Os Estados Unidos é a nação que detém o melhor conhecimento a cerca da Exploração Espacial. Em que pese o fato de na atualidade não possuírem uma nave tripulada, ainda assim eles são os provedores da tecnologia espacial, mas a sua Agência civil – NASA – parece não ter um objetivo.

No início, o objetivo era chegar a órbita da Terra. Foi um tremendo e terrível choque para os norte-americanos quando a União Soviética pôs em órbita o Sputnik, o primeiro satélite artificial da história. “Quem põe um satélite, põe uma ogiva no Espaço”, pensavam os militares. Desde então os EUA tinham um claro objetivo: vencer a URSS na conquista do Espaço.

A Era Kennedy (1961 – 1963) foi a mola impulsora que o programa espacial norte-americano precisava. Com o desafio de levar o Homem à Lua, a tecnologia de todos os setores evoluiu a passos largos. De computadores a tecidos, tudo evoluiu e a sociedade norte-americana moldou o mundo. Finda a conquista da Lua, com a esmagadora e incontestável vitória sobre os soviéticos, a NASA conheceu a sua primeira derrota com o cancelamento do programa Apollo. Duas naves, dois foguetes e dois módulos lunares estavam prontos, mas não havia mais fundos para enviá-los a Lua. Nascia o programa Skylab, fazendo uso dos restos do programa Apollo.

Entre 1975 e 1980, as melhores fábricas de aviões dos EUA estavam trabalhando num novo veículo de acesso ao Espaço, era o Ônibus Espacial, a primeira nave reutilizável da história, mas o financiamento para este veículo fora aprovado pelo Congresso dos EUA com uma pequena margem de votos. Não havia unanimidade sobre tal, mas sobrava contestação.

Quando a nave espacial reutilizável Columbia voou em 1981, recolocou a NASA no rumo. Agora ela tinha os meios e o que fazer no Espaço. O dinheiro não jorrava como no programa Apollo, mas o que chegava era mais do que suficiente. O Shuttle foi um sucesso. Mesmo com duas perdas, foi a melhor nave já construída. Capaz de levar 7 astronautas e 30 ton de cargas a 1 000 km de altitude! Mas tudo tem seu custo. Era complexa, cara de operar e manter e ficou mais cara quando em 1989 a URSS ruiu de podre. O fim da Guerra Fria fechou as torneiras da NASA. Manter o space shuttle ficou muito caro e a NASA conheceu sua segunda grande derrota.

Os ônibus espaciais montaram a Estação Espacial Internacional. Não fosse isso e, talvez, tivessem sido aposentados bem antes de 2011. A NASA passou então a depender das vetustas cápsulas Soyuz, uma tecnologia da Era soviética. Somente em 2000 é que essa nave deixou de ser analógica! Desde então a NASA vem remando, projetando uma nova nave de acesso ao Espaço.

Com um orçamento limitado e políticas governamentais confusas, a nave Orion – que lembra muito uma proposta do início dos anos 1970 da Grumman para uma cápsula Apollo modernizada – está pronta e no momento passa por testes pré voo, devendo realizar seu primeiro voo tripulado entre 2021-2023. Esta nave será capaz de levar de 2 a 6 astronautas e permanecer em voo durante 21 dias, mas ela não passa de uma cápsula, de uma nave dos anos 1960, só que agora reutilizável.

A NASA também está para receber um novo foguete, chamado de SLS (Space Launch System) e que será maior e mais poderoso que o Saturno V do programa Apollo. Mesmo assim, o SLS é fruto do cancelamento do programa Constellation, que visava o retorno a Lua (com direito a pouso) antes de 2020.

O governo do Presidente Obama definiu uma política confusa para a Agência espacial, praticamente não definindo nada e cortando verbas.

Mas a males que vem para bem. Nesse meio tempo surgiu os chamados “milionários do Espaço”, empresários com vultosas fortunas capazes de bancarem o acesso a órbita da Terra por empresas privadas.

Os EUA são detentores da tecnologia espacial. A mão de obra é qualificada. Se a NASA fecha portas e corta postos de trabalho, essa mão de obra logo é absorvida pela iniciativa privada. Empresas como a SpaceX, Blue Origin e Boeing podem hoje oferecer meios de acesso ao Espaço para a NASA! A SpaceX já envia cargas a estação espacial e prepara-se para colocar em vôo sua versão tripulada da cápsula Dragon. A NASA ficou sem rumo, mas a iniciativa privada o espaço vazio.

