Horten 229_capaSeleção de algumas armas avançadas alemãs desenvolvidas durante a Segunda Guerra Mundial.

Junkers Ju 322 Mammut

Junkers Ju 322 MammutO Junkers Ju 322 Mammut era um planador de transporte pesado, semelhante a uma gigante asa voadora, proposto para ser usado pela Luftwaffe. Apenas dois protótipos foram construídas.

Junkers Ju 322 Mammut #2Projetado no final de 1940 por Junkers, inicialmente como Junkers EF 94, o Ju 322 deveria cumprir o mesmo papel que o planador e transporte pesado Me 321 Gigant. Cumprindo a exigência de ser construído a partir de materiais não estratégicos, foi todo construído em madeira. O Ju 322 deveria ser capaz de transportar 20.000 kg de carga, o equivalente a um tanque Pz.Kpfw.IV, um canhão Flak de 88mm, seu trator de meia-lagarta, pessoal de artilharia, munições e combustível. A porta de carga foi colocada na seção central do bordo de ataque da asa, com deslocamento do cockpit para o lado da porta e acima do compartimento de carga. A cauda do planador se estendia a partir da seção central, e tinha um arranjo típico de estabilização por barbatanas e leme vertical. O armamento de defesa seria por três torres, cada uma usando uma metralhadora MG 15.

Em 18 de Outubro de 1940, a Junkers e a Messerschmitt receberam apenas 14 dias para apresentar uma proposta de um grande planador de transporte. O Junkers Ju 322 Mammut alcançou forma de protótipo, mas acabou por ser cancelado devido a dificuldades na obtenção da madeira, que precisava ser de alta qualidade, necessária para a sua construção e, como foi descoberto durante o voo de teste, o Mammut tinha um alto e inaceitavel grau de instabilidade, algo inerente ao projeto.

Messerschmitt Me 323 Gigant

Flugzeug Me 323 GigantO Me 323 foi o resultado de uma exigência alemã de 1940 para um grande planador de assalto em preparação a Operação Sea Lion (Leão Marinho), a planejada invasão da Grã-Bretanha. O planador leve DFS 230 já havia provodo o seu valor na Batalha de Fort Eben-Emael na Bélgica (o primeiro ataque da história com tropas aerotransportadas), e mais tarde seria utilizado com sucesso na invasão de Creta em 1941.

Messerschmitt Me 323 Gigant #2No entanto, a fim de montar uma invasão através do Canal Inglês, os alemães teriam de ser capazes de transportar por via aérea veículos e outros equipamentos pesados como parte de uma onda de assalto inicial. Embora a Operação Leão Marinho fosse cancelada, a exigência de uma capacidade de transporte aéreo pesado ainda existia, porém o foco mudara para a Operação Barbarossa, a invasão da União Soviética.

Arado, Komet e Schwalbe

Arado Ar 234
O Arado Ar 234 foi o primeiro avião a ter piloto automático.

Estes três aviões foram um bombardeiro-reconhecimento, um caça e um caça-bombardeiro, respectivamente. Eles mantêm a distinção de terem sido as três primeiras aeronaves a jato a nunca terem voado em combate, com exceção do Komet, que foi o única avião propulsado por foguete na história.

Messerschmitt Me 163 KometEmbora o Messerschmitt Me 163 Komet tenha entrado em combate e abatido 9 aviões Aliados, permanece o fato de que todos os 3 aviões eram literalmente intocáveis uma vez no céu, pois eles eram rápidos demais para os caças Aliados.

Me 262O Arado Ar 234 em particular, quando usado como bombardeiro, era inatingível e o Messerschmitt Me 262 Schwalbe, quando usado como caça de combate, era tão rápido que os Aliados foram forçados a atacá-los durante a fase de fabricação!

Fieseler Fi 103r

Fieseler Fi 103rO Fieseler Fi 103r, codinome “Reichenberg”, era uma versão tripulada da bomba voadora V 1 (corretamente denominada Fieseler Fi 103), produzida para ataques suícidas (como míssil japonês anti-navio e movido a foguete Ohka) ou na melhor das hipóteses, o piloto talvez conseguisse saltar de paraquedas no local do ataque. Um grupo de potenciais pilotos suicidas foi formado, os “Leonidas Squadron”, do V Gruppe da Luftwaffe Kampfgeschwader 200.

