A ARCA Space Corporation anunciou que seu motor aeroespacial linear está pronto para iniciar os testes de solo à medida que a empresa se prepara para instalar o motor em seu foguete Demonstrator 3.

Projetado para propulsar o primeiro lançador de satélites de estágio único (Single-Stage-To-Orbit – SSTO), o motor demorou apenas 60 dias para ser concluindo quando a fabricação começou.

Ao longo dos últimos 60 anos, os lançamentos espaciais se tornaram bastante rotineiros. O primeiro estágio dispara, o foguete ergue-se lentamente e majestosamente da plataforma de lançamento antes de aumentar a velocidade e desaparecer no azul. Minutos depois, o primeiro estágio é descartado ao consumir seu combustível. O segundo estágio dispara e, se houver mais estágios, queima cada qual ao seu tempo até que a carga útil seja colocada em órbita.

Esta abordagem foi adotada não só porque fornece combustível suficiente para levantar a carga enquanto conserva o peso, mas também porque os motores do primeiro estágio, que funcionam melhor ao nível do mar, são muito ineficientes em altitudes mais elevadas ou no Espaço, de modo que diferentes motores precisam ser empregados para cada estágio de voo.

O motor aeroespacial é diferente porque basicamente funciona cortando o bocal de escape de um motor de foguete, que direciona a exaustão de um foguete em uma direção, ao meio. Isso significa que o próprio ar interage e atua com o bocal do foguete, contendo os gases quentes enquanto eles saem da câmara de combustão.

À medida que o foguete voa mais alto, o ar menos denso, mais rarefeito, segura os gases com menos força e ele se espalha mais, como se o bocal do foguete crescesse gradualmente a medida que sobe. O motor aerospike, por não ter um bocal em forma de sino, se ajusta automaticamente em voo, transformando-se de um motor de nível do mar para um de alta altitude, com índices de expansão praticamente ilimitados.

De acordo com a ARCA, o novo motor usa um monopropelente de peróxido de hidrogênio a 70% misturado com RP-1 (querosene altamente refinado) e tem um empuxo ao nível do mar de 4.200 kg. Apesar de usar um propulsor de baixa energia, a eficiência aumentada do aerospike e um tanque de propelente composto leve fará o foguete suborbital Demonstrator 3 ser capaz de atingir o Espaço.

O motor deve ser submetido a uma série de testes de solo para certificá-lo como pronto para voo antes de ser integrado ao foguete Demonstrator 3. Após a certifcação, um teste suborbital a partir do Spaceport America no Novo México a uma altitude de 120 km será o primeiro voo espacial de um motor aeroespacial linear.

O objetivo final dos testes será desenvolver um motor prático para o foguete Haas 2CA SSTO da ACRA, previsto para fazer seu primeiro voo no próximo ano. O Haas 2CA destina-se ao mercado de pequenos satélites com um custo projetado de US$ 1 milhão por lançamento.


Fonte: ARCA


NOTA DO EDITOR: O conceito é o mesmo que seria usado no Venture Star da NASA.

 

8 COMENTÁRIOS

  1. Muito interessante ver o desenvolvimento espacial atualmente, muitas vezes feito apenas por empresas privadas… Acho que dessa forma a evolução ocorre de maneira mais rápida, se comparando ao desenvolvimento de novas tecnologias "debaixo" das asas da NASA…