Agora com a administração Trump, a Agência foi colocada contra a parede. O Congresso dos EUA exigiu uma analise realística da situação: pode a NASA sobrevoar de forma tripulada Marte antes de 2030? Os administradores da Agência não estão confiantes e fontes dizem que com o orçamento atual, não será possível antes de 2040. Cresce dentro do governo Trump dois objetivos: o fim da dependência das naves russas para ir ao Espaço e foco no envio de sondas robóticas aos mais diversos cantos do Sistema Solar.

A NASA insiste que para chegar a Marte é preciso desenvolver o conhecimento sobre o Espaço profundo e isso passa por uma estação espacial ao redor da Lua, algo que parece bem lógico. Mas com a atual política é bem provável que a primeira nave tripulada a circundar a Lua, desde a Apollo 17 em 1973, seja uma nave privada com dois turistas a bordo em 2019, bem como o retorno de astronautas americanos em uma nave fabricada nos EUA seja por uma nave privada.

A NASA e o governo dos EUA precisam urgentemente de um objetivo. O Mundo e a Ciência agradecem.

13 COMENTÁRIOS

  1. É retrocesso. Lamentável retrocesso. Não como a bateção de bumbo dos lobbies da indústria, mas o fato de que a tecnologia espacial impulsionou de forma definitiva o mundo que conhecemos hoje. NADA que esteja a nosso redor neste momento (podem olhar) deixa de ter alguma influência ou tecnologia herdada do salto brutal que EEUU e URSS deram nos anos 1950 a 1970. NADA.
    Os EEUU podem se reerguer com o apoio da iniciativa privada e com um governo real, que não aja em nome de interesses pontuais, sem agendas. CLARO que um voo tripulado a Marte não é o objetivo de vida de um povo, mas a busca do conhecimento e da melhor técnica, é. O dollar gasto na exploração espacial dos anos 1960 e 1970 virou centenas de dollars na economia do planeta. É este o foco: tecnologia.

  2. Parabéns pelo texto, Giordani!! Este marasmo atual da NASA acaba criando a situação absurda que tu mesmo descrevestes em outro texto, quando os jovens especialistas precisaram trabalhar com os foguetes do Saturno V para reaprender a fazer novos foguetes!! É a lei do uso e desuso, engavetando tecnologias avançadas, justamente por não serem mais utilizadas.

    Por outro lado, concordo que a tecnologia aeroespacial esteja presente em nossa vida diária, num sem-número de produtos. E é exatamente por isso que a manutenção da sua pesquisa, na solução de novos desafios espaciais, é imprescindível. Do velcro à célula de combustível, tudo isto está aí hoje graças aos desafios de enviar máquinas e homens ao espaço.

    Muito já se falou que os novos desafios do espaço somente serão vencidos com uma união internacional de esforços, exatamente pelos custos astronômicos envolvidos, com o perdão do trocadilho. A própria ISS é um exemplo desta afirmação.

  3. ainda é muito caro pra alcançar orbita baixa, e isso se deve a tecnologia arcaica dos foguetes, para a exploração do espaço ser rentável novos meios de se alcançar o espaço é necessário, e o mais promissor dele é o SKYLON com seu motor SABRE, a partir dele naves espacias com motores eletricos, velas solares, ou nucleares, poderão levar a humanidade longe com uma maior eficiencia e custos mais baixos

  4. Não houve retrocesso algum, porque o homem nunca esteve na Lua, tudo não passou de uma vasta operação de propaganda da guerra fria.

    Será que as pessoas não se perguntam porque após 58 anos da operação Apollo, nenhum ser humano foi enviado a mais de 584 km de distancia da superfície Terra?

    E estes 584 km foram um recorde distancia em missão de 1998! Onde os astronautas do "Ônibus Espacial" se queixaram de mal estar e distúrbios visuais provocados pela radiação, foram uma única vez nesta altitude…Todas as outras missões tripuladas na órbita terrestre se deram na faixa de altitude das 200 e poucas milhas.

  5. Os estadunidenses se acomodaram por achar (e fazer o mundo todo acreditar também) que eles haviam vencido a "corrida espacial". Ora, numa corrida em que não há linha de chegada, ninguém vai ganhar nunca. A China vai chegar em Marte antes. Eu acredito.