Ilustração produzida pelo CECOMSAER para divulgar a aquisição do Gripen.
Ilustração produzida pelo CECOMSAER para divulgar a aquisição do Gripen.

Um dia histórico para a Força Aérea Brasileira. Por meio do Programa F-X2, o Governo brasileiro confirmou a aquisição do avião militar supersônico GRIPEN-NG, caça de última geração que atenderá às necessidades operacionais da FAB para os próximos 30 anos e que faz parte do Programa de Articulação e Equipamento da Defesa, da Estratégia Nacional de Defesa, com vistas à defesa da Pátria.

Durante todo o processo de seleção, cujos estudos preliminares remontam ao ano de 1992, o Comando da Aeronáutica (COMAER) sempre se pautou pela busca do melhor conhecimento dos aspectos técnicos, operacionais e logísticos atinentes às aeronaves participantes da escolha.

A nova aeronave multimissão foi projetada para controle do ar, defesa aérea, reconhecimento aéreo, ataques ar-solo e ar-mar. Dentre os requisitos apontados pela FAB, destaca-se a tecnologia de ponta, com avançado sistema de sensores e fusão de dados, características que proporcionam ao piloto um quadro completo e preciso do cenário de emprego.

Para se ter uma ideia do poder de combate desse novo caça, basta dizer que ele permitirá à FAB enfrentar ameaças em qualquer ponto do território nacional com carga plena de armas e combustível. A aquisição do GRIPEN-NG proporcionará ao País exponencial poder dissuasório, que resultará na garantia da soberania do Brasil.

A notícia se reveste de relevância porque o conjunto de conhecimentos e capacitação tecnológicos contemplados nessa aquisição contribuirá para que a indústria de defesa nacional se capacite para produzir caças de quinta geração em um projeto de médio e longo prazos.

Conheça o histórico dessa aquisição

A necessidade de reequipar a Força Aérea com uma aeronave de defesa e superioridade aérea compatível com a destinação e importância geopolítica do País configurou-se, definitivamente, no ano 2000, com a denominação Projeto F-X, fruto dos estudos iniciados em 1992, quando a FAB delineou os primeiros requisitos das aeronaves que deveriam substituir os F-103 MIRAGE III, operados, na Base Aérea de Anápolis, em Goiás, desde o início da década de 70.

Em agosto de 2001, o Comando da Aeronáutica iniciou a seleção das empresas ofertantes de equipamentos compatíveis com os requisitos então definidos. No final do mesmo ano foram selecionadas as seguintes aeronaves, apresentadas por ordem alfabética: GRIPEN, F-16, MIG-29, MIRAGE 2000 e SUKOI 30.

No início do ano de 2003, o processo foi suspenso pelo Governo Federal, tendo sido retomado em 1º de outubro do mesmo ano. À época, os participantes reexaminaram suas propostas com a finalidade de apresentar as atualizações julgadas pertinentes.

Em 31 de dezembro de 2004, com o término dos prazos válidos das propostas, sem ter ocorrido a escolha de uma aeronave, o Governo decidiu preencher a lacuna decorrente da desativação dos F-103 MIRAGE III, que ocorreria em 2005, com a compra de 12 Mirage 2000-C usados, fabricados na década de 80 e oriundos da Força Aérea Francesa. Na FAB, recebeu a designação de F-2000. É operado desde 2006 pelo Primeiro Grupo de Defesa Aérea, na Base Aérea de Anápolis, tendo sua desativação prevista para 31 de dezembro deste ano de 2013.

Em 2007, o Estado-Maior da Aeronáutica reiniciou os estudos sobre as necessidades operacionais e características concernentes ao novo avião de caça multiemprego que deveria reequipar a FAB e, em 15 de maio de 2008, instituiu a Comissão Gerencial do Projeto F-X2, com o objetivo de conduzir os processos dessa aquisição, por meio de escolha direta, em consonância com os preceitos da Lei nº. 8.666, visando à seleção da proposta mais vantajosa para o País.

