Pilotos e membros da equipe de manutenção da Turquia posam junto a um dos F-35 destinados para Força Aérea Turca, na Base Aérea de Hill.

Depois de interromper a entrega de peças no início de 2019, o Pentágono agora está considerando suspender o treinamento de pilotos turcos no F-35 em mais um episódio da disputa entre os Estados Unidos e a Turquia a respeito da aquisição do sistema russo S-400 por Ancara.

Quatro pilotos turcos estão atualmente passando por um ano de treinamento na Base Aérea de Luke, Arizona, e 37 técnicos já estão qualificados para a manutenção do caça furtivo. Mas de acordo com fontes próximas ao assunto citado pela Reuters, o Pentágono poderia suspender todo o treinamento do pessoal turco, sem especificar se a medida seria temporária ou definitiva.

Isso ocorre depois que a informação foi divulgada pelo ministro da Defesa, Hulusi Akar, de que os militares turcos já estavam recebendo treinamento na Rússia para a operação do sistema de defesa antimísseis S-400. Além disso, especialistas russos são esperados na Turquia para instalar alguns desses sistemas “nos meses seguintes”, disse Akar à mídia local Habertürk.

Em abril de 2019, o Pentágono anunciou que as “entregas e atividades” relacionadas à capacidade operacional do F-35 turco seriam suspensas até que a entrega da S-400 fosse cancelada. Apesar dos vários ultimatos dados por Washington, a venda parece estar em andamento.

O Major Halit Oktay, primeiro piloto turco a voar no F-35.

Um contrato foi assinado entre a Rússia e a Turquia em dezembro de 2017 para dois dos sistemas. A arma anti-míssil e anti-aérea não tem interoperabilidade com outros sistemas da OTAN. A aquisição pode levar a sanções dos Estados Unidos, já que a Lei para Conter a Ameaça Russa na Europa e Eurasia de 2017 proíbe qualquer país de adquirir armas de certas empresas russas.

Dias antes dos primeiros F-35s previsto para a Turquia sairem das linhas de montagem da Lockheed Martin, o Comitê de Serviços Armados, parte do Senado dos Estados Unidos, pediu que o Departamento de Defesa considerasse o efeito da remoção da Turquia do programa na linha de produção do F-35.

A entrega dos caças furtivos Lockheed Martin F-35 encomendados pela Turquia pode ser temporariamente suspensa se o novo projeto de lei de defesa dos EUA for aprovado pelo Congresso. Enquanto isso, o Departamento de Estado tenta convencer Ancara a comprar seu sistema de mísseis Patriot em vez dos S-400s russos.

Em 2002, a Turquia foi o sétimo país a entrar no programa Joint Strike Fighter, como parceiro de nível 3. Desde então, investiu mais de US$ 200 milhões no projeto. Várias empresas turcas participaram, sendo a Turkish Aerospace Industries a fornecedora da Northrop Grumman para as portas do compartimento de armas do F-35. A remoção da Turquia interromperia a cadeia de fornecimento e levaria a atrasos na entrega e custos adicionais.

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16 COMENTÁRIOS

  1. Tem gente que ainda acha que a Turquia vai ficar com esses caças…

  2. Imagina a M, um operador de S-400 e ao mesmo tempo F-35, em tese saberia dos pontos fracos e positivos de cada um. A Turquia tem mais a perder se ficar com S-400 do que F-35.

    Mas quem se INFORMA, sabe muito bem que os EUA da uma nerfada em seus equipamentos quando vende para seus aliados, duvido que esses F-35 tenha as mesmas capacidades que os operados pelos EUA.

    • Quem que se garante com o F-35 geralmente são aqueles que já possuem empresas dedicadas à aviônicos avançados, como a BAE dos britânicos e Elbitsystem e Rafael dos israelenses. O resto que depende diretamente dos EUA mo fornecimento de eletrônicos estão em uma posição muito complicada. Realmente duvido muito, por exemplo, que os F-35 coreanos estejam no mesmo nível dos japoneses. Coréia está sofrendo com a transferência de tecnologia do radar do F-35, enquanto o Japão foi o primeiro país a instalar um AESA em um caça.

