Um raro e tranquilo voo de uma cápsula Soyuz tomou ares de suspense no dia 24 de agosto, quando a espaçonave não conseguiu fazer um acoplamento automático com a Estação Espacial Internacional – ISS.

A espaçonave Soyuz MS-14 estava programada para atracar com o módulo Poisk da Estação. Embora as manobras iniciais da nave tenham ocorrido normalmente, a espaçonave não conseguiu uma abordagem final para o acoplamento, permanecendo a cerca de 90 metros da Estação.

A NASA disse em um comunicado que os dois cosmonautas russos da estação, supervisionando a atracação, emitiram uma ordem para abortar a atracação, orientando a Soyuz a se afastar da ISS. A NASA disse que a Estação nunca esteve em perigo durante a tentativa abortada de atracação.

O problema, disseram os controladores de voo russos, parece ser um defeito com o sistema de atracação automatizado Kurs na ISS, e não um problema com a nave espacial Soyuz.

A Roscosmos disse num comunicado que instruiu os cosmonautas Alexey Ovchinin e Alexander Skvortsov para substituir uma unidade do amplificador de sinal no Kurs e se preparar para outra tentativa de acoplamento no dia 26 de agosto. No entanto, em uma série de tweets em inglês no dia 24 de agosto, a Roscosmos disse que a próxima tentativa de ancoragem será adiada para 27 de agosto.

Em vez disso, Skvortsov embarcará na espaçonave Soyuz MS-13 – atualmente ancorada no módulo Zvezda da Estação – no dia 26 de agosto e a conectará manualmente ao módulo Poisk. Isso liberará o anel de atracação do módulo Zvezda para uma nova tentativa pela Soyuz MS-14. “A situação é complicada, mas está sob controle”, afirmou Roscosmos.

O atracamento tardio não representa um problema para a estação ou sua tripulação, em parte porque essa espaçonave Soyuz não transporta ninguém a bordo. O voo – o primeiro de uma nave Soyuz sem tripulação desde a missão Soyuz TM-1 até à Estação Espacial Mir em 1986 – pretendia testar a utilização do veículo de lançamento Soyuz-2.1a para o lançamento da nave espacial Soyuz, uma vez que a Rússia pretende eliminar gradualmente a foguete Soyuz-FG mais para missões tripuladas até 2020.

A Soyuz-2.1a, usada para lançamentos de satélites, bem como algumas missões de carga Progress, possui um novo sistema digital de controle de voo e motores atualizados. O lançamento no dia 21 de agosto, do Cosmódromo de Baikonur, foi um sucesso.

A missão também proporcionou uma oportunidade para testar mudanças na própria nave espacial Soyuz, incluindo melhorias em seu sistema de navegação e sistema de controle de descida.

Embora não existam astronautas na Soyuz MS-14, ela tem um passageiro: um robô humanóide conhecido alternativamente como Fyodor ou Skybot F-850. A Roscosmos planeja testar a capacidade do robô de apoiar cosmonautas na ISS, mas sua estadia na Estação será relativamente curta, pois a Soyuz MS-14 retornará à Terra no início de setembro.


Com informações de Space News

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