Desenvolvido pela Marinha dos EUA para a defesa da sua frota de porta-aviões contra as ameaças soviéticas, o F-14 é considerado o primeiro super Caça do mundo, mas a verdade é que ele era um caça bem limitado, entretanto ele deu a Marinha dos EUA uma capacidade ímpar de combate jamais vista na moderna guerra aérea.

O Grumman F-14A Tomcat foi o melhor que a Marinha dos EUA pode comprar com a verba disponível. Depois de torrar bilhões de dólares – por imposição do Secretário de Defesa e ex-executivo da Ford Robert McNamara – na canoa furada do F-111B, não havia recursos necessários para o quê realmente a liderança da USN queria.

A URSS vinha desenvolvendo armas e mais armas de longo alcance com uma única finalidade: afundar os porta-aviões da Marinha dos EUA.

Uma dessas armas era o míssil anti-navio Raduga KSR-5, denominado AS-6 Kingfish pela OTAN. Era uma arma lançada do ar pelo rápido bombardeiro Tu-16. Com um alcance de 300 a 700 km (dependendo da altitude de lançamento) a arma estava fora do alcance dos caças de defesa. Para criar um cinturão capaz de fazer frente a tal ameaça, a Marinha teria de dispor caças ao redor do porta-aviões o mais distante possível, mas os caças não tinham autonomia suficiente para ficar tanto tempo tão longe, forçando assim a USN a ter sempre caças no ar, consumindo valiosos recursos financeiros em combustível.

Com o advento da tecnologia de mísseis ar-ar, em 1959 a Marinha americana vislumbrou um caça capaz de operar longe do navio e dotado de mísseis capazes de atacar as formações de bombardeiros soviéticos à longa distância. Mas a tecnologia de guiagem de mísseis ainda engatinhava e o Douglas F6D “Missiler” acabou não sendo produzido.

Quando o McDonnell Douglas F-4B Phantom entrou em operação com a USN, quase deu essa capacidade de combate tão desejada. O Phantom realmente era, pela primeira vez, capaz de se manter por um longo período a mais de 300 km do porta-aviões. Mas mais uma vez, a tecnologia de guiagem dos mísseis, ainda deixava a desejar, como fora devidamente comprovada na guerra aérea sobre as densas e quentes florestas do Vietnã.

Paralelamente ao desenvolvimento do F-111B, a industria bélica norte-americana estava desenvolvendo o míssil ar-ar AIM-54 Phoenix e o melhor sistema de guiagem e rastreio já desenvolvido, o radar AN/AWG-9. Embora o F-111B tenha fracassado, os demais continuaram a ser desenvolvidos. Quando o Tomcat chegou, foi o casamento perfeito.

Com o Grumman F-14 Tomcat, a Marinha dos EUA finalmente tinha um caça verdadeiramente capaz de realizar a missão de defesa da frota. Como o avião era grande e bimotor, comportava uma grande capacidade de combustível, o que lhe permitia uma boa autonomia, permitindo assim manter-se em patrulha por um bom tempo. Também por ser grande, carregava uma carga de combate ímpar, capaz de engajar alvos a mais de 160 km e, se necessário, partir para o combate corpo-a-corpo.

Com o passar do tempo as tripulações descobriram que o Tomcat era mais que uma simples plataforma de armas. Durante as missões os oficiais de radar e interceptação (Radar Intercept Officer – RIO, o segundo tripulante e sentado no banco de trás do jato) começaram a trocar informações entre si, compartilhando dados do campo de batalha. Assim, um Tomcat que se aproximava do campo de batalha já sabia o que esperava e, o melhor, com uma tática pré definida.

O sistema de detecção do Tomcat, ao contrario do F-15 (o segundo super Caça do mundo), exigia a presença de um segundo tripulante, totalmente responsável pela operação do sistema, deixando o piloto livre para pilotar. O oficial de radar também era o responsável por lançar o AIM-54 Phoenix.

O Tomcat acabou sendo conhecido como um mini posto de comando aéreo e o oficial RIO acabou sendo elevado a condição de “estrela” dentro da comunidade de F-14.

Essa capacidade acabou sendo melhor explorada pelas tripulações iranianas de F-14. O poderoso radar do caça permitia ao Tom guiar ataques de outras naves. Quem mais se beneficiou dessa tática foi o pequeno Northrop F-5E que eram vetorados até os caças iraquianos.

Durante a guerra Irã-Iraque, a simples presença do F-14 na área já era suficiente para os iraquianos deixarem o local.

É por isto, por esta capacidade que a Força Aérea do Irã continua investindo no F-14, trazendo de volta células que estavam armazenadas há anos, conquanto no Ocidente a tecnologia dos mísseis ar-ar tenha suplantado o incrível e poderoso AIM-54 Phoenix.

O F-14 pode sim ser considerado o primeiro posto de comando supersônico e armado da história.


– Giordani –

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3 COMENTÁRIOS

  1. Até pouco tempo, bem pouco, o Phoenix era o melhor missil BVR do mundo, que aliado ao radar parrudo do F14 o transformava numa plataforma versátil, como visto no texto.

    • Interessante que muito antes da expressão "datalink" virar modinha, os RIOs de F-14 já trabalhavam em rede de forma intuitiva.

  2. Foi bom enquanto durou! o futuro hoje serão UAVs navais para defesa da frota que já tem o Triton para patrulha naval na RAAF e USNAvy. O Phoniex era mesmo surpreendente que podia enjangar alvos aéreas elem do alcance das armas deste . o F-14 era um trambolho mesmo

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