar – apoiado por Trump – é só para coincidir com seu possível segundo mandato, fazendo uso político.

Em dezembro de 2019, a NASA recebeu apenas US$ 600 milhões dos US$ 1 bilhão solicitados para começar a trabalhar em pousos lunares tripulados. Então, em janeiro deste anos, o Subcomitê Espacial e Aeronáutico do Comitê de Ciência, Espaço e Tecnologia da Câmara aprovou uma lei bipartidária que transfere o prazo lunar de 2024 para 2028, que era o plano original da NASA antes que o vice-presidente Mike Pence, no ano passado, dissesse à Agência que cortasse quatro anos do programa.

Em vez disso, agora a Casa Branca, com base num projeto de lei, pede que a Agência espacial desenvolva tecnologias e sistemas para colocar astronautas em órbita em torno de Marte até 2033. Também repudia o plano da NASA de desenvolver o módulo lunar tripulado sob acordos de parceria e contratos de serviço de voo comercial.

Este projeto de lei não trata de rejeitar o programa Artemis ou adiar os seres humanos na Lua até 2028“, disse a presidente da subcomissão, a deputada Kendra Horn. “Em vez disso, pretende adotar a abordagem fiscalmente responsável de concentrar os esforços da Lua no objetivo de ser a primeira nação a pôr os pés em Marte“, disse ela.

A solicitação de orçamento fiscal para 2021, lançada em 10 de fevereiro, não só continua pedindo US$ 4 bilhões anualmente para o SLS, a cápsula Orion e sistemas relacionados de apoio em terra – programas que já consumiram mais de US$ 34 bilhões -, mas também destina mais de US$ 3,3 bilhões para começar a desenvolver sistemas de aterrissagem tripulada. O governo Trump quer pousar astronautas novamente na Lua em 2024.

Por fim, a NASA diz que precisará de mais US$ 21,3 bilhões nos próximos cinco anos para o módulo lunar, sem incluir uma quantidade indeterminada de parceiros do setor que ainda não foram selecionados. Três empresas já apresentaram propostas, em resposta a uma solicitação da NASA para desenvolver e demonstrar um sistema de aterrissagem Humana (Human Landing System – HLS), sendo:

  • Boeing
  • Blue Origin, em parceria com a Northrop Grumman
  • Lockheed Martin e Draper Laboratory; e Dynetics – que se tornou uma subsidiária integral da Leidos – em parceria com a Sierra Nevada Corp.

Acredita-se que uma quarta proposta tenha sido apresentada pela SpaceX, mas a empresa se recusou a comentar. Dois ou mais contratos são esperados no final de março ou início de abril.

De acordo com os planos orçamentários para 2021-25, o HLS consumiria quase dois terços dos US$ 35 bilhões da NASA.

A proposta, no entanto, atrasa o financiamento de um estágio superior de quatro motores ,mais poderoso, para a configuração do SLS Bloco 1B, destinado a substituir o estágio intermediário de propulsão criogênica monomotor no SLS 1. Com um voo planejado por ano¹, a NASA agora calcula o custo de sustentar o programa SLS-Orion em US$ 2 bilhões/ano.

A data de lançamento da primeira missão de teste do SLS-Orion, num voo ao redor da lua, ainda está em revisão.

Orçamento da NASA destaca exploração, não ciência

A solicitação de orçamento de Trump de US$ 25,2 bilhões para a NASA – um aumento de 12% em relação aos níveis atuais – inclui US$ 6,3 bilhões em ciências, uma redução de US$ 832,4 milhões ou 11,6% em relação aos gastos atuais.

O plano inclui financiamento para iniciar as missões Mars Sample-Return e Mars Ice Mapper.

A iniciativa de pousar em Marte e retornar com amostras de solo e ar é um esforço conjunto com a Agência Espacial Europeia e que está planejada para ser lançada em 2026, e se encontraria com o rover Mars 2020, programado para ser lançado este ano. Espera-se que o rover chegue a Jezero Crater, um antigo delta de lagos e rios em Marte, em fevereiro de 2021, para buscar evidências de ambientes habitáveis no passado, bem como coletar e armazenar amostras de rochas e solo para o retorno à Terra.

A missão de retorno de amostras incluiria um veículo espacial dividido em duas partes. O primeiro foguete a ser lançado da superfície marciana e um orbitador de Marte para guardar as amostras para um retorno à Terra, talvez até 2031.

A proposta de orçamento científico da NASA para 2021 busca US$ 232,6 milhões para avançar o trabalho nas missões de retorno de amostra e o mapeador de gelo, com os gastos subindo para US$ 775 milhões no ano fiscal de 2025.

Outras características da proposta de orçamento científico da NASA para 2021 incluem o desenvolvimento contínuo do Europa Clipper, uma missão para realizar uma sucessão de sobrevoos próximos da lua de Júpiter, que contém os oceanos, para avaliar ainda mais seu potencial de vida. O Congresso quer que a NASA lance o Clipper usando o SLS, mas isto atrasará em 3,5 anos a jornada e custará US$ 1,5 bilhão a mais em relação às alternativas comerciais.


FONTE: Aviation Week

¹NOTA DO EDITOR: Como é? Um voo lunar por ano? A proposta do Verner von Braun para os EUA não perderem a tecnologia desenvolvida para a exploração da Lua? É…nada como uma fase da lua após a outra…

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