Órgão governamental exige que software seja atualizado nos F-35 para corrigir deficiências encontradas nos sistemas dos jatos, antes de declarar a produção em taxa plena.

O problemático programa de US$ 1,5 trilhão do F-35 não está pronto para iniciar a fase crítica de testes de combate, disse o diretor de testes do Pentágono em um memorando previamente não divulgado em agosto, obtido pelo Centro de Informação de Defesa do Projeto de Supervisão Governamental (POGO). Essa decisão marca outro revés no desenvolvimento do maior programa de aquisição do Pentágono.

O memorando, emitido no dia 24 de agosto de 2018, diz que o programa não atendeu aos critérios de informações necessários para iniciar a fase crucial de testes de combate chamada Teste Operacional Inicial e Avaliação (IOT&E).

Ele vem logo após a revelação, relatada primeiro pelo POGO, que funcionários do programa têm tentado dar a impressão de que o programa completou a fase de desenvolvimento, alterando a papelada para reclassificar falhas de projeto potencialmente fatais para dar a aparência de progresso, em vez de consertá-los.

O IOT&E é o último obstáculo legal que um programa de aquisição deve superar antes de entrar na produção com taxa total. De acordo com a lei federal, esse processo não pode começar até que o diretor de teste e avaliação operacional aprove, por escrito, que o programa atendeu a todos os critérios necessários para executar o programa de testes acordado.

Robert Behler, diretor de teste e avaliação operacional, está adiando o IOT&E até o programa abordar vários problemas de software. Behler escreve que o teste operacional não pode começar até que o programa atualize versões do software operacional do F-35, arquivos de dados de missão, Sistema Autônomo de Informações de Logística (ALIS) e o software de infraestrutura de faixa de teste.

Embora não esteja claro no memorando quais problemas específicos ainda precisam ser resolvidos, os relatórios de testes anteriores encontraram “as principais deficiências técnicas na capacidade do F-35 de empregar as armas AIM-120” (o principal míssil ar-ar) e um “viés descaracterizado na direção à direita do alvo”, quando os pilotos disparam o canhão da aeronave, resultando em “erros consistente de alvos terrestres durante o teste do canhão”.

A próxima versão do software operacional do F-35, escreve Behler, deve aumentar as capacidades da aeronave para garantir que o jato possa realizar várias missões de combate, incluindo ataque estratégico, interdição aérea, ataque aéreo e ataque eletrônico. As Cargas de Dados da Missão da aeronave são grandes arquivos de mapas, sinais eletrônicos de ameaças, dados sobre possíveis armas inimigas, bem como sistemas amigáveis ??para permitir que os sensores do F-35 classifiquem o amigo de um inimigo. O ALIS é uma rede de manutenção e logística muito complicada que combina funções de diagnóstico incorporadas, gerenciamento da cadeia de suprimentos e orientação de manutenção. Testes anteriores descobriram que a maioria das funções do ALIS funciona apenas com “um alto nível de esforço manual por parte dos administradores e pessoal de manutenção do ALIS”.

Os funcionários de serviços e programas haviam estabelecido o dia 15 de setembro de 2018 como o prazo para iniciar o IOT&E. Behler, em face da enorme pressão sem dúvida para cumprir esse cronograma, atrasou a data de início em aproximadamente dois meses, quando se espera que as versões atualizadas do software sejam entregues.

Este é um exemplo de um importante escritório de supervisão do governo que trabalha exatamente como pretendido. O Congresso criou o escritório de testes operacionais do Pentágono em 1983 para garantir que os legisladores recebessem informações precisas sobre o desempenho de novos sistemas de armas. Antes da criação do escritório, qualquer dado de teste que os congressistas recebessem havia sido filtrado pelas próprias burocracias que tinham interesse em garantir que nada impedisse que um sistema de armas atingisse a produção de taxa máxima.

