O show aéreo realizado no Oregon este ano contou com a presença dos Red Arrows, que estão realizando uma turnê pela América do Norte. (Foto: Bernardo Malfitano / Cavok Brasil)

O estado norte-americano do Oregon não é muito conhecido entre a maioria dos brasileiros. Localizado entre Seattle e São Francisco, contem as sedes de companhias como a Nike e a Intel. Pilotos de aviões monomotores sabem que no Oregon são desenvolvidos e fabricados os kits e aviões da Van’s Aircraft e, até recentemente, da Lancair. Mas é de lá que trazemos mais uma cobertura de show exclusiva, como sempre “pelas lentes do Cavok”.

Mike Wiskus passa em voo rasante enquanto ao fundo está o 747 da Evergreen no museu criado pela companhia aérea. (Foto: Bernardo Malfitano / Cavok Brasil)

O mais famoso avião do Oregon é o Hughes H-4, apelidado de “Spruce Goose” por ter sido fabricado de madeira. É um verdadeiro gigante; Apenas o Stratolaunch tem uma envergadura maior. E tal como o Stratolaunch, o Spruce Goose voou apenas uma vez, na California. No inicio dos anos 90, a Evergreen Aviation – uma companhia com uma frota de aeronaves grandes e exóticas, como um Sikorsky Skycrane e vários 747s inclusive um que combate incêndios florestais – criou um museu no aeroporto onde era sediada, em McMinnville, Oregon, e construiu um prédio especial para exibir o Spruce Goose. O museu vem colecionando aviões raros dos anos 30, 40, e 50, todos em excelente condição e alguns que ainda voam. Durante os últimos 25 anos, McMinnville se tornou um dos lugares mais visitados por “avgeeks” do noroeste dos Estados Unidos. A popularidade levou o museu a crescer: Um segundo prédio foi construido, do tamanho do primeiro, mas cheio de helicópteros, jatos, e foguetes. Foi até criado um parque de água, Wings And Waves, com um escorregador que sai de um 747!

Boeing 737 da Alaska Airlines. (Foto: Bernardo Malfitano / Cavok Brasil)

Em 2019, McMinnville hospedou o Oregon International Airshow, um evento que chegou a atrair um dos mais famosos esquadrões de demonstração do mundo. Os Red Arrows estavam em seu tour pela América do Norte, o primeiro em mais de dez anos, e só voaram em três airshows na costa oeste do continente. O Oregon International Airshow foi um deles.

Joe Shetterly e seu RV-8. (Foto: Bernardo Malfitano / Cavok Brasil)
Reny Price e seu Su-29. (Foto: Bernardo Malfitano / Cavok Brasil)
Greg Howard e seu Giles 202. (Foto: Bernardo Malfitano / Cavok Brasil)
Steve Stavrakakis e seu IAR-823. (Foto: Bernardo Malfitano / Cavok Brasil)

O airshow também incluiu vários pilotos acrobáticos: Mike Wiskus em seu Pitts, Renny Price num Sukhoi Su-29, Greg Howard no Giles 202 que ele próprio montou, Elias Corey em seu Extra 300, Steve Stavrakakis em seu IAR-823, e Joe Shetterly com um belíssimo RV-8. Aviões bem diferentes, com orígens ao redor do mundo, mas todos impressionaram o público.

Hayden Profit também impressionou, com o Smoke’N Thunder, um caminhão com dois motores J34, “reciclados” de um T-2 da US Navy. O caminhão “apostou corrida” com dois dos aviões acrobáticos, e mesmo começando do zero, conseguia alcançar os aviões novamente, antes de chegarem ao fim da pista.

Embraer E175 da Alaska Airlines. (Foto: Bernardo Malfitano / Cavok Brasil)

A Alaska Airlines marcou presença com um 737 e um E175. Nos Estados Unidos, é extremamente raro ver aviões comerciais em airshows. Foi emocionante ver aviões tão grandes voando tão baixo e rápido – e ver um avião brasileiro sendo demonstrado entre jatos como o F-35 e os Red Arrows, na frente do gigante prédio onde fica o Spruce Goose.

