Para substituir jatos Mitsubishi F-2 (foto acima), o Japão poderá ter a sua disposição as informações confidenciais sobre o F-35.

Os Estados Unidos propuseram repassar alguns dos detalhes ultrassecretos de seu jato F-35 de última geração para o Japão, para incentivar o desenvolvimento conjunto de uma aeronave que substituirá o caça F-2 da Força de Autodefesa Aérea do país (JASDF).

De acordo com o jornal Yomiuri Shimbun, a JASDF também possui alguns F-35s. O plano dos EUA, que foi proposto ao Ministério da Defesa, abriria as portas para um jato sucessor desenvolvido em conjunto, baseado no F-35 e em outros caças, que seria um dos melhores caças do mundo.

De acordo com fontes do governo japonês, os Estados Unidos indicaram a disposição de divulgar detalhes confidenciais sobre o software instalado na estrutura do F-35 para controlar peças, incluindo o motor e os mísseis. Se o software do F-35, atualmente mantido exclusivamente pelo lado americano, for desviado para a aeronave sucessora F-2, os Estados Unidos divulgarão o código-fonte para o lado japonês.

Se o desenvolvimento conjunto continuar, os Estados Unidos supostamente estão preparados para permitir que componentes fabricados no Japão sejam substituídos por peças fabricadas nos EUA que devem ser usadas no sucessor do F-2. Se essas propostas se materializassem, ampliaria o escopo para as empresas japonesas participarem do desenvolvimento da aeronave.

Os governos japonês e dos EUA começaram a discutir seriamente a proposta dos EUA no final de março. O governo japonês pretende decidir sobre o andamento do desenvolvimento da aeronave, incluindo a aceitação da proposta dos EUA até o final deste ano.

A JASDF tem cerca de 90 jatos F-2, que o Japão e os Estados Unidos desenvolveram em conjunto. Os antigos F-2 estão programados para serem aposentados a partir do ano fiscal de 2035. No mais recente Programa de Defesa de Médio Prazo, o ministério declarou que “lançará um projeto de desenvolvimento liderado pelo Japão em um momento inicial com a possibilidade de colaboração internacional.”

Em julho de 2018, a principal fabricante americana de equipamentos de defesa, a Lockheed Martin propôs ao Japão o desenvolvimento conjunto de uma nova aeronave contendo os componentes eletrônicos do F-35 na fuselagem do avião F-22 avançado da Força Aérea dos Estados Unidos, amplamente considerado o melhor avião de combate do mundo.

De acordo com uma fonte do governo japonês, alguns funcionários do governo esperam que “a combinação do F-35 e do F-22 possa criar o jato mais avançado do mundo”. No entanto, o lado norte-americano não divulgou informações confidenciais sobre esses dois jatos de combate, gerando preocupações profundas de que qualquer projeto conjunto não ajudaria a alimentar as indústrias de defesa domésticas e que o Japão não poderia facilmente fazer quaisquer reparos, caso fossem necessários.

A disposição dos EUA para divulgar detalhes confidenciais sobre o F-35 tem como objetivo estimular o desenvolvimento conjunto do Japão-EUA do sucessor do F-2.

Os Estados Unidos têm um forte interesse no desenvolvimento do sucessor da F-2, um projeto no qual o Japão supostamente gastará cerca de 18 bilhões de dólares.

O governo britânico mostrou seu desejo de empreender um desenvolvimento conjunto com o Japão e propôs o fornecimento de informações confidenciais de alto nível para esse projeto. Os Estados Unidos aparentemente tomaram consciência desses movimentos por um “rival” pela atenção do Japão.

Com relação ao F-35, um dos quais recentemente caiu no mar perto da Prefeitura de Aomori, o Japão tem apenas duas opções: aceitar aeronaves concluídas dos Estados Unidos ou participar de sua montagem. Se a proposta mais recente realmente se concretizar, isso evitaria uma situação em que os Estados Unidos mantêm informações confidenciais relativas ao desenvolvimento de aeronaves em segredo e as empresas japonesas são impedidas de trabalhar no desenvolvimento. Pode-se dizer que a possibilidade de desenvolvimento conjunto Japão-EUA aumentou.

A elaboração de um sistema de gerenciamento de informações devido à implementação da Lei de Proteção de Segredos Especialmente Designados também levou a uma maior flexibilidade na atitude dos EUA sobre este assunto.


Fonte: The Japan News

10 COMENTÁRIOS

  1. Gostaria de ver os nipônicos com aeronave desenvolvida pela indústria local, com independência, e eles têem essa capacidade. Os custos são astronômicos, sabemos, e é onde essa proposta americana se encaixa como uma luva, o que provavelmente fará com que façam a opção de um caça conjunto.

  2. Quem se preocupa em estudar um pouco as FA e a situação japonesa entende que o Japão adota um misto de capacidade local e equacionamento de custos.

    Japoneses não fazem programas mirabolantes que normalmente saem de controle e destroem o orçamento. Mas TB não querem ser dependentes.

    Logo, adotam parcerias e recebem apoio em partes chave dos programas. O próximo caça nativo vai seguir a mesma linha.

    A adoção do código do F35 pouparia tempo e dinheiro e deve ser estudada.

  3. Ja até imagino um caça um pouco maior que o F-35, mas menor que o F-22, bimotor, com supercruise de 1.5 Mach, com a mesma carga do F-35 mas com alcance superior e com todos os sensores do F-35, talvez até com uma variante melhorada do APG-81.
    Combinando o quê a de melhor nos 2 caças.