O Exército Brasileiro voltará a ter aeronaves de asa fixa depois de 76 anos, quando chegarem ao Brasil os aviões C-23B+ Sherpa.

O Exército Brasileiro assinou um despacho prevendo a compra de quatro aeronaves de transporte C-23B+ Sherpa que estavam estocadas no deserto nos EUA. O objetivo é melhorar o transporte logístico na região amazônica. Conheça um pouco mais sobre o avião que em breve reativará a aviação do Exército Brasileiro com aeronaves de asa fixa, que desde 1941, quando foi criada a Força Aérea Brasileira, não tinha aviões na sua frota.

O Comando Logístico do Exército (COLOG), por meio da Portaria Nº 067-COLOG, DE 4 DE AGOSTO DE 2017, aprovou a Diretriz de Iniciação do Projeto de Incorporação do Modal Aéreo na Logística Militar Terrestre na Região Amazônica – PROJETO MODAL AÉREO NA AMAZÔNIA e constituiu uma equipe que confeccionará o Estudo de Viabilidade do Projeto.

A Direção de Material, parte do Comando de Logística do Exército Brasileiro, recebeu os registros da Agência de Cooperação de Segurança da Defesa (DSCA) no âmbito do programa de Venda Militar Estrangeira (FMS) dos primeiros 4 aviões C-23 que estão a disposição do Brasil. As 4 aeronaves C-23B+ Sherpa selecionadas faziam parte da Guarda Aérea Nacional do Alasca, e tinham os números de cauda 93-1321, 93-1334, 93-1335 e 94-0310, conforme Documento Nº 14-021 contendo a autorização do Congresso dos EUA, e estavam armazenadas no AMARG desde 2014.

Segundo estudo do Exército Brasileiro, o custo de operação dessas aeronaves, para a realização da missão de ressuprimento dos pelotões de fronteira, se mostrou mais econômico que o uso de helicópteros na mesma função.

As quatro aeronaves adquiridas (segundo documento que pode ser acessado aqui) são:

O C-23B+ “93-1321”, um dos quatro aparelhos selecionados pelo Exército Brasileiro para a reativação de sua aviação de asa fixa.
O C-23B+ “93-1334”  fotografado durante a aproximação para o pouso é outro dos quatro aviões que fará parte da frota do modelo na Aviação do Exército. (Foto: n707pm)
C-23B+, o “93-1335” (Foto: Trevor Nelson)
O C-23B+ de número “93-0310”. 

A aquisição destes aviões tem por objetivo o melhor apoio às unidades de fronteira do Exército Brasileiro na Amazônia, ficando independente do uso de aeronaves da FAB. As aeronaves C-23s devem chegar no Brasil até 2020, e ficarão baseadas em Manaus. Não ficou definido se os aviões receberão melhorias.

Participaram também da avaliação feita pelo Exército Brasileiro os aviões norte-americano Sikorsky/PZL M-28, europeu Airbus (CASA) C212 e o canadense Viking DHC-6 Twin Otter. As células C-23B Sherpa escolhidas pelo Exército Brasileiro possuem mais de 30 anos desde sua fabricação, mas as células ainda tem 15 anos de vida útil.

Conheça o Short Sherpa C-23B+

Desenvolvido pela companhia Short Brothers de Belfast, Irlanda do Norte, o modelo 330 foi uma evolução de projeto, feita à partir do avião de transporte STOL Short Skyvan. Com a mesma seção transversal em forma de quadrado, porém com asas e fuselagem de maior comprimento, o Short 330 mantinha ainda boas características de decolagem e pouso curtos, porém com uma capacidade para transportar até 30 passageiros. A primeira versão comercial, entrou em operação em 1976.

O C-23 Sherpa, era um cargueiro equipado com piso reforçado, portas de paraquedismo, além de uma rampa traseira de carga. Essa versão militar fez seu primeiro voo em 23 de dezembro de 1982, tendo suas primeiras 18 aeronaves sendo encomendadas  pela USAF em março de 1983. Esses aviões foram distribuídos ao Military Airlift Comand – MAC (Comando de Transporte Aéreo Militar) para uso no Sistema Europeu de Distribuição Aérea (EDSA) que fazia o transporte de carga e pessoal entre as bases aéreas da USAFE (Força Aérea Americana na Europa). No serviço militar, o Short 330 foi designado C-23A Sherpa. O Sherpa C-23B era semelhante a variante “A”, porém com janelas na fuselagem. O Short C-23B+ foi criado substituindo a fuselagem traseira do modelo civil Short 360 (de empenagem única, convencional), pela fuselagem traseira dos modelos militares. São desta versão os C-23B+ que a Aviação do Exército irá operar.

