Processo de certificação do 737 MAX teria sido acelerado para competir com o Airbus A320neo. (Foto: Mike Siegel / The Seattle Times)

Enquanto os resultados preliminares da investigação do vôo ET 302 da Ethiopian Airlines revelam mais dados que conectam os dois acidentes recentes com as aeronaves Boeing 737 MAX, o processo de certificação do 737 MAX pela Agência Federal de Aviação dos EUA (FAA) está sob escrutínio.

De acordo com o Seattle Times, os gerentes da FAA forçaram seus funcionários a trabalhar na certificação da aeronave para delegar uma ampla gama de suas responsabilidades à própria Boeing para avaliação de segurança do 737 MAX.

A decisão foi tomada para acelerar o processo de certificação da aeronave para evitar que ela ficasse atrasada em relação ao A320neo da rival Airbus, afirmaram fontes que citaram para o jornal.

Outra afirmação séria é que a análise de segurança da Boeing usada pela FAA para certificar o novo sistema de controle de voo do avião tinha várias falhas críticas.

Os atuais e antigos engenheiros da Agência, envolvidos nas avaliações de segurança do sistema MCAS, estavam familiarizados com os detalhes do documento compartilhado pela Boeing, confirmou o Seattle Times.

As fontes que falaram com o jornal pediram anonimato para proteger seus empregos e cargos na FAA e em outras organizações de aviação.

Aqui estão algumas falhas detectadas durante o processo de certificação da aeronave em relação ao sistema MCAS:

Subestimado o poder do novo sistema de controle de voo, que foi projetado para girar o estabilizador horizontal visando empurrar o nariz do avião para baixo e assim evitar uma perda de sustentação. Quando os aviões entraram em serviço mais tarde, o MCAS foi capaz de mover a cauda mais de quatro vezes acima do normal do que foi declarado no documento inicial de análise de segurança.

Não foi possível explicar como o sistema poderia voltar ser redefinido cada vez que um piloto respondia, perdendo assim o impacto potencial do sistema repetidamente empurrando o nariz do avião para baixo.

Avaliamos uma falha do sistema como um nível abaixo de “catastrófico”. Mas mesmo esse nível de perigo “perigoso” deveria ter impedido a ativação do sistema com base na entrada de um único sensor – e ainda assim foi projetado.

A autoridade federal dos EUA defendeu-se recordando que a aeronave é certificada por outros reguladores, incluindo a EASA.

O Departamento de Transportes dos EUA está agora investigando a aprovação da Administração Federal de Aviação para o Boeing 737 MAX, disse o Wall Street Journal e uma reportagem da agência de notícias Reuters.

A investigação foi iniciada após o acidente com o voo JT 610 da Lion Air no ano passado, em outubro, e está sendo conduzida pelo inspetor geral do departamento. O Departamento de Transportes ordenou que a FAA protegesse todos os registros e arquivos relacionados à campanha de certificação.

O Departamento de Transportes está tentando descobrir se a agência praticou os padrões e análises adequados ao certificar o sistema anti-estol do avião, conhecido como MCAS.

A Boeing e a Agência Federal de Aviação dos EUA não comentaram as alegações.

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6 COMENTÁRIOS

  1. A pressa é a inimiga da perfeição+corrupção e ganância. Se estava ficando ruim pra Boeing a concorrência com a Airbus com o seu A320neo agora com os 2 acidentes ficou pior ainda. Amadorismo e corrupção no setor aéreo o resultado é catastrófico.

  2. Ajuda bastante passar por cima da FAA quando o antes subsecretário e atual Secretário de Defesa é um "ex-boeing" com 30 anos de carreira com a empresa……

    A pressa da Boeing e a politicagem vão custar caro para a Boeing. Não adianta, tudo que se faz de ruim e mal feito de maneira consciente o universo cobra a conta.

  3. Se observarem meus posts deste o dia do acidente, venho pedindo a se concentrarem nos procedimentos de validação e certificação da aeronave e não no sistema MCAS, estes procedimentos devem serem revistos. A Boeing falhou e o FAA, no meu ponto de vista, foi negligente nestes acidentes, ficando a reboque da própria Boeing e de seus clientes. Perdendo sua credibilidade como agência reguladora. Volto a dizer que os acidentes levaram mais vidas que Brumadinho e não se vê prisão de ninguém. Esta falha em seus processos custará caro a Boeing. Cadê as ações judiciais de seus clientes solicitando reparação de danos, lucros cessantes? E acho que até hoje tem site do youtube pregando que a aeronave é segura, que está tudo bem, que o Electra também foi groundeado, etc. estes também perderam a credibilidade nestes acidentes.

    • c ctza,fazer analogias com problemas do passado citando comet electra é ser no mínimo cretino,não tem comparação o conhecimento e capacidade de simulações atuais ,ganancia comeu solta.

    • Teve um youtuber que foi questionado sobre isso. Nem preciso dizer quem foi. O que eu vejo nessas horas é o sumiço dos fãs do Tio Sam. Outra coisa que eu acho errado é os Estados Unidos imporem sanções contra os outros países no setor aeronáutico civil. Um setor que não deveria ter embargos.

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