Fieseler Fi 103r #3O esquadrão Leonidas era formado por voluntários, mas estranhamente eles foram obrigados a assinar uma declaração aonde se podia ler: “Eu, abaixo assinado voluntariamente me inscrevi para ser parte no grupo de suicídio com o uso de um planador-bomba. Compreendo perfeitamente que o emprego desta capacidade implicará na minha própria morte.” Inicialmente, tanto o Messerschmitt Me 328 quanto o Fieseler Fi 103 (mais conhecido como V-1) foram considerados como aeronaves adequadas, mas o Fi 103 foi considerada melhor equipada, transportando 900 kg de bomba.

Fieseler Fi 103r #2No entanto, houve problemas na conversão do Me 328. O Fi 103 dava uma pequena chance de sobreviver ao piloto. Foi proposto o projeto para que um bombardeiro He 111 levasse um ou dois ‘Reichenbergs’ sob as asas, liberando-os perto do alvo. Os pilotos, então, voariam em direção ao alvo, alijando o vidro da cabine antes do impacto afim de pularem para fora. Estima-se que as possibilidades de um piloto de sobreviver a isso era inferior a 1%, devido à proximidade do bocal de admissão do pulsojet, sobre e logo atrás do cockpit.

Flettner Fl 282 Kolibri

Flettner Fl 282 KolibriO Flettner Fl 282 Kolibri (“Colibri”) era um insipiente helicóptero com cockpit aberto e de assento único e rotor ‘entrelaçado”, ou seja, um rotor duplo no mesmo cubo, também conhecido como synchropter. Produzido por Anton Flettner, o Flettner Fl 282 foi o primeiro helicóptero de produção em série do mundo.

As funções pretendidas para o Fl 282 incluía o transportando de itens entre navios e missões de reconhecimento. No entanto, com o progresso da guerra, a Luftwaffe começou a considerar a conversão do Fl 282 para uso no campo de batalha. De início, o helicóptero possuía espaço apenas para um único piloto, mas então uma posição para um observador foi adicionado na traseira, resultando na versão B-2. Mais tarde, o B-2 provou ser uma aeronave de artilharia muito útil e uma unidade de observação foi criada em 1945, dotada de três Fl 282 e três Fa 223.

Kolibri capturado pelo Exército dos EUA.
Kolibri capturado pelo Exército dos EUA.

A boa capacidade de voar mesmo com mau tempo levou ao German Air Ministry (Ministério do Ar Alemão) a emitir um contrato em 1944 para a BMW, a fim de se produzirem 1.000 unidades. No entanto, a fábrica da BMW em Munique foi destruída por bombardeios Aliados, depois de produzir somente 24 unidades.

Até o final da guerra, a maioria dos FI 282 sobreviventes foram usados no papel de observadores de artilharia, mas aos poucos foram sendo vítimas dos caças soviéticos e fogo antiaéreo.

X-4 Ruhrstahl

X-4 RuhrstahlOs Ruhrstahl Ru 344 X-4 foi um míssil ar-ar fio guiado. O X-4 não entrou em serviço operacional e, portanto, não foi provado em combate. O X-4 serviu de base para o desenvolvimento de mísseis experimentais, principalmente no mísseis e foguetes anti-tanque no pós-guerra, incluindo o míssil Malkara.

O primeiro teste de voo ocorreu em 11 de agosto de 1944 usando um Focke-Wulf Fw 190 como plataforma de lançamento. Testes subseqüentes usaram o Junkers Ju 88 e o Messerschmitt Me 262. O X-4 havia sido originalmente destinado a ser utilizado por caças de assento único (incluindo o Me 262 e, possivelmente, o Dornier Do 335), mas os problemas de orientação entre o míssil e o avião ao mesmo tempo provou-se inviável para a tecnologia da época. Em vez disso, o X-4 foi redirecionado para ser utilizado por aeronaves com mais de um tripulante, como o Ju 88.

