Operação do DCTA irá aprimorar o manual de voo da aeronave Bandeirante.

Com o objetivo de atualizar os gráficos de desempenho em subida da aeronave C-95 na configuração de decolagem e aprimorar seu manual de voo, o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) ativou a Operação Bandeirante. Sob a coordenação geral do Major Aviador Clóvis Martins de Souza, os estudos, iniciados em fevereiro deste ano, foram divididos em três fases com voos nas áreas de ensaio de São José dos Campos (SP) e contou com o apoio de uma aeronave cedida pelo 1º/ 5º GAV, sediado em Natal, e outra do 1º ETA, localizado em Belém.

“Essa campanha cobrirá uma lacuna aberta há muitos anos na operação do C-95. O manual do Bandeirante não deixa claro quais são as velocidades de melhor subida na configuração de decolagem e não possui um gráfico de gradiente de subida nessa condição. Ao conseguir tais dados, certamente teremos um incremento da segurança e desempenho na operação da aeronave”, afirma o coordenador da Operação.

Equipe de manutenção realiza ajustes na aeronave.

A fase final, iniciada em agosto, tem previsão de término até a primeira quinzena de setembro com voos sendo realizados diariamente. Os resultados obtidos embasarão o Relatório de Ensaio, documento que será encaminhado ao Comando de Preparo (COMPREP) para análise e homologação.

Entenda a Operação Bandeirante

Em 31 de março de 2016, o 1º/5º GAV emitiu um relatório versando sobre a modernização das aeronaves C-95, no qual questionava as configurações de decolagem autorizadas pelo fabricante devido à ausência de algumas cartas de desempenho nos Manuais de Voo da aeronave.

O C-95 Bandeirante é o primeiro avião produzido pela indústria nacional.

Em resposta a esse relatório, o Instituto de Pesquisa e Ensaio em Voo (IPEV) emitiu um parecer técnico, no qual recomendava a execução de ensaios em voo para a determinação do desempenho em subida da aeronave C-95, nos modelos C-95AM e C-95BM, para determinadas configurações da aeronave e em condição bimotor e monomotor, bem como liberação da configuração de decolagem não prevista no manual de voo.

Diante dos esclarecimentos descritos no referido parecer técnico, o então Comando-Geral de Operações Aéreas (COMGAR) – atual COMPREP – solicitou ao DCTA a execução de uma Campanha de Ensaios com a aeronave C-95, com objetivo de determinar tais dados de desempenho da aeronave.

Equipe do IPEV busca melhorias no desempenho do C-95 Bandeirante.

Um marco na aviação brasileira

O primeiro avião brasileiro, o YC-95 Bandeirante, é um dos mais marcantes para a história da aeronáutica brasileira. O primeiro voo aconteceu no dia 28 de outubro de 1968 após 110 mil horas de trabalho que contou com o trabalho de cerca de 300 pessoas ao longo de três anos e quatro meses. No ano seguinte, a Embraer seria criada para fabricar a aeronave em linha de produção.

O primeiro cliente seria a Força Aérea Brasileira (FAB) com a aquisição de 80 unidades. Nos anos seguintes, a Força Aérea do Uruguai tornou-se o primeiro cliente no exterior. A Embraer produziria um total de 498 unidades, em 16 versões diferentes. Foi o começo do desenvolvimento e sucesso da indústria aeroespacial brasileira.


Fonte: DCTA, por Ten Larissa – Edição: Agência Força Aérea, por Tenente João Elias

7 COMENTÁRIOS

  1. Enquanto o avião estiver em uso é valido reavaliar e aprimorar sua utilização, ainda mais qua está no meio de um processo de modernização, boa hora de se atualizar os procedimentos.
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    Me lembro que depois de muitos anos de operação a Varig LOG atualizou o procedimento de subida dos B727-200 Cargo, tornando a operação mais econômica, não me lembro se optaram por uma subida mais rápida ao nível de cruzeiro ou foi uma subida mais suave, demorando mais para chegar ao nível de cruzeiro.
    Para cada avião existe uma subida ideal do ponto de vista econômia, com o uso de simuladores realisticos as empresas puderam ir testando várias subidas até chegar ao ideal, depois se confirma o desempenho na prática e se for aprovado se atualizam os manuais de procedimento.