af-1 (Cees-Jan van der Ende)
Marinha do Brasil, AF-1 Skyhawk / Foto: Cees-Jan van der Ende

Não, a Marinha do Brasil (MB) não tem a intenção de abandonar o Programa de Modernização das Aeronaves AF-1/1A (A-4KU Skyhawk), nem tampouco não houve qualquer oferta direcionada à MB, relativa aos Super Etendard Modernizados da Marinha Nacional da França.

A tese de que a MB poderia estar insatisfeita com a modernização dos Skyhawk, realizada pela Embraer, foi apresentada através de um artigo de autoria do jornalista Roberto Lopes, veiculado na coluna INSIDER do site Plano Brasil. Ainda de acordo com o referido jornalista, a Embraer e suas associadas estariam enfrentado dificuldades para modernizar as aeronaves, razão pela qual alguns oficiais da MB supostamente defendiam a tese de que era melhor abandonar a reforma dos AF-1 (A-4KU Skyhawk) e adquirir algumas unidades dos Super Étendard (SEM) que a França estaria disponibilizando. 

Considerando ser este um assunto de grande interesse na esfera da Defesa nacional, o Cavok solicitou à Marinha do Brasil um posicionamento geral quanto a esse processo. Segue abaixo a íntegra da resposta que obtivemos da corporação:


Senhor jornalista,

Em atenção a sua solicitação, participo a Vossa Senhoria os seguintes esclarecimentos:

A Marinha do Brasil (MB) não tem a intenção de abandonar o Programa de Modernização das Aeronaves AF-1/1A e, até a presente data, não houve qualquer oferta direcionada à MB, relativa aos Super Etendard Modernizados da Marinha Nacional da França.

O contrato de modernização das aeronaves AF-1/1A assinado em abril de 2009 entre a União, por intermédio da Diretoria de Aeronáutica da Marinha, e a Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A – EMBRAER, prevê o desenvolvimento e a incorporação da modernização de doze aeronaves AF-1/1A (SKYHAWK A-4), sendo nove aeronaves AF-1 (mono-posto) e três aeronaves AF-1A (bi-posto).

Este Programa de Modernização representa um grande salto de qualidade da aviação naval brasileira. Os equipamentos que estão sendo instalados representam o estado da arte em termos de aviônica e sensores. As capacidades incorporadas ao avião têm se demonstrado promissoras, no que diz respeito ao incremento da capacidade operacional da aeronave. A nova configuração da aeronave modernizada é aberta e permite a integração com diversos armamentos e sistemas, por se tratar de uma plataforma digitalizada. Seu software operacional foi inteiramente desenvolvido pela Embraer e poderá receber as atualizações que forem necessárias para futuras mudanças de configuração.

O Programa encontra-se em uma fase avançada, tendo cumprido praticamente por completo a etapa de desenvolvimento pela Embraer, tendo requerido um grande esforço da engenharia da empresa para adequar os novos equipamentos a uma plataforma já existente (desafios de arquitetura de aviônica, integração de armamentos e expansão das capacidades operacionais, entre outros). Em termos de custos, é na etapa de desenvolvimento que se encontram as maiores parcelas de investimento. Atualmente, o Programa encontra-se na fase de realização dos últimos voos de ensaio e de montagem dos aviões em Gavião Peixoto-SP, com previsão de entrega de mais duas aeronaves modernizadas ao Esquadrão VF-1, em 2016.

As dificuldades enfrentadas pela Embraer são decorrentes da complexidade do projeto e consideradas normais e inerentes a qualquer projeto de modernização de aeronaves de combate militares de alto desempenho. Face à atual conjuntura, há a possibilidade de redução do ritmo dos trabalhos, sem, no entanto, provocar interrupção ou descontinuidade no processo produtivo.

A aeronave AF-1 modernizada foi concebida para treinar e capacitar os pilotos da MB em um caça equipado com radar Multi Alvos / Multi Modos, RWR, HOTAS, Sistema de Armamento Integrado, Glass Cockpit, e ainda provisão para Data-Link.Apesar de serem aeronaves subsônicas, são dotadas de um radar que as capacitam a realizar operações aéreas em ambiente BVR (beyond visual range) e de um sistema de armas com capacidade para receber novos armamentos que poderão ser integrados através de atualizações de software e adaptações na aeronave. O sistema para lançamento de bombas foi aprimorado pela Embraer e é comparável ao dos Super-Tucano e A1-M, da Força Aérea Brasileira. Os aviões modernizados são totalmente compatíveis com as operações aéreas no Navio Aeródromo “São Paulo”. Quanto à questão logística (aquisição de sobressalentes e manutenção de motores), a MB tem conseguido superar as dificuldades, principalmente por se tratar de uma aeronave com uma história de sucesso, tendo operado em mais de dez países e atingido a marca de 2.960 aviões construídos, sendo empregada atualmente em três países (Argentina, Brasil e EUA).

 Atenciosamente,

FLÁVIO AUGUSTO VIANA ROCHA
Contra-Almirante
Diretor
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EDIÇÃO: Cavok

NOTA DO EDITOR¹: Aproveitamos a oportunidade para agradecer à Marinha do Brasil, nas pessoas do Capitão-de-Corveta Henrique Afonso Lima e do Contra-Almirante Flávio Augusto Viana Rocha, pela resposta que nos foi enviada.

NOTA DO EDITOR²: Considerar como NOTA DO EDITOR os três primeiros parágrafos do texto acima (em itálico), antes do início da resposta da MB.

NOTA DO EDITOR³: Fica mais uma vez evidente que alguns sites, juntamente com seus editores, agem de forma completamente irresponsável e sensacionalista, apresentando factoides ao público, incitando a uma percepção equivocada dos fatos e gerando discussões infundadas em torno de assuntos que merecem ser tratados com total seriedade. Mais ainda, fica mais uma vez evidente completa falta de decoro, ética, respeito e profissionalismo no trato com a informação, com as as instituições e corporações associadas ao evento, e acima de tudo à opinião pública. O Cavok repudia tais práticas.

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115 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns LaMarca, jornalismo responsável é isso! Infelizmente vivemos no Brasil um período de total leviandade com a informação. Chega ser engraçado, a primeira coisa que aprendemos nos cursos de Comunicação Social é ter responsabilidade com nossos conteúdos, justamente para evitar saias justas como essa.

    Mas aproveito o espaço para deixar a minha humilde opinião… A Briosa deveria tentar vender o projeto de modernização do AF-1, do jeito que está, para os Argentinos. Sinceramente, a situação da esquadra, seja dos meios de superfície ou dos aeronavais estão me lembrando um casamento falido, mantido apenas para não estragar as fotos no Facebook.

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