X-4 Ruhrstahl #2O X-4 foi projetado para ser facilmente montado por trabalhadores não qualificados. A produção da fuselagem começou no início de 1945, usando materiais não estratégicos, tais como a madeira para as aletas. A produção foi prejudicada pelos bombardeios Aliados, principalmente da fábrica de motores de foguete da BMW. É possível que alguns X-4 foram usados nas últimas semanas da guerra, apesar do míssil não ter sido oficialmente entregue à Luftwaffe. O caça concebido para utilizar este míssil como sua principal arma era o Focke-Wulf Ta 183 Huckebein, que nunca saiu do estágio de projeto.

Após a guerra, engenheiros franceses tentaram desenvolver uma versão, o Nord SS.10. Cerca de 200 unidades foram fabricadas entre 1947 e 1950. No entanto, o programa foi dissolvido devido à perigosa operação de reabastecimento pré-voo, aonde o ácido nítrico era altamente explosivo.

FONTE: War History – Edição: CAVOK

IMAGENS: Pinterest – Imagem de capa: Horten 229, um dos tantos projetos alemães.

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28 COMENTÁRIOS

  1. Caramba, como estaria a evolução tecnológica hoje em dia se o outro lado tivesse vencido? eles estavam muitos anos a frente dos outros países na época, e quanto dessa tecnologia não se perdeu na guerra.

    • Talvez teriam estagnado já que não teriam mais adversários pra lutar.

    • supondo que o sino tenha existido de fato, ele não era exatamente uma arma

    • Os horten eram fantásticos, e pensar que alguns eram de madeira ahah.

      • eles foram subestimados pelo alto comando, mas era aerodinamicamente mais avançados e de melhor performance do que as outras aeronaves

  2. Realmente os nazistas não valiam nada, mas sua engenharia foi brilhante.

  3. Como chama a cópia americana do Me323? Me lembro de tê-lo visto no Vietnã….

      • Tem razão procurei aqui e não achei, pior que juro ter visto em algum filme e isso a muito tempo, que na memória imaginava ser no Vietnã ahah.

          • Celso,
            Valew cara era essa aeronave mesmo, sabia que tinha visto algo parecido em algum filme da época da Guerra do Vietnã, acontece que eu vi faz muito tempo, era adolescente…

    • teve um hidroavião americano que se encaixaria na missão de assalto do gigant, vou procurar o nome dele e te falo

      • o nome é r3y tradewind da convair, ele operou de 56 a 58 então n poderia ter operado no vietnã

        • Valew Pedro, mas o colega Celso achou, era o Douglas C124. Como citado acima, eu era bem jovem quando vi o filme dai vi a matéria e me veio a lembrança ahah;

  4. Bacana!

    Acrescentaria a essa lista a Fritz X; a primeira bomba guiada da história.

    Ao menos seis ataques bem sucedidos são creditados a ela: os ataques aos couraçados italianos Roma ( afundado ) e Itália, aos cruzadores americanos Savannah e Filadélfia, o couraçado HMS Waspite e o destroier HMS Uganda.

    Outra arma que ousaria incluir seria o 'Natter'… Era um troço bizarro… Mas interessante…

  5. Muito bom o artigo, Tchê!
    Incrível como os alemães eram avançados…

  6. Tudo é muito relativo-Teria todo esse ódio e opressão feito , não apenas mal , mas também tanta coisa boa a humanidade ( tecnologias ).

  7. Foram parar nas mãos dos aliados vencedores da segunda guerra mundial, nos projetos dos aviões a jato como os F-86, MiG-15, B-47 por exemplo, na corrida espacial que começou junto com a guerra fria com as V-1 e V, nos submarinos que foram projetados seguindo a classe .XXI dos Uboat. O conceito da asa enflêchada que depois foi padrão nos aviões a jato é uma pesquisa alemã. Mas apesar de ter boas mentes, infelizmente foram usadas para cometer os maiores crimes contra a humanidade e por isso não se deve aplaudir esses criminosos e sim colocar eles como criminosos que usaram o conhecimento para matar e não para evolução da humanidade.

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