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Em 21 de setembro de 2005, o 1º/14º Gav Esquadrão Pampa tornou-se a primeira unidade operacional da FAB a receber um caça F-5 modernizado. (Foto: Fernando Valduga / Cavok)

No último dia 21 de setembro, a Força Aérea Brasileira (FAB) registrou 10 anos desde que uma de suas unidades operacionais (1º/14º Gav Esquadrão Pampa) recebeu o primeiro caça F-5 modernizado.

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O primeiro caça modernizado, FAB 4856, também foi o primeiro F-5E fabricado pela Northrop, matrícula do fabricante 71-1417. (Foto: Fernando Valduga / Cavok)

Programa F-5BR

A frota de caças F-5E e F-5F foi incorporada pela FAB no início dos anos 70. Com a finalidade de fornecer maior capacidade operacional requerida para pelo menos mais 15 anos de vida útil, foi criado um programa para sua modernização.

Este programa envolveu a modernização de 46 caças F-5E (para apenas um piloto) e F-5F (com dois assentos), concluído em 2013. Cada avião recebeu um novo conjunto de aviônicos que inclui sistemas de navegação/armamentos e pontaria/auto-defesa, computadores e radar multimodal. Melhorias estruturais e padronização dos armamentos com o de outras aeronaves da frota da FAB também foram realizados.

O Tenente Brigadeiro Juniti Saito recebe o livro "Já Te Atendo Tchê! - A História do 1°/14° GAV, o Esquadrão Pampa", das mãos de um dos autores, o amigo José Leandro Poerrschke Casella. (Foto: Fernando Valduga / Cavok)
O Tenente Brigadeiro Juniti Saito recebe o livro “Já Te Atendo Tchê! – A História do 1°/14° GAV, o Esquadrão Pampa”, das mãos de um dos autores, o amigo José Leandro Poerrschke Casella. (Foto: Fernando Valduga / Cavok)

Após a modernização, as aeronaves receberam uma nova designação militar:

  • F-5EM (monoplace)
  • F-5FM (biplace)

As empresas Embraer e Elbit foram as responsáveis pelo serviço, o que elevou o F-5 Tiger II à categoria de 4ª Geração.

O Tenente Brigadeiro Juniti Saito fez seu pronunciamento durante a entrega do primeiro F-5EM para FAB. (Foto: Fernando Valduga / Cavok)
O Tenente Brigadeiro Juniti Saito fez seu pronunciamento durante a entrega do primeiro F-5EM para FAB. (Foto: Fernando Valduga / Cavok)

A cabine de pilotagem do F-5M foi projetada para atuar sob qualquer condição climática, durante o dia ou à noite. A configuração permite o acionamento de todos os controles através do manche (conceito HOTAS – Hands On Throttle and Stick – mãos na manete e no manche). Dois computadores de alto desempenho e um sistema de navegação INS/GPS também estão incluídos. Três monitores coloridos multifuncionais e um capacete do tipo Helmet Mounted Display (HMD) fornecem ao F-5M a melhor interface homem-máquina disponível. Todos os painéis e o sistema de iluminação foram projetados para a utilização com óculos de visão noturna.

Além do alto grau de integração dos sistemas, vários outros itens importantes também foram modernizados, tais como o radar multifunção de busca e monitoramento de longo alcance, a precisão dos armamentos ar-terra, o receptor de alerta radar (Radar Warning Receiver – RWR), rádio-comunicações criptografadas, para proteger a transferência de dados entre as aeronaves F-5M e E-99 de alerta aéreo antecipado, da FAB, ou as estações de terra, os sistemas de geração de oxigênio a bordo (On-Board Oxygen Generation System – OBOGS) e gerenciamento de combustível.

O desenvolvimento da eletrônica possibilitou uma redução significativa no tamanho e no peso dos componentes a bordo, com a substituição de itens antigos por novos. A única mudança externa perceptível é o novo e mais longo cone de nariz da aeronave, cujo interior abriga uma antena maior do radar.

A FAB escolheu para o F-5M o míssil ar-ar BVR Derby da empresa israelense Rafael, a mesma fornecedora do AAM Python da FAB. É bem possível que a escolha pela Rafael tenha sido por causa da comunalidade entre os mísseis, o que gerou um ganho de facilidades na cadeia logística, bem como na introdução junto ao F-5M. A FAB foi a terceira força do continente sulamericano a poder combater na arena BVR. Antes, só o Chile e a Venezuela tinham essa capacidade. A FAB leva uma pequena vantagem nesta arena por ter em seu inventário o E-99, o que lhe dá uma consciência situacional que as outras forças não tem. Os F-5 chilenos, designados Tigre III depois que foram atualizados, também utilizam o Derby. O Derby é um legítimo míssil ‘dispare-e-esqueça’. Ele pode ser utilizado sob qualquer tempo. O Derby possui uma boa capacidade de ECM. Além disso, chama atenção uma capacidade que este AAM tem, que é a de ser lançado e voar por guiagem inercial, até um ponto que se presume que o oponente esteja. Quando ele alcança este ponto, então ele liga o radar de busca.

