Um relatório independente concluiu que a NASA não tem chance de mandar Seres Humanos para Marte até 2033.

O relatório, apesar de concluído antes do discurso de 26 de março, em que o vice-presidente Mike Pence se dirigiu a NASA para levar de volta a Lua seres humanos até 2024. No discurso, insights sobre o quanto um retorno lunar pode custar e como se encaixa nos planos de longo prazo para enviar seres humanos para Marte.

A NASA contratou o Instituto de Política de Ciência e Tecnologia (Science and Technology Policy Institute – STPI) para preparar o relatório para o Congresso dos EUA como resposta ao “Ato de Autorização da NASA” de 2017. Esse projeto de lei pedia especificamente uma avaliação técnica e financeira de “uma missão de voo espacial humano em Marte a ser lançada em 2033“.

O STPI estudou a fundo a estratégia que a Agência havia estabelecido em seu relatório “Campanha de Exploração“, que projeta o uso continuado do foguete/nave SLS/Orion e o desenvolvimento do projeto Lunar Gateway (uma estação espacial tripulada na órbita da Lua – NT) na década de 2020, seguido pelo Transporte Espacial Profundo (Deep Space Transport – DST), uma espaçonave tripulada que viajaria da órbita da Lua para Marte e vice-versa. A NASA também desenvolveria sistemas de aterrissagem lunar e sistemas relacionados para apoiar missões tripuladas na superfície lunar, enquanto também trabalharia em sistemas para missões posteriores à superfície de Marte.

STPI concluiu que levará muito tempo para ser concluído a tempo de apoiar uma missão em 2033. “Descobrimos que, mesmo sem restrições orçamentárias, uma missão orbital de Marte 2033 não pode ser realisticamente programada de acordo com os planos atuais e imaginários da NASA“, afirma o relatório. “Nossa análise sugere que uma missão orbital de Marte não pode ser realizada antes da janela orbital de 2037 sem aceitar grandes desenvolvimentos tecnológicos, atrasos no cronograma, superação de custos e riscos de escassez de orçamento.”

Esse cronograma é impulsionado pelos riscos tecnológicos associados, em particular, ao Deep Space Transport, incluindo sistemas de suporte à vida e propulsão, que exigem longos prazos de fabricação. Uma missão em 2033, segundo o relatório, precisaria ter tecnologias críticas testadas até 2022, o que é improvável.

Além disso, os estudos iniciais da “Fase A” do DST geral precisariam ser iniciados no ano fiscal de 2020, o que também é improvável porque os estudos sobre o projeto do DST ainda não começaram. O relatório também alerta que tentar reduzir os cronogramas ao não usar as práticas padrão existentes da NASA para o desenvolvimento de programas “levaria a um risco muito alto de tecnologia, cronograma e superação de custos“.

Como tal“, conclui o relatório, “uma missão à órbita de Marte em 2033 é inviável a partir de uma perspectiva de desenvolvimento e cronograma de tecnologia“. A próxima janela de lançamento, em 2035, também foi considerada impraticável por causa do trabalho de desenvolvimento de tecnologia, empurrando a data mais próxima possível para voar a missão para a seguinte janela de lançamento em 2037.

O STPI também estimou o custo de realizar essa primeira missão a Marte em 2037. O relatório estimou o custo total dos elementos necessários para a missão, incluindo o foguete SLS, a nave Orion, Gateway, DST e outras logísticas, em torno de US$ 120,6 bilhões até o ano fiscal de 2037. Deste total, US$ 33,7 bilhões foram gastos até o momento no desenvolvimento do SLS/Orion e sistemas terrestres associados.

Esse total inclui US$ 29,2 bilhões para o DST, um número que o relatório reconhece ser uma estimativa muito grosseira, dados os poucos detalhes sobre o projeto que poderiam ser usados para projetar seu custo de desenvolvimento. Em vez disso, o STPI usou o custo de desenvolvimento da Orion como um aproximado para o DST. Por outro lado, o relatório estimou o custo da estação lunar em menos de US$ 6 bilhões para seus vários módulos, em parte porque alguns dos módulos seriam fornecidos por parceiros internacionais sem nenhum custo para a NASA.

Custos de pouso lunar

A missão Marte faz parte de um programa geral de voos espaciais tripulados com custos totais até 2037 de US$ 217,4 bilhões. Isso inclui os custos da missão de Marte, bem como as operações na órbita baixa da Terra e o desenvolvimento dos sistemas de superfície de Marte necessários para futuras missões.

Também inclui uma série de missões para pousar na lua. O relatório projetou o primeiro retorno de humanos à Lua em 2028, a data em que a NASA estava visando antes do discurso de Pence em março. Mais quatro missões, uma por ano, seguiriam até 2032.

O relatório usa a abordagem lunar de três estágios que a NASA estudou no ano passado, com um estágio de subida reutilizável e um veículo de transferência e etapas de descida dispensáveis. O desenvolvimento dos sistemas de aterrissagem e reabastecimento custaria cerca de US$ 8 bilhões para cobrir essa série de cinco aterrissagens tripuladas, bem como um teste anterior sem coleta. Um adicional de US$ 12 bilhões cobriria os custos do SLS/Orion, bem como outros lançamentos para transportar os “aterrissadores”, propulsores e outras cargas. Esses totais não incluem outros custos, como o desenvolvimento do SLS, Orion e Gateway.