A aeronave escolhida precisaria oferecer condições para atender ao cronograma de desativação de aeronaves de combate da FAB, bem como dotar a Instituição de uma frota padronizada de aviões de caça de multiemprego, porquanto os Mirage 2000-C têm sua desativação prevista para 2013, os F-5EM deixarão de operar a partir de 2025, enquanto que o A-1M deverá ser desativado a partir de 2023.

Assim, inicialmente, seis empresas com seus respectivos produtos foram pré-selecionadas: as norte-americanas BOEING (F-18 E/F SUPERHORNET) e LOCKHEED MARTIN (F-16), a francesa DASSAULT (RAFALE), a russa ROSOBORONEXPORT (SUKHOI SU-35), a sueca SAAB (GRIPEN NG) e o consórcio europeu EUROFIGHTER (TYPHOON).

No final de 2008, considerando os aspectos referentes às áreas operacional, logística, técnica, de compensação comercial (offset) e transferência de tecnologia para a indústria nacional, foram selecionadas três aeronaves para compor uma “short-list” ou lista reduzida para prosseguir no certame, aqui apresentando-se em ordem alfabética: BOEING (F-18 E/F SUPERHORNET), DASSAULT (RAFALE) e SAAB (GRIPEN NG).
Em 2 de outubro de 2009 os três ofertantes encaminharam suas melhores propostas. Em 5 de janeiro de 2010, o Comando da Aeronáutica remeteu ao Ministério da Defesa o Relatório Final do Projeto F-X2, instrumento de assessoria à decisão do Governo Federal.

As análises prosseguiram e, hoje, 18 de dezembro de 2013, a Presidenta da República anunciou a decisão de adquirir as aeronaves GRIPEN-NG, da empresa SAAB-AB, representando investimentos da ordem de US$ 4,5 bilhões, em um cronograma que se estenderá até 2023.

A oferta vencedora engloba o fornecimento de 36 (trinta e seis) aeronaves, logística inicial, treinamento, simuladores de voo e projetos de transferência de tecnologia e cooperação industrial.
A próxima fase do processo consiste nas negociações para a materialização dos contratos de fornecimento de bens, de serviços e os acordos de compensação.

Brasília, 18 de dezembro de 2013.

Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno
Chefe do CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA AERONÁUTICA

Fonte: Agência Força Aérea

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291 COMENTÁRIOS

  1. "Restou o Gripen NG, que além de ser mais em conta, tinha o fator industrial a favor, e também diplomaticamente falando, é Neutro. '

    Acho que o fator industrial foi o ponto principal caro Nick, (praticamente toda estrutura industrial Sueca está instalada em São Bernardo do Campo) e o Brasil pretende construir/participar da fabricação de caças (na minha opinião, o fator mais importante).

    Foi a escolha mais sensata e a escolha da FAB.

    Olha o que o Brigadeiro Saito fala: http://www.aereo.jor.br/2013/12/20/saito-sobre-a-

    Pra mim, encerra as discussões. =)

    Abraço amigo Nick.

  2. "Restou o Gripen NG, que além de ser mais em conta, tinha o fator industrial a favor, e também diplomaticamente falando, é Neutro. '

    Acho que o fator industrial foi o ponto principal caro Nick, (praticamente toda estrutura industrial Sueca está instalada em São Bernardo do Campo) e o Brasil pretende construir/participar da fabricação de caças (na minha opinião, o fator mais importante).

    Foi a escolha mais sensata e a escolha da FAB.

    Olha o que o Brigadeiro Saito fala: http://www.aereo.jor.br/2013/12/20/saito-sobre-a-

    Pra mim, encerra as discussões. =)

    Abraço amigo Nick.

  3. "Restou o Gripen NG, que além de ser mais em conta, tinha o fator industrial a favor, e também diplomaticamente falando, é Neutro. '

    Acho que o fator industrial foi o ponto principal caro Nick, (praticamente toda estrutura industrial Sueca está instalada em São Bernardo do Campo) e o Brasil pretende construir/participar da fabricação de caças (na minha opinião, o fator mais importante).

    Foi a escolha mais sensata e a escolha da FAB.

    Olha o que o Brigadeiro Saito fala: http://www.aereo.jor.br/2013/12/20/saito-sobre-a-

    Pra mim, encerra as discussões. =)

    Abraço amigo Nick.