Operacionalmente, os Sherpas foram inicialmente utilizados pela USAF, realizando as missões EDSA até o ano de 1990, quando os cortes de material após o fim da guerra fria atingiram diretamente essas missões.

Oito aeronaves inicialmente foram repassadas ao Exército dos EUA para avaliação e testes e, em 1988 um novo lote de C-23 Sherpa foi encomendado para substituir os veteranos  DHC-7 Caribou do inventário.

Quando o Exército dos EUA necessitou de mais unidades, após 1990, a linha de produção da Short Brothers já havia sido encerrada. A solução encontrada foi a compra de unidades civis do modelo Short 360, que tiveram suas fuselagens traseiras reconstruídas para o padrão militar, com a rampa de cauda e a deriva dupla, essa alteração deu origem à versão C-23B+.

Durante a Guerra do Iraque ente 2003 e 2011, os Sherpa do Exército Americano realizaram diversas operações de transporte neste teatro de operações, ligando as bases com transporte de pessoal e carga, semelhante ao trabalho realizado na Europa na década anterior.

Os C-23 Sherpa foram gradualmente substituídos pelos Alenia C-27J Spartan nas missões de transporte aéreo. Os Sherpa foram retirados de serviço completamente da linha frente e das unidades da Guarda Aérea Nacional em 2014, de onde foram enviados para as Unidades de Armazenamento (AMARG) para uma futura reutilização/venda.

Ficha Técnica Short C-23B+ Sherpa.

  • Tripulação: Três (dois pilotos e um engenheiro de voo/loadmaster)
  • Capacidade: 37 passageiros
  • Comprimento: 17.7 m
  • Envergadura: 22.8 m
  • Altura: 5.0 m
  • Área da Asa: 42.4 m²
  • Peso Vazio: 7.276 kg
  • Peso Máximo de Decolagem: 11.610 kg
  • Motorização: 2× Pratt & Whitney PT6A-65AR turbohélice, potência de 1.424 shp cada

Desempenho:

  • Velocidade Máxima: 468 km/h
  • Velocidade de Cruzeiro: 422 km/h
  • Alcance: 1.907 km
  • Teto de Serviço: 5.303m

 

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28 COMENTÁRIOS

  1. Aquisição das aeronaves é mole.

    Tem que ter piloto, mecânico, estoque de peças e um local pra revisão.

  2. Que bichinho feio!
    Mas se o EB chegou a conclusão que essa era a melhor opção para o que eles precisam, quero acreditar que seja mesmo.
    Cumprindo a missão é o que importa, para a Amazônia tá de bom tamanho, para aquelas bandas tem que ser um jipe com asas mesmo.
    Quando eu tiver um tempo sobrando vou pesquisar sobre esse brucutu.

      • Releia o comentário com atenção, se ainda assim não entender peça ajuda a um adulto.
        Não disse que ele precisa ser bonito, disse que precisa cumprir a missão, e ponto.
        Já entendi, vc ficou magoadinho pelo que escrevi no outro comentário não é? Quantos anos vc tem 12,13??

  3. Excelente escolha do EB, e sinceramente espero que esta aeronave seja a primeira de uma série de aeronaves para o EB. Somente uma ressalva quanto ao número pequeno de Sherpas. Poderiam serem mais aeronaves.

    • Acho que de início 4 células tá de bom tamanho, tendo em vista que elas possuem apenas 15 anos de vida ainda…
      Guardar dinheiro para investir em algo melhor mais adiante, como o C-212, Spartan ou a linha de pequeno porte da Airbus

  4. Excelente compra, investimento baixo para um bom retorno, incorporando uma capacidade que nem a FAB com seus Caravan conseguem suprir hoje.

  5. Então as aeronaves não são mais produzidas desde inicio dos anos 90, se o EB quiser trocar um "parafuso" terá que procurar no AMARG ou por versões civis?

    • A Elbit dos EUA, filial da israelense é a responsável por suprir os Sherpa depois do fechamento da linha de fabricação dos aviões Short na Irlanda e é ela que fará a revitalização destes aviões estocados e fará alguma atualização do que for preciso se o EB realmente comprar.
      Este é o cockpit do Super Sherpa, pode ser que necessite de alguma atualização dependendo dos anos que o EB pretenda operar.
      . http://www.airliners.net/photo/USA-Army/Short-C-23B-Sher...

