O jornal Âmbito revelou que a Força Aérea Argentina (FAA), mesmo sabendo das deficiências, aceitou recebeu novos aviões Pampa III. Oficiais acusam o ministro da defesa do país de fazer pressão pelo aceite.

O Ministro da Defesa anunciou repetidamente a entrega de novas aeronaves Pampa III à Força Aérea Argentina. A última no início de dezembro de 2018, durante a apresentação das três aeronaves nas instalações da Fábrica de Aviões da Argentina (FAdeA). Ele afirmou que elas se juntariam a FAA antes do final daquele ano. Não aconteceu assim. A pressa do governo fez com que apenas dois Pampas pudessem ser entregues no dia 15 de fevereiro passado, enquanto o terceiro continua em revisão na fábrica de Córdoba.

Um problema permanece em uma parte mecânica do sistema de controle de freio e ABS fornecido pela empresa americana Advent Aircraft Systems.

O contrato para o novo IA-63 Pampa III entrou em vigor no dia 1º de janeiro de 2018 e expirou em 31 de dezembro, com uma cláusula de extensão (aditivo) por 12 meses.

A urgência do Governo para exibir a primeira aeronave de série dentro do acordado culminou com a FAdeA emitindo a fatura e, podendo assim, cobrar os três aviões de seu cliente: a Força Aérea. Foram cerca de 78 milhões de pesos no contrato total de $612.128,970.

Por que a força recebeu novos aviões nessas condições e aceitou o faturamento total do contrato exigido pela FAdeA?

Jato IA-63 Pampa III durante cerimônia de entrega dos três primeiros exemplares para FAA.

Uma rede de pressões do comando aéreo e da política levou o governo a desconsiderar a recusa dos oficiais encarregados de receber as novas aeronaves, o elo mais fraco do sistema. A Comissão encarregada de dar o aceite recusou a assinar o certificado de conformidade e aceitação da aeronave porque havia marcos não alcançados, por exemplo, falhas no sistema de frenagem, na pressurização da cabine e em antenas de equipamentos eletrônicos. Fontes aeronáuticas, conscientes do problema, disseram que ordens de cima obrigaram a Comissão a suavizar os problemas. Eles mencionaram uma reunião entre Aguad (ministro da defesa), Luis Riva (Secretário de Pesquisa, Política Industrial e Produção) e Enrique Amrein (Chefe do Estado-Maior) onde resultou na ordem, por via de um ato administrativo, de “aceitação provisória ou parcial”. A resposta dos funcionários da Comissão foi que a ordem superior para receber aviões com notícias técnicas fosse deixada por escrito, um passo que dava luz verde ao pagamento total de bens incompletos.

A Direção Geral do Material da Força Aérea, sob o comando do Brigadeiro Sérgio Larsen, chefe da operação, endossou o temperamento de seus subordinados. Ao mesmo tempo o CEO da FAdeA requereu, com base na percentagem de conclusão (cerca de 95%), “uma revisão devido à evolução da economia Argentina durante a vigência desses contratos é necessário realizar uma revisão dos valores dos benefícios acordados, emprestados e pagos“, disse ele, referindo-se ao custo do dólar e seu impacto sobre insumos aeronáuticos.

No dia 27 de dezembro de 2018, quatro dias após o término do contrato, Amrein ordenou o “aceite parcial” da aeronave. Sem isso, a FAdeA não receberia.


 

8 COMENTÁRIOS

      • Há uma grande diferença. Na Rússia e na China, os oficiais receberiam uma dura punição. Provavelmente, prisão e expulsão.

        • Na corrupção que rola no meio ,militar russo e chines é meio difícil!!!

  1. Os argentinos são engraçados. Mais um pouco vão dizer que têem a maior força aérea do mundo e vão querer invadir as Malvinas.

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