Simulador do P-95BM desenvolvido pelo Esquadrão Netuno. (Foto: Tenente Aviador Oswaldo Segundo da Costa Neto / Esquadrão Netuno)

O Esquadrão Netuno (3º/7º GAV), que realiza missões de patrulha marítima, busca e salvamento e reconhecimento, construiu um novo simulador em decorrência da modernização das aeronaves P-95BM da aviação de patrulha. A iniciativa surgiu de um dos pilotos do esquadrão, o Tenente Aviador Oswaldo Segundo da Costa Neto.

“Depois que a aeronave foi modernizada, mudou todo o painel e ficamos com um simulador obsoleto, que não condizia com a tecnologia embarcada das novas aeronaves”, explica o Tenente Neto. Ele conta que começou a desenvolver o sistema no final de 2016 e, no segundo semestre de 2017, já começou a ser utilizado pelo esquadrão.

 

Painel antes (acima) e após modernização.

Ainda segundo Neto, já existia um projeto virtual para a versão antiga da aeronave e o piloto trabalhou a partir dela, transformando e adaptando de acordo com a versão modernizada em 2011. Foi preciso trabalhar, principalmente, em modificações nos sistemas de navegação e comunicações e na introdução do conceito de glass cockpit. “Trata-se de um conceito de integração de diversos sistemas e informações da aeronave em telas capazes de mostrar tudo que o piloto precisa em um espaço condensado e muito mais prático de ser visualizado. Em vez de vários instrumentos analógicos, tipo relógios, para cada instrumento, o glass cockpit permite que o piloto veja tudo o que precisa em um único display”, explica o aviador.

Os voos simulados são importantes porque permitem não só o voo normal, mas o treinamento de situações de emergências, como falha dos motores em voo e na decolagem, fogo no motor em qualquer parte do voo e, até mesmo, colisões com pássaros, tudo comandado por uma estação de instrução, de onde o instrutor permanece conduzindo o aluno nas diversas fases do treinamento.

Outro aspecto positivo no desenvolvimento do simulador foi o baixo custo envolvido: foram utilizadas peças de aeronaves que já haviam sido desativadas para compor o projeto. Segundo o Comandante do Esquadrão, Tenente-Coronel Celso Marques de Oliveira Neto, enquanto um simulador comprado no mercado internacional pode custar alguns milhões de reais, o investimento do esquadrão e da Ala 9, localiza em Belém (PA), foi em torno de R$ 25 mil.

O novo simulador traz as inovações do painel da aeronave após a modernização.

“O novo simulador impacta positivamente na operacionalidade do esquadrão, principalmente nas atitudes do piloto no que se refere a gerenciamento e segurança de voo. Quando estamos em solo, em segurança, conseguimos criar situações críticas que podem ser treinadas sem trazer perigo às tripulações e aeronaves”, explica.


Fonte: Esquadrão Netuno, por Tenente Neto – Edição: Agência Força Aérea, por Tenente Gabrielli

10 COMENTÁRIOS

  1. Sem desmerecer o trabalho do Netuno, muito pelo contrário, mostro aqui umas dicas para quem quer montar seu simulador.
    Eu nos meus tempos de aeroclube participei de um projeto, mas depois de um tempo a obsessão da galera por fazer um modelo cada vez mais parecido com um avião real começou a encarecer o projeto, o pior é que começamos com um modelo genérico e o pessoal se dividiu em dois grupos, um querendo fazer um F-16 e outro um B737 ou A320, cai fora e fiquei com meu modelo genérico com manche e conjunto de manetes integrado em casa, coisa básica.
    Vejam neste site as dicas e modelos de simuladores e seus módulos a venda, quanto mais realista, mais cara a brincadeira.
    . http://www.aviators.com.br/dicamontarsimulador

  2. Não quero desmerecer ninguém também, mas eu tenho amigos que construíram cockpits para uso pessoal que são muito superiores a esse. Mas se funciona e cumpre seu trabalho, acho que está ok… acontece que fazer esse tipo de coisa aqui no brasil é muito caro. (Simulação está no meu sangue, e é meio triste ver os preços das coisas aqui no BR… rs)

  3. E vida é assim na melhor pequena força aérea que você nunca ouviu falar, como se disse nos EUA.
    Esta gambiarra do baixo clero só foi necessária porque as altas autoridades que gerenciaram a modernização da aeronave ESQUECERAM de incluir (ou cobrar) da empresa que fez a modernização da aeronave que fizesse a modernização do velho ou o projeto de um novo simulador da nova configuração.
    Esquecimento ou incompetência ou economia burra das instâncias superiores da FAB/Ministério da Defesa que teve de ser superada pelos pessoal da linha de frente…
    Nada de novo no front da terra brasilis…

  4. Mas não existe a obrigatoriedade de se ter um simulador para cada aeronave, é aconselhavel, mas não é mandatório.
    Até hoje a FAB faz o treinamento em simulador do C-97 Brasília na Escola Paranaense de Aviação em Curitiba.
    Outros aviões não tem simulador, os pilotos civis de Recife por exemplo, a vários anos, faziam treinamento de pane monomotor no único simulador de bimotor que tinha, não me lembro se era de um Seneca ou Baron.
    Veja que este simulador do P-95BM mostrado no artigo é bem diferente do avião real, usando manche e manetes vendidas para simuladores caseiros, mas não tem problema isso.
    .
    Pessoal da FAB fazendo simulador de EMB-120 na EPA: http://estrategiaglobal.blog.br/2017/06/alunos-xx