  6. Boa compra,e capricho de matéria,fotos dos exatos aparelhos comprados.

  7. Eu tinha feito uma postagem onde sugeria que a capacidade do C-23B+ Super Sherpa era de 37 passageiros, depois tirei porque poderia estar errado e vi agora que o CAVOK mudou para 37 passageiros.
    Eu mesmo estou em dúvida sobre a capacidade do Super Sherpa, posso os ter induzido a um erro.
    Vejam o seguinte:
    .
    O Short 360 que é um 330 alongado 3 metros leva de 36 até 39 passageiros em alta densidade(apertados) em vez de 30 passageiros do Short 330. Este é seu interior:
    . http://www.airliners.net/photo/Pacific-Coastal-Airlines/...
    .
    O US Army chegou a usar estes tipo de interior para transporte de passageiros, vejam nesta foto:
    . http://www.airliners.net/photo/USA-Army/Short-C-23B-Sher...
    .
    Mas o EB deve comprar nesta configuração militar cargo/tropa com cadeiras dobráveis, onde o C-23B Sherpa levava 18 a 20 passageiros, o C-23B+ Super Sherpa é 3 metros mais longo, mas não poderá levar os 36 passageiros do Short 360 nesta configuração.
    . http://www.edenthrillers.com/Images/sherpa3.jpg

    • Strobel, vc sabe dizer quantos Sherpas estão estocados no AMARG? Se a celulas estiverem em ordem, são excelentes aeronaves para operar nas condições amazônicas.
      O EB precisa de lanchas e um helicóptero pesado para aquela região. Não se descarta aqui a necessidade de apoio da FAB, mas sim complementar sua capacidade logística.

      • Não sei detalhes de quantos estão no AMARG e quantos dos mais de 20 C-23B+ convertidos podem voltar a voar.
        Alguns ja foram canibalizados e estão sem motores e outros componentes.
        Mas pode ter certeza que o EB não pretende comprar grandes quantidades, estes C-23B+ são uma forma de voltar as asas fixas.
        Este é um em boas condições no AMARG.
        . https://abpic.co.uk/pictures/full_size_0374/15613

  8. Mais uma vez vemos o absurdo que as forças armadas praticam! De novo vão usar equipamento velhusco, fora de fabricação e com pelo menos 30 anos de uso! Há bem pouco tempo atrás a FAB jogou no lixo seus formidáveis Buffalos !!! Desgaste acentuado de células disseram eles! A fábrica dificulta o fornecimento de peças disseram também! No entanto a Guarda costeira Canadense ainda tem dezenas deles em serviço apesar de já estar colocando o C-295, seu substituto em serviço, e pasmem!! Muito mais novos do que os da FAB e muito mais voados! Mas estão impecáveis! Logo serão vendidos para operadores civis que os usarão por anos à fio ainda! Mas para a FAB a manutenção convenientemente se tornou inviável! Por que não repassá-los ao exército então? Se vão investir em equipamento usado e fora de fabricação por que não aproveitar os Buffalos já aqui presentes! Por que não adquirir as aeronaves da Força Aérea Canadense estocadas e prontas para uso e muito mais eficientes e baratas do que essa caixa voadora? Tem uma caixa preta aí na FAB que tem ser aberta um dia! Desativar supersônicos como os Mirage III com células inteiraças sem desgaste alegando que o motor é caríssimo e manutenção? Por que não fizeram como a Israeli Air Force? Coloquem outro motor! Caráio!

    • O problema dos Bufallo foi motor e hélice, muitos ainda estavam em boas condições, mas não valia a pena modernizar.
      Nem o Canadá quis modernizar, apesar da Viking dizer ser possível.
      Os C-27A pararam pelo mesmo motivo, usavam o mesmo motor e hélice do Buffalo, o unico país que tem suprimento para estes motores e hélices é o Japão, mas não vende por usar nos seus YS-11 Elint.

  9. Carinha de vetusta e que aguenta qlqr tranco. Parecem novas tbm. Sorte ao EB.

  10. Antes que alguem pergunte porque o EB não compra os C-23C e C-23D que tiveram modernização parcial no cockpit, mantendo os mostradores tipo "analógicos", os que tinham condições de voar estão sendo oferecidos gratuitamente a instituições americanas, como este C-23C que era um C-23B+ modernizado e agora em 2017 está na US Forest Service – USFS.
    . http://www.airliners.net/photo/US-Forest-Service-USFS/Sh...

  11. Vejo uma bela oportunidade para a Embraer desenvolver algo nesse estilo. Tem mercado internacional talvez até no civil para interior bravo da Ásia.

  12. Mais uma velharia…

    Embora mais caros, era mais negócio pegar menos C295 que já são operados pela FAB ou dividir com a FAB o custo de mais C295.

    Pegaram um avião fora de linha e com poucas unidades produzidas..

    Vai ser sensacional achar peças para eles. Concordo que é necessário um avião robusto, não só para TOA, mas ocasionalmente vão dar xabu e ai eu quero ver…..

  13. Esse sabe ser feio, massss……qualidade técnica é o q importa numa aeronave. Parabéns ao exército.

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