O Olympic Flight Museum – que tem esse nome por ficar na cidade de Olympia – tem uma excepcional coleção de helicópteros da guerra do Vietnam. Trouxe dois para o airshow: Um AH-1 Cobra e um UH-1 Huey. O “whup-whup-whup” do Huey é clássico, usado em filmes e em programas de televisão para representar o som de quase qualquer helicóptero. E o AH-1 – o primeiro helicóptero de ataque – foi pilotado agressivamente, rolando 90 graus em curvas fechadas, e apontando diretamente para cima em manobras verticais.

Jeff Bourboon e seu Yak-110. (Foto: Bernardo Malfitano / Cavok Brasil)
Matt Younkin no Beech 18. (Foto: Bernardo Malfitano / Cavok Brasil)

Para os fans de Oshkosh, três pilotos inesquecíveis são Matt Younkin, Sean Tucker, e Jeff Boerboon. Todos os três vieram para McMinnville. Matt Younkin pilota um Beech 18 preto e vermelho, fazendo vários barrel rolls e soltando muita fumaça. Jeff Boerboon é um dos criadores do “Yak-110”: dois Yak-55s conectados pela asa e pelo estabilizador horizontal, com um motor a jato adicionado ao meio, resultando em uma agilidade impressionante e um barulho que mal faz sentido. E Sean Tucker, é claro, é uma das “living legends of aviation”, considerado o melhor piloto acrobático dos Estados Unidos. Seu biplano vermelho, o Oracle Challenger, daqui há alguns meses será doado ao Smithsonian Air & Space Museum. Enquanto isso, Sean voa com uma parceira, a Jessy Panzer, em um Extra 330 também patrocinado pela Oracle. Cada um executou radicais manobras solo, e então voaram juntos em uma coreografia sincronizada,

A US Air Force então demonstrou seu mais novo jato, o F-35. O Joint Strike Fighter é impulsionado pelo motor mais potente da história da aviação de caça, e controlado por um sistema fly-by-wire não-linear que ajuda o avião a fazer exatamente o que o piloto comandar, em qualquer atitude e ângulo de ataque. A combinação de velocidades quase-supersônicas, de curvas de 9g, de ângulos de ataque incrivelmente altos, e do ruído feito por 43,000 libras de empuxo, não foi igualada por nenhum outro avião no airshow. O vôo do Joint Strike Fighter for encerrado por um Heritage Flight, junto com um P-51. O Mustang veio do Heritage Flight Museum, em Skagit, que pertence a Bill e Greg Anders. Bill Anders foi um dos astronautas do programa Apollo, e tirou a famosa foto Earthrise. Seu filho Greg pilotou o P-51.

Para fechar o show; a razão pela qual muitos avgeeks viajaram centenas de quilômetros: Os Red Arrows, o esquadrão de demontração da Royal Air Force. Em seus nove Hawks, mantiveram precisas formações através de loopings, rolls, e curvas de 360 graus, às vezes até transicionando de uma formação para a outra durante uma manobra. Então se separaram em um grupo de cinco – que continuaram em formação – e quatro outros pilotos que cruzavam, atravessavam, ou voavam em volta do grupo de cinco. A precisão, coordenação, e energia dos pilotos eram impressionantes, uma habilidade que realmente poucos no mundo têm – e que nós tivemos sorte de ver, no Oregon International Airshow.

Para os brasileiros e outros viajantes que se encontrem no noroeste dos Estados Unidos, McMinnville merece uma visita. No mínimo, vale a pena ver o Spruce Goose, um avião tão inacreditavelmente grande que os caças e biplanos ao seu redor parecem brinquedos… num museu cuja coleção contém outras raridades como um MiG-23, MiG-29, X-38, e A160. Mas tente marcar a visita para setembro, para que também possa ver o Oregon International Airshow, que sempre atrai alguns dos melhores pilotos do mundo – como os Thunderbirds, Snowbirds, e Blue Angels. Veremos se, ano que vem, esse evento continuará a se manter entre os melhores airshows do Pacific Northwest.

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1 COMENTÁRIO

  1. Belas fotos e parabens Bernado, um airshow, sempre que possivel, tem q ser apreciado sem moderaçao.

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