Uma equipe de investigadores está compilando os dados do primeiro voo no Espaço da cápsula Starliner da Boeing e devem anunciar os resultados do que levou a falha da nave até o final de fevereiro.  

A Boeing e a NASA estão conduzindo a revisão em conjunto. Eles já verificaram todas as 1 milhão de linhas do código de software da Starliner depois que a cápsula não conseguiu chegar à Estação Espacial Internacional e atracar lá, um requisito base para a certificação de voos espaciais tripulados da NASA.

Até agora, os investigadores descobriram inúmeras falhas de procedimento no software da Boeing que resultaram em pelo menos duas falhas graves o suficiente para terminar uma missão“, disse Doug Loverro, Administrador da Direção de Missão de Exploração e Operações Humanas da NASA e ex-vice-diretor do Departamento de Defesa.

Não sabemos se são apenas duas ou muitas centenas“, disse Loverro à imprensa, referindo-se aos erros de codificação.

Os controladores da missão perceberam que algo estava errado logo após o lançamento da Starliner no dia 20 de dezembro, quando os propulsores da cápsula não dispararam no tempo programado para uma manobra que a colocaria na órbita correta para chegar à Estação Espacial.

O software de voo codificado incorretamente iniciou o cronômetro da missão 11 horas mais cedo“, disse Kathy Lueders, gerente de programa Commercial Crew Program da NASA, que é o mecanismo de financiamento da Starliner.

Quando o bug do software foi resolvido, a Starliner tinha muito pouco combustível para completar a missão, então a NASA e a Boeing a trouxeram de volta para um pouso seguro no Novo México.

No entanto, apenas algumas horas antes de pousar – a Starliner pousa sobre airbags – outro erro de software: um disparo incorreto de um propulsor que provavelmente faria a cápsula e seu módulo de serviço descartável se chocarem quando se separaram durante a reentrada, jogando a nave para fora da trajetória o suficiente para queimar na reentrada.

Para complicar a situação, a equipe da missão descobriu que, às vezes, eles não podiam se comunicar com a Starliner quando ela passava por certas áreas geográficas, dificultando o upload do código corrigido. Eles suspeitam que a cápsula seja suscetível à interferência das torres de telefonia celular, mas isso não é definitivo.

O gerente do programa Starliner da Boeing, John Mulholland, disse: “Ninguém está mais decepcionado no teste de voo do que a equipe, mas estamos comprometidos em resolver esses problemas.

A NASA quer comprar “bilhetes” nos voos Starliner operados pela Boeing para enviar astronautas até a ISS. Desde que os Ônibus espaciais foram retirados de serviço em 2011, apenas a Rússia foi capaz de levar e trazer astronautas até à ISS. Os russos cobram US$ 80 milhões por assento.

Em vez de construir outra frota de propriedade do governo, como os shuttles, a NASA concedeu contratos de voos tripulados à Boeing e à SpaceX em 2014 para desenvolver novos veículos que serão de propriedades suas. As duas empresas lançaram as cápsulas Crew Space Transportation-100 Starliner da Boeing e a Crew Dragon da SpaceX, em vez de aviões espaciais como os Ônibus espaciais.

Como parte do acordo, ambas disseram que teriam suas cápsulas certificadas para passageiros humanos até 2017. Mas nenhuma das naves ainda voou com uma tripulação.

Uma cápsula de teste Crew Dragon voou até a ISS, retornando em segurança em março de 2019, só para explodir na plataforma de lançamento no mês seguinte, durante um teste com seus ‘motores de abortamento’, necessários em caso de emergência durante o lançamento. embora o revés, a SpaceX realizou com sucesso um teste de voo com o sistema no dia 19 de janeiro, validando o sistema de ejeção de emergência. A Crew Dragon está programada para um voo tripulado até a ISS em maio deste ano.

A NASA disse que não sabe se o Governo exigirá que a Boeing tente outro voo sem tripulação antes de deixar a Starliner voar com astronautas a bordo.


Com informações de Space.com


NOTA DO EDITOR:

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3 COMENTÁRIOS

  1. Problema claríssimo: nos anos 60 o código tinha que ser simples para poder rodar, logo não tinha como ter um processo (bug) dando um resultado errado. Agora com trocentos códigos, são trocentas possibilidades de bugs.