A histórica pista em Cabo Canaveral, carinhosamente chamada de “a pista a beira do Amanhã“, recebeu aprovação da FAA para lançar aviões espaciais e foguetes de lançamento aéreo.

O espaçoporto de Cabo Canaveral não será agora apenas constituído de plataformas de lançamento. O famoso local também tem uma pista de 4.500 m, que já presenciou mais de 130 pousos do Ônibus Espacial, que chegaram ao fim em 2011, mas agora, sete anos depois, a pista está aberta para negócios comerciais. No dia 8 de novembro a FAA emitiu uma licença de lançamento espacial para as operações no local.

A pista, por enquanto ainda chamada de Shuttle Landing Facility (SLF), é um símbolo da Era do voo espacial com o Ônibus Espacial e agora está se tornando um centro importante do Futuro. Desde 2015, a pista, a torre e outras peças foram operadas pela Space Florida, a autoridade de desenvolvimento do espaçoporto do estado da Flórida.

A Space Florida está trabalhando nesta licença desde dezembro de 2015. Com a aprovação da documentação pela a FAA, o espaçoporto de Cabo Canaveral poderá apoiar as operações de aeronaves que transportam foguetes lançados por via aérea.

Existem inúmeras empresas trabalhando nesses sistemas, incluindo a Pegasus da Northup Grumman, a Stratolaunch da Vulcan Systems, a Launcher One da Virgin e o Spaceship 2.

James Mofitt, gerente do SLF, disse que os aviões espaciais de órbita direta – aqueles que decolam de uma pista e cruzam diretamente no Espaço suborbital sem usar um lançador* – são cobertos pela licença. A empresa mais conhecida que oferece este tipo de espaçonave foi a XCOR, que desistiu no início deste ano, mas o espaçoporto quer estar pronto para desenvolvimentos futuros.

Para obter uma licença, um espaçoporto deve ter uma ideia de que tipo de veículos eles hospedarão. A licença deve listar os parâmetros de um voo em potencial, cujos detalhes os candidatos devem ter o mais amplo e abrangente possível.

Com cada novo veículo potencial de lançamento de nossas instalações, temos que avaliar para ver se ele se encaixa nos parâmetros de como conseguimos nossa licença”, disse Mofitt.

Autoridades da Space Florida reconheceram que a nova licença não cobre pousos, mas dizem que estão trabalhando nisso. Os desembarques são tão importantes quanto as decolagens em termos de desenvolvimento econômico. O lançamento de experimentos de Cabo Canaveral é ótimo, mas aterrá-los significa que as empresas estão instalando laboratórios e instalações no parque industrial vizinho, localizado na Flórida.

Uma das principais preocupações, e também um dos aspectos mais demorados da solicitação de uma licença, são as revisões ambientais. A lista de considerações inclui o armazenamento de combustível de foguetes, a eliminação de águas residuais, o ruído ao longo das rotas de voo e o impacto potencial de um acidente de lançamento ou outro acidente. A Space Florida diz que eles e a FAA revisaram mais de 400 comentários de agências como a NASA, a Força Aérea, o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA e o Serviço Nacional de Parques.

Adicionando várias aeronaves no espaço aéreo local foi uma área crítica de discussão. “A principal diferença quando esta instalação foi usada para o Shuttle foi que era um programa do governo”, diz Mofitt. “O governo tinha controle tota, e as autoridades poderiam dispensar muitos processos se precisassem. Mas para nós, comerciais, a FAA e o Office of Space Transportation explicam o que precisamos fazer”.

O espaçoporto precisou obter cartas de acordo com autoridades locais de tráfego aéreo, aeroporto próximo e do Pentágono, que dizem que essas partes trabalharão juntas para facilitar as operações de lançamento.

A licença custa “alguns milhões de dólares”, mas esse valor inclui o trabalho que está sendo feito para credenciar um site secundário. Mofitt aponta para a grande quantidade de empresas de lançamento espacial que estão entrando em operação.

