A próxima etapa da missão será pousar um módulo carregando um rover no lado oculto da Lua.

A sonda não tripulada Chang’e 4 e a nave espacial chinesa Chang’e entraram com sucesso na órbita lunar na quarta-feira (12) após um voo de 4,5 dias até a lua. A espaçonave entrou em uma órbita polar lunar elíptica, alcançando um periélio de 100 quilômetros.

O Projeto de Exploração Lunar da China (China Lunar Exploration Project – CLEP) anunciou o sucesso da crucial manobra de frenagem quando o conjunto estava a 129 km da Lua, confirmando que a espaçonave estava funcionando bem. Logo começaram os testes de comunicações.

Chang’e 4 foi lançada por um foguete Longa Marcha 3B que decolou do Centro de Lançamento de Satélites Xichang, no sudoeste da China, no dia 7 de dezembro para uma jornada de 110 horas até a lua.

Três manobras para injeção translunar foram programadas, mas apenas uma foi necessária, o que demonstra o grau de instrução em que se encontram dos chineses.

Consistindo de um lander e um rover, a espaçonave tentará a primeira aterrissagem suave no lado mais distante da lua – que, devido as forças gravitacionais, que desencadeiam as marés, mantém este lado da lua eternamente fora do alcance de visão para quem está na superfície da Terra.

O lander e o rover estão equipados com câmeras e cargas científicas para analisar a geologia da superfície lunar e a subsuperfície, as interações do vento solar e realizar observações de rádio de baixa frequência no ambiente exclusivo de rádio-silêncio do outro lado da lua.

As comunicações com a espaçonave serão facilitadas pelo satélite de retransmissão “Queqiao”, lançado em maio e, posteriormente, inserido em uma órbita ao redor do segundo ponto Lagrange (ponto onde as forças gravitacionais da Terra e da Lua se equivalem – NE), entre 65.000 a 85.000 km além da lua.

O pouso terá como alvo locais candidatos na Bacia do Polo Sul-Aitken (Pole-Aitken Basin – SPA). Acredita-se que o local será a cratera Von Kármán de 186 km de diâmetro.

A Bacia do Pólo Sul-Aitken é uma antiga cratera de impacto de 1.550 km de largura, com 12 km de profundidade, de intenso interesse científico, que pode conter material exposto do manto superior da Lua e pistas sobre a história e desenvolvimento da lua.

Nenhuma data oficial foi divulgada para a tentativa de pouso, mas a Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China (China Aerospace Science and Technology Corporation – CASC), principal empreiteira do programa espacial chinês, indicou logo após o lançamento que a aterrissagem ocorrerá nos primeiros dias de janeiro. 2019, após o nascer do sol sobre [e] dentro da cratera Von Kármán no final de dezembro.

A Chang’e 4 foi originalmente planejada como um backup para a missão Lander e Rover Chang’e 3, que em dezembro de 2013 fez da China o 3º país a conseguir um pouso suave na superfície lunar, e o primeiro desde a soviética Luna 24 em 1976.

Chang’e 3 ‘lander’ em dezembro de 2013

O lander tem uma massa de 1.200 kg e carrega um rover de 140 kg. No lançamento, quando carregado com propelente, a espaçonave pesava cerca de 3.800 kg.

A missão Chang’e 4 deve ser seguida pela primeira missão de retorno de amostras da China, a Chang’e 5, que poderá ser lançada no final de 2019.


FONTE: Space.com

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