As decisões sobre produção de taxa total e testes de combate devem ser baseadas no desempenho, e não em cronogramas simplesmente predeterminados. Testar aviões com software e sistemas que não estejam na aeronave quando são entregues aos serviços seria um desperdício, e a entrega de sistemas que não foram testados em combate colocaria em risco a vida dos pilotos. Sendo assim, o diretor de teste operacional e avaliação está colocando os membros do serviço à frente dos contratados.


Fonte: Project On Government Oversight, POGO

23 COMENTÁRIOS

  1. Interessante, os EUA ainda não os aprovou plenamente para fazer os testes completos, mas uma certa Força Aérea do Oriente Médio diz que o seu F-35 está operacional sem problemas, alguem está mentindo e a gente sabe quem é….os que se dizem a melhor FA do mundo,

    • Walfrido a "certa força aérea do Oriente Médio", que já provou na prática ser a melhor do mundo quer seus detratores gostem ou não, é a única que fora as forças norte-americanas recebeu autorização para mexer no software da aeronave. Dessa forma os F-35I certamente tiveram o seu software ajustado de acordo com os requerimentos operacionais da Heyl Ha'Avir o que inclui uma suíte EW local e a integração às armas israelenses. Dessa forma puderam ser tranquilamente usados em combate como bem atestaram as baixas sofridas pelo regime iraniano.

      No mais, é descabida essa insistência em querer desqualificar a Heyl Ha'Avir…..

  2. O fato é que tais questões não impediram Israel de usar,com bastante sucesso ao que tudo indica, o aparelho em combate.

    • Lembrando que o problema é com os softwares e Israel utiliza os seus próprios softwares , portanto não está enfrentando os mesmos problemas.

  3. Aeronave complexa com problemas complexos e grana indo pelo ralo. Ainda me pergunto como estão os caças entregues a Israel. Sei que eles usam alguns sistemas próprios mas e o restante?

    • Israel até agora foi o único país a ter acesso ao software do avião fora os EUA.

  4. Engraçado, eu vejo nota sobre o F35 a todo instante mas sobre o Gripen não, em que pé está o Gripen E?
    E vale lembrar que o F35 é uma aeronave nova, o Gripen "E" é uma atualização de um projeto dos anos 80 ahahah
    Imagina se os fantásticos engenheiros da Saab desenhassem uma entrada de ar mais "stealth", o bichinho entraria em operação em 2030 ahah

    • Vai ver é tudo uma grande conspiração para malhar o F35 e preservar o Gripen.

      • Afinal segundo a fab o Gripen é de 5G, então é concorrente do F35 ahah

  5. Sinceramente, depois que Kyle Reese voltou no tempo, a SKYNET não entrou em operação, afetando diretamente o programa do F-35.

  6. Israel utiliza um software com personalizações, não pensem que Israel reescreveu as milhões de linhas do software e está livre dos problemas surgidos nos EUA.

    • O Software com personalizações israelense permite o uso de armas ar-ar e ar-superfície de produção local e também uma suíte EW da Elbit, o que permitiu o seu uso em combate.

    • Achar que Israel é capaz de produzir um software para esse aparelho é brincadeira de mau gosto.
      O máximo que consegue são pequenas alterações. E sabe-se lá como conseguem. Muito provavelmente com apoio dos próprios americanos

        • Sim. E o Camelódromo da Rua Uruguaiana no RJ e a Rua 25 de Março em SP são equivalentes ao Polo Eletrônico de Shenzen ..

  7. Isso é normal em toda novo tecnologia e mais na aeronáutica. um gênia vai arrumar os bugs do software como a IAF conseguiu

  8. Pessoal entende de software tanto quanto de economia.

    1) O código do F35 é modularizado. Não tem que reescrever nada.

    2) Os israelenses tem uma das melhores indústrias de software do mundo e ela é incubada dentro das forças armadas.

    3) A quem interessar a linguagem é C++.

    4) A experiência que os israelenses estão obtendo retorna para os EUA e aperfeiçoa todo o sistema.

    • Então pq não plugam logo esse pendrive israelita no F35 e voila, caça pronto pra combate economizando alguns bilhões?

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