    • Parceiros nível 3 recebem o caça Export normal. Só EUA e grã Bretanha que são parceiros nível 1 recebem o caça "integral" parceiros nível 2 como os integrantes originais recebem um meio termo

      • Tu não entendeu, já foi provado A por mais B, que os EUA, vendem equipamentos capados ou até mesmo inúteis!

    • Acho que cada um recebe pelo que está pagando. Não da pra entregar uma mesma aeronave pra alguém que investe 1 bilhão e outra que investe 200 milhões.

      • ???? O que tem a ver alhos com bugalhos?

        Investimento é diferente de comprar!

        • O desenvolvimento foi pago pelos países do consórcio.

          Desde a assinatura do primeiro protocolo, a Turquia sabia o nível de acesso que teria.

          É justo que os EUA tenham acesso a tecnologias que a Turquia não terá, pois pagou pelo desenvolvimento dela.

          • Preciso ficar desenhando para entender… há alguns anos atras, a FAB comprou misseis dos EUA, testes feitos aqui, mostraram que os misseis eram inúteis! Tambem comprava sensores dos EUA, mas o que chegava aqui era inferior ao modelo escolhido.

            Estou falando de CAPAR o equipamento! Qual foi o país que pegou o F-35 mandando dados para os EUA? Não duvido que coisas piores tem no F-35 da Turquia.

            • Míssil americano comprado pela FAB?

              O último míssil ar-ar americano comprado pela FAB foi o Aim9B.

              Aim9B é ineficiente como todos os mísseis dessa geração.

              Vamos parar de inventar.

            • Qualquer equipamento militar, principalmente os americanos têm diferença nos modelos usados nos EUA e países aliados. Tudo segue regras de tecnologias que podem ser exportadas e principalmente no que o país comprador quer pagar. E como o amigo Eduardo disse, compra quem quer. Se os equipamentos americanos fossem tão capados e inferiores aos que foram pedidos acredito que não estariam na lista como o maior exportador de armas do mundo.

        • Sobre comprar: quem vende, vende o que quer. Quem compra, compra se quiser.

          O que é necessário é que as regras sejam claras.

  3. A Turquia foi um importante aliado no passado para barrar a tentativa de expansão sovietica na regiao, sendo apoiada, junto com a Grecia, pela Doutrina Truman, e em 1952, entrou na OTAN após combater com os aliados na Coréia. Porém era uma aliança ilusória sustentada pelas convicções de Mustafá Kemal, que era contra o radicalismo islâmico e o califado, e acreditava que a ocidentalização era o caminho para a consolidação do novo estado turco, assim como Reza Pahlavi pretendia o mesmo em relação ao Irã. Mas os povos destes países continuavam e continuam enraizados em suas identidades seculares árabes.
    O fato é que os persas, otomanos e sarracenos jamais tiveram e jamais terão qualquer afinidade com o ocidente, e as magoas em relação às cruzadas ainda resistem.
    A Turquia quer se posicionar como uma espécie de Líbero, que joga livre em todas as posições, de acordo unicamente com seus interesses unilaterais. Não é e nunca sera confiável.
    Se sair da OTAN, os russos lucrarão com vendas e uma nova aliança, durante um tempo, até que os turcos decidam mudar de lado de novo.

  4. Vai acabar ficando sem o F-35, removida do programa e os EUA vão dar um jeito a curto/médio prazo de encontrar fornecedores substitutos.
    E a Turquia vai terminar com o S-400, acho que essa não tem mais volta.

  5. EUA tentam convencer os turcos a comprarem o Patriot, em vez do S-400. Agora? E com pessoal americano operando ad aeternum (ninguém parece saber desse detalhe)? Aí não é aquisição, é pagamento de prestação de serviços de segurança…

  6. Se a coisa escalar, a utilização da base de Incirlik pode ser ameaçada. As implicações disso para o Oriente Médio serão profundas.

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