Somente entre a noite desta terça (21) e a madrugada desta quarta (20) ocorreram dois acionamentos. (Foto: Agência Força Aérea)
Somente entre a noite desta terça (21) e a madrugada desta quarta (20) ocorreram dois acionamentos. (Foto: Agência Força Aérea)

Uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) realizou na manhã desta quarta-feira (22/06) o transporte de um coração de Navegantes (SC) para Curitiba (PR). A receptora, uma senhora de 62 anos, entrou na lista de espera da Central Nacional de Transplantes (CNT) há cinco dias. A situação era de urgência. A paciente estava internada na UTI por causa de choque cardiogênico (insuficiência de irrigação sanguínea). O problema do coração havia afetado também os rins.

“A cirurgia foi um sucesso. Agora a paciente vai ter pressão arterial mais alta e não terá que tomar tantos remédios”, afirmou o cirurgião Claudinei Colasso, após efetuar o transplante. O médico foi responsável por captar o órgão de um rapaz de 23 anos morto em um acidente de moto. O transporte aéreo ocorreu no avião C-37 Brasília operado pelo Esquadrão Pégaso (5º ETA) acionado ainda na madrugada.

Na noite de ontem (21/06), outra aeronave C-37 Brasília, operada pelo Esquadrão Pastor (2º ETA), transportou um coração de Petrolina (PE) para a capital Recife.

Com estas duas missões, a FAB contabiliza nove voos de transporte de órgãos para transplante executados no mês de junho. Nesse período, foi acionada pela CNT 13 vezes. Desse total, quatro foram canceladas pelo próprio solicitante. A Central é responsável por fazer a intermediação de transplantes interestaduais, ou seja, doador e receptor estão localizados em Estados distintos. Nos demais casos, a coordenação é executada pelas centrais estaduais.

Aeronaves dos Esquadrões de Transporte Aéreo estão empenhadas nas operações de apoio. (Foto: Agência Força Aérea)
Aeronaves dos Esquadrões de Transporte Aéreo estão empenhadas nas operações de apoio. (Foto: Agência Força Aérea)

De acordo com Fernanda Bordalo, coordenadora da CNT, o transporte aéreo é muito importante para o aproveitamento do órgão em função do tempo de isquemia. No caso do coração, são apenas quatro horas após a retirada do paciente. “É um ganho inestimável para nós”, afirma a coordenadora sobre o apoio logístico aéreo prestado pela FAB. “Tem o órgão e precisa conseguir alocar em algum estado. Nesse tempo é impossível conseguir pela aviação comercial”, exemplifica.

Complexidade – Cada possibilidade de transplante é uma corrida contra o tempo. A logística é complexa tanto do ponto de vista de saúde quanto do transporte aéreo.

Cada vez que uma aeronave sai do chão, pelos menos 15 militares são envolvidos no processo de planejamento e coordenação. Independentemente de ter ocorrido ou não o transplante ou o voo, a FAB dedica equipe e tempo trabalhando nas etapas que antecedem, acompanhando a missão e também após o voo.

Para se ter uma ideia de como o processo funciona, no caso do transporte efetuado ontem em Pernambuco a primeira ligação da CNT solicitando apoio aéreo da FAB ocorreu às 21h30. O avião partiu de Recife às 23h10 para captar órgão em Petrolina, de onde decolou às 2h50 de hoje e pousou na capital às 4h15 da madrugada com o coração a bordo. É preciso coordenar qual o aeroporto mais próximo, se está liberado para pouso, qual a aeronave mais adequada, acionar a tripulação da unidade aérea mais próxima – que está de sobreaviso. Depois disso, os pilotos fazem o plano e toda a checagem antes do voo.

Mas os desafios vão além da questão logística de transporte. De acordo com dados da CNT, nos últimos quatro anos, em 887 dos casos sequer o órgão chegou a ser retirado do doador. “Quando nós falamos em recusa, os motivos são diversos. Por exemplo, o doador teve uma parada cardíaca, a família desistiu da doação, a equipe transplantadora não estava disponível ou a equipe de retirada de órgãos não estava disponível, então a logística é muito complexa”, explica Inez Gadelha, diretora do Departamento de Atenção Especializada do Ministério da Saúde em entrevista ao programa Cidadania.

Desde 2013 a FAB realiza essas missões de apoio. (Foto: Agência Força Aérea)
Desde 2013 a FAB realiza essas missões de apoio. (Foto: Agência Força Aérea)

Histórico – A FