A sonda robótica da SpaceIL deverá ser lançada em direção ao satélite natural da Terra ainda este mês.

Os pousos lunares remontam a década de 1960. Os Estados Unidos desembarcaram 12 pessoas em seis ocasiões diferentes, como parte do programa Apollo, juntamente com naves espaciais robóticas, como a Surveyor, que serviu como um precursor das missões Humanas. A URSS não enviou Humanos à Lua, mas realizou as missões robóticas Luna, aterrissando, ou melhor, alunissando os veículos automatizados Lunokhod nos anos 1970. Mais recentemente, a China pousou a sonda robótica Chang’e 4 no lado oculto do Satélite. Estas missões são todas realizações técnicas surpreendentes e maravilhas do Conhecimento humano, patrocinado e construído por grandes agências espaciais governamentais.

O próximo visitante da lua é diferente. Beresheet, que em hebraico e em tradução livre significa “no princípio” [de tudo], será a primeira missão privada a à descer na Lua, e a primeira nave espacial a “pular” sobre a superfície lunar após pousar. Ao contrário das demais sondas-rover, a Beresheet usará o impulso gerado por um motor foguete para dar pequenos saltos. Um marco na exploração espacial.

A SpaceIL foi fundada em 2011 para competir no Google Lunar XPrize, um programa que planejava premiar com US$ 30 milhões a primeira equipe que consegui-se construir, lançar, pousar na Lua. Além do pouso, a espaçonave, ou um rover, teria de percorrer uma distância de 500 metros ou mais e transmitir imagens de alta definição do ambiente de pouso para a Terra. O prazo final do concurso Google Lunar XPrize terminou em 2018 sem um vencedor.

Destemida, a SpaceIL avançou com o desenvolvimento e construção da espaçonave, e agora está pronta para ser lançada de Cabo Canaveral, Flórida.

O módulo de alunissagem é mais ou menos do tamanho e da forma de uma mesa de jantar familiar, com aproximadamente 1,82 de diâmetro por 1,21 de altura, pesando (na Terra) cerca de 158 kg. Isso não inclui os quase 455 kg de combustível necessários para pousar a espaçonave. Carregando a instrumentação para medir o campo magnético da lua, um refletor de laser fornecido pela NASA e uma cápsula do Tempo (com dados da cultura israelense), a missão viajará ao Espaço como uma carga secundária – como um passageiro compartilhado – a bordo de um Falcon 9 da SpaceX.

Indo para a Lua

A carga primária no lançamento da SpaceX não é o módulo espacial da SpaceIL, mas sim um satélite de comunicações para ser colocado a 36.000 km, numa órbita geoestacionária acima do equador da Terra. Isso efetivamente estaciona o satélite de comunicações acima de um ponto fixo na Terra, numa órbita sincronizada com a rotação diária do planeta. A Beresheet acompanhará o satélite primário em sua jornada. Mas, para alcançar a lua, ela precisará viajar mais.

No voo espacial, a principal restrição em viajar de um lugar para outro não é a distância, mas a quantidade de energia necessária. O foguete Falcon 9 transportará a Beresheet a cerca de 10% da distância total até a Lua. Mas fornece quase 90% da energia total necessária para chegar lá. Consequentemente, uma vez fora da superfície da Terra e com uma pequena quantidade de energia adicional de seu próprio sistema de propulsão, a Beresheet aumentará lentamente sua órbita, até que seja capturada pela atração gravitacional da Lua. Esse processo levará várias semanas.

Uma vez pousada na lua, no entanto, a missão deverá durar apenas alguns dias. A sonda não foi projetada para longo prazo, mas, ao contrário, demonstrará avanços na tecnologia, buscando cativar investidores para uma espaçonave com financiamento privado que aterrisse em outro corpo celeste do sistema solar.


FONTE: Space.com; SpaceIL

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