Esta licença cria um grande concorrente no mundo do espaçoporto. Existem inúmeros aeroportos que estão obtendo licenças para co-operar aviões de lançamento de foguetes, incluindo vários locais no Texas e um novo no Colorado.

Uma diferença entre nós e um espaçoporto que está atrelado ou co-localizado em um aeroporto é que não temos o mix de tráfego de aviação comercial ou geral”, diz Mofitt.

Com sua história, sólido apoio do estado da Flórida, e agora uma licença em mãos, o Space Florida será um local a ser batido pelos concorrentes.

Gostaríamos de pensar que você pode fazer tudo aqui“, disse o vice-presidente da Space Florida, Dale Ketcham. “Então, por que falar com Virginia, Texas, Novo México, Califórnia ou Alasca?


FONTE: Popular Mechanics 


NOTA DO EDITOR: *Ainda não existe uma aeronave capaz de decolar por seus próprios meios, voar no Espaço suborbital e pousar. Ainda…

NOTA DO EDITOR²: Espaçoportos na linha do equador serão um grande negócio e gerarão milhares de empregos.

NOTA DO EDITOR³: Os EUA estão se preparando – e pavimentando o caminho – para uma nova Era no transporte comercial. Enquanto isso, num certo país que possui a melhor localização para receber espaçoportos, discute-se sobre quilombolas e entreguismo…

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9 COMENTÁRIOS

  1. Lá também tem comunidades de quilombolas para melar o projeto? É só uma pergunta.

    • Tem reservas indígenas apenas. No fim das guerras indígenas no final do século XIX, elas foram negociadas e acabou.

      Não caíram nessa história de quilombo.

      Hoje 13 porcento do território brasileiro está entregue a menos de 1 porcento da população e ainda acham pouco.

  2. Vejo o Brasil com potencial de prestação de serviços no lançamento e até com foguete lançador próprio.

    Não é nenhum bicho de sete cabeças, desde que seja um programa civil.

  3. Infelizmente para o Brasil, a humanidade prescinde de nosso senso de oportunidade, vanguardismo e inovação…

    Esse boom no setor aeroespacial nos EUA não nasceu de subsídios, crédito farto ou grandes licitações dirigidas aos mesmos concorrentes de sempre. Foi justo o contrário, empresas de tecnologia perceberam a letargia e incompetência da ULA e aproveitaram para se posicionar no mercado com propostas inovadoras e soluções inéditas. Após, governadores se atentaram para essa 'revolução' tecnológica e, para garantirem um futuro para seus Estados, competem exaustivamente por essas empresas. Resultado, tem gente fazendo lançamento na Virgínia e até no Alasca.

    De que adianta localização geográfica se o contratante não tem certeza se cumprirá prazos, se há segurança na base e para seus equipamentos, etc. Fico imaginando quanto custariam licenciamentos ambientais para cada lançamento…

  4. E olha que tem pretensos “ descendentes de canadenses” que dizem que a China já está liderando a indústria aerospacial…

  5. Sabiamente os americanos abriram a exploração do espaço para a iniciativa privada. Quando a NASA anunciou o fim da era dos Space Shuttles, parecia o fim, parecia ter morrido aquele glamour da guerra fria, porém o que vimos foi surpreendente, um salto importante foi dado, aparecerem alguns visionários e seus foguetes retornáveis que simplesmente voltaram a encantar e fazer acreditar que o espaço é 'logo alí'. Bendita seja a iniciativa privada e seus visionários empreendedores.

  6. Enquanto novas tecnologias de propulsão, mais eficientes e baratas, não forem totalmente desenvolvidas, ir ao espaço continuará uma tarefa cara e concentrada nas mãos de poucos.

    Passados 60 anos de viagens espaciais, infelizmente ainda estamos presos aos conceitos da Terceira Lei de Newton e do duo combustor/comburente.

  7. Espaçoporto de Alcântara será o primeiro do hemisfério sul.

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