  4. Realmente o pior venceu no Brasil de novo… como sempre temia!!

    Quem pensa pequeno tem que ser pequeno mesmo!!

    A única opção que não tem praticamente nada de tecnologia própria pra passar… vai entender porque venceu!!

    Pelo menos acabou!!

  5. Caro Rodrigo DS, embargos se dão em situações gravíssimas, advindas de grandes entreveros políticos ou até financeiros (moratórias = calotes), que podem terminar numa situação exclusivamente militar. Quem sabe? Mas também trazem mais misérias, acessórias…

    E como não existe um oráculo infalível, nem aqui nem aí, podemos aventar alguma possibilidade que leve a tal embargo (até porque o ser humano é imprevisível. Ocorrências importantes irrompem e cessam, com grande rapidez ou morosidade quelônica: quem poderia antever os embates equatorianos-peruanos, sobre o Vale do Cenepa, em 1995, com Mirage F-1 abatendo Su-22 e A-37? E o arrefecimento, logo após? A desconfiança persiste, desde muito antes…; a eleição de um Hugo Chávez e a guinada mais do que esquerdista dele? O tal “bolivarianismo”?; os problemas Colômbia-Equador, como o ataque do primeiro a terroristas homiziados em território do segundo? Insuflados, os lados quase iniciaram um conflito — com o possível envolvimento venezuelano, pró-Equador e FARC; e dos EUA, pró-Colômbia…; a doença e a morte do Hugo Chávez, que centralizava tudo — deixando um bozó sem carisma, louco de vontade de aparecer, no poder?; entre outros…).

    Daí, voltemos: se Colômbia e Venezuela, por exemplo, voltarem a se estranhar, gravemente, grande parte da população amazônico-fronteiriça deles pode pular para o lado de cá.

    A ONUzinha, xexelenta, em prol dos direitos humanos e o diabo, inventaria uma tal “zona neutra”, em território brasileiro, para “proteger os refugiados” — onde brasileiro nenhum mandaria, claro. Espaço aéreo fechado.

    Lembremos que em tal leva de pessoas, viriam guerrilheiros-traficantes infiltrados, que fingem estar desmobilizados (mentira. O tráfico de cocaína os alimenta), mas teriam terra-livre para operar, pois os EUA estariam ocupados no conflito.

    De tal decisão das Nações Unidas, viria um protesto brasileiro inócuo, sem efeito, visto como impecilho aos interesses estrangeiros na região ou até apoio velado a venezuelanos e outros bolivarianos (bem pior se o governo daqui for esquerda-caviar…).

    E para coroar o cala-boca, toma-lhe um embargo para materiais de defesa ao Brasil, “provisório e preventivo”, para ficar mais ostensivo quem é o mandatário. Nada de motorzinho americano por ali.

    E aí, perdemos um naco do território para sempre, ganhamos muitos estrangeiros como “visitantes eternos” (refugiados, traficas-comunas, garimpeiros, espiões-falsos doutrinadores-religiosos e tal)…

    Mas ainda há Pré-sal, questões indígenas, um tanto de outras possibilidades…

    Simples. E não existe um vivente que possa dizer que isso é impossível. Se não, tal adivinho estaria agora ocupado marcando cartelas da Mega da Virada. 😀

    • Acho que não entendeu a pergunta que fiz!!!

      O que estou tentando dizer que por acaso o Brasil chegar ao ponto de sofrer algum embargo militar por qualquer motivo que seja, seja ele Gripen, SH ou Rafale que são os finalistas do FX2, sofrerão embargos, então não tem essa de apenas o Gripen ficar no solo pro falta de peças ou manutenção, seja (motorzinho, radarzinho, computadorzinho…)americano, francês, inglês ou sueco!!!

      E dependendo da gravidade do embargo, até os russos ou chineses serão proibidos pela ONU de nos fornecer material bélico….

      Não querem embargos, que desenvolva a própria industria militar, como faz a Russia ou não atrapalhe os interesses de quem lhe estendeu a mão, não tem outra opção!!!! (até rimou no final, rsrsrs!!!)

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