O relatório, datado de fevereiro de 2019, foi concluído antes do anúncio da meta de pouso lunar de 2024 e, portanto, não aborda os custos de tal esforço. O relatório estimou que a primeira missão de pouso lunar custaria cerca de US$ 2,44 bilhões em custos de lançamento e hardware, além de vários bilhões em custos de desenvolvimento para as bases.

Embora a NASA, desde o discurso de Pence, tenha se concentrado em como desenvolverá uma arquitetura para um pouso na Lua em 2024, não negligenciou totalmente a missão Mars. “Por que vamos para a lua? Por que isso é tão importante?” Perguntou Jim Bridenstine, administrador da NASA, durante o 35.º Simpósio Espacial. “Bem, porque estamos mantendo nossos olhos no horizonte. A lua é um campo de provas. É o melhor lugar para nós vivermos e trabalharmos em outro mundo para que possamos finalmente ir a Marte.


Com informações de SPACE.COM


NOTA DO EDITOR: Embora este editor seja um entusiasta do Ônibus Espacial, é inegável que este sistema “matou” a Conquista da Lua. Os EUA abandonaram a Lua no ápice do programa Apollo. O amigo leitor pode imaginar em que pé estaria a tecnologia de exploração da Lua se a proposta de manter uma missão por ano tivesse vingado? Hoje os EUA teriam uma base permanente na lua e o custo para re-desenvolver a tecnologia dos anos 1960 não existiria. Mas, agora é fácil falar. As pessoas que optaram pelo “transportador espacial” julgaram que naquele momento era a coisa certa a se fazer…

Proposta von Braun de uma nave de exploração à Marte de 1969

11 COMENTÁRIOS

  1. Não, não é impossível ir na lua antes de 2033. não se a humanidade REALMENTE quiser fazer isso, mas enquanto a NASA tiver o orçamento que tem atualmente (que é ridiculamente pequeno) sim, vai ser impossível.

    se tivéssemos a vontade de fazer uma missão em conjunto Europa + EUA + Russia + China com o investimento de todos e a troca em tecnologias, nós iriamos conseguir chegar la em 2024 e com folga ainda. mas sabemos que nenhum desses players tem vontade de cooperar.

    Os EUA por sí só seriam capazes. mas não com o orçamento atual do projeto. (o mesmo para china)

  2. Como tem gente tapada neste mundo, em 1969 supostamente pousaram na lua, mas agora, com prazo de mais de 10 anos, não conseguem? Lembrassem, que esse relatório NÃO TEM RESTRIÇÃO NO ORÇAMENTO!

    Mas uma coisa é FATO, cada ano que passa, eles prologam as datas estipuladas. Me lembro que uns 10, 15 anos atras essas dadas eram para acontecer em 2017/2019, depois foi indo para 2024/2025, agora está indo para 2035, e depois vai indo pra 2050 e sim por diante.

    • Talvez nos dias atuais comseguiriam pousar na lua. Mas, em 1969 não existia tecnologia para isso. Fazer calculos com 2KB de memória RAM e 36 KB de memória ROM (Memória Somente de Leitura onde estavam escritos os programas).
      Pousaram na Lua cenográfica de Hollywood.
      O computador que estou usando tem 8GBs de memória RAM e um HD de 350 GBS.

      • NUNCA foram a lua foi a maior exibição profissional de Hollywood, hoje o homem já tem até foguete reutilizável, daqui a uns anos foguetes movido a propulsão nuclear, mas é incapaz de ir a um lugar que segundo eles foram a 50 anos kkkkk piada…

  3. Um opinião de um entusiasta que leu alguns relatórios da missão Apollo, dentre outros…
    Hoje não temos toda tecnologia para termos uma base permanente na Lua ou mesmo uma base cislunar, uma coisa é uma estação na órbita outra coisa é uma base num ponto Lagrange. Só mencionei isso pois esses dois eventos estão no programa da Nasa.

    Se nos anos 70 com a GF os caras não conseguiram grana pra ter uma base permanente na Lua imagina hoje, será muito mas muito dificil a Nasa chegar ao ponto de ter uma base Lunar imagina então ir e ficar em Marte, sem um argumento ao estilo GF a coisa não anda, infelizmente.

    Ah mas e as empresas privadas? A Nasa está na frente de todas elas, se tá ruim pra Nasa imagina pra elas.

  4. Além das restrições de tecnologia, ainda tem de se levar em conta as restrições de ordem biológica no corpo dos exploradores espaciais. A Teoria da Seleção Natural preparou o Homo Sapiens Sapiens para habitar a Terra. Períodos prolongados no espaço e em gravidade reduzida (ou zero) afetam a estrutura musculoesquelética, a radiação é nociva, isso sem contar os efeitos psicológicos da solidão no espaço.

    Eu acredito que a humanidade vá conquistar o Sistema Solar e além, mas iremos fazer isso através de robôs e IA, ou então com intervenções biônicas no corpo humano.

    • E dai você liga a tv e vê o fantástico falando da mulher que faz parte de um grupo que vai a Marte aahaha, pra conseguir grana as agência vende tudo quanto é mentira.
      Se no corpo masculino os estudos sobre as consequências de exposição a falta de gravidade são poucos imagina estudos no corpo feminino, vale lembrar que devido a menstruação a mulher tem mais perdas de nutrientes e etc comparado ao homem.

      Pensando num futuro de 500 anos, creio que o limite para o corpo humano seja uma viagem a Marte.