Abaixo, as imagens do evento, em 21 de setembro de 2005:

divider 1EDIÇÃO: Cavok, com informações da FAB e Embraer

IMAGENS: Fernando Valduga – Cavok, e retratam o evento

COLABOROU: Fernando Valduga e Giordani

15 COMENTÁRIOS

  1. É quarta mas mesmo no inicio certo? Afinal, perde em dissuacao e como plataforma é um pouco limitada, em varios aspectos, do tamanho à potência.

  2. Sou Fã desse bicho…

    Afinal reúne três países que eu curto… kkk

    Agora podem cair de pau.

    kkkk

  3. Há quem diga que o F-5M foi um erro…

    Sinceramente, discordo… Se obteve muito com pouco…

    Os erros consistem em ter permitido o atraso do programa e não ter "engatilhado" junto uma aeronave substituta; uma decisão que deveria ter saído, no mais tardar, no início dos anos 2000 ( isto é, concluído o FX e estendendo-o para além dos 12 exemplares originais daquele programa )… E os Mikes, cuja entrega deveria começar na mesma época, seriam retirados de serviço a medida em que os últimos exemplares desse substituto fossem sendo entregues ( o que deveria ocorrer por volta do final da década passada, substituindo em número todos os F-5 ); e cada exemplar do F-5M não deveria exceder os dez anos no inventário da FAB após sua entrega, mesmo considerando-se que ainda tenham condições de se manter operacionais. Isso permitiria manter uma substituição racional da frota, padronizando-a mais ou menos por volta de 2010, permitindo também uma maior liberdade para se planejar um substituto após 2020.

    Resumindo, os Mikes deveriam começar a ter sido entregues por volta de 2001, com os caças do FX começando a ser entregues por volta de 2005/2006, permitindo a baixa dos primeiros Mikes por volta de 2010…

  4. Sobre o forevis5:
    É um bom treinador, aquele que o piloto pega ao sair do turboélice, só. Pra mim não presta a outras funções e não é tático ou seja lá o que dizem que ele é.

    Sobre o forevis5 na fab e sua modernização:
    Veio no fim da vida util de tão falido que é o seu comprador (fab), aqui desde a incorporação cumpre papel relevante na defesa, ultimamente é o unico vetor da fab. Quanto a modernização, sou contra mas sei e compreendo que se não ocorrece a fab não teria nada pra voar, foi questão de sobrevivencia ahah

    • Pois é Galileu…
      As questão é quanto tempo mais esse F-5 vão durar? Só 36 gripen para um pais do tamanho do Brasil não da para fazer uma "defesa"! se é que temos defesa…

  5. Essa sua pergunta nem o comandante da fab sabe ou quer saber, e se ele não sabe imagina nós ahah;
    Ele não sabe mas deveria, a questão é que tanto faz se o forevis presta ou não, o que interessa pra fab é manter o minimo de vetores nos esquadrões que ela tem, 36 gripens não substituirão os forevis em numero e dai o que a fab vai fazer com os esquadrões existentes? Pergunto isso pois a questão do lift ja foi decidido a décadas, o lift é o ST ahah, problema fica por conta dos esquadrões sem caça, seja lá qual for.

  6. O fato desse caça levar apenas 4 misseis, sendo apenas 2 BVR já me causa enjoo, a doutrinas de combate BVR pregam o disparo de 3 misseis BVR para uma probabilidade de acerto de 75%.

    Século XXI o mínimo que se deveria ter eram F-16, Mig-29, M-2000, e já na metade de suas vidas úteis, isso é o mínimo para poder se aventurar na ideia de ter caças.

    • Em 1967 um Phantom ia para o combate nos céus do Vietnã com 4 BVR…tudo bem, tinham os "olhos de águia" do Sr. Magoo, mas eram quatro…
      Não dá! O Forevis nunca foi imaginado usando um BVR e digo mais, o F-5 só consegue levar o Derby porque o AAM não é tão grande quanto um AIM-7/120.

      • Pois é GIORDANI, e quando penso no F-5 eu lembro dos operadores de ponta dele.

        Suiça, deixa os vizinhos fazerem as interceptações pra eles.

        Coréia do Sul, mantém F-5 pois o considera um bom adversário no combate aproximado para os cinquentenários Migs da Coréia do Norte.

  7. Despois das noticias de "capacitaçao da tripulaçao e avaliaçao a exatidao do sistema de armamentos" q lemos a uma semana atras referentes ao P-3, me pergunto se com tantos modulos e sistemas novos instalados, qto de treinamento pratico os pilotos tiveram para o uso deles ou é um montao de informaçao nova para encher legenda d album de figurinhas?

    Acho q a modernizaçao era necessaria dada a situaçao da FA, mas como alg mencionou, mesmo topico do P-3, a tempos atras, uma coisa é ter outra é operar… Os pilotos estao realmente voando 4ª geraçao ou ainda estao voando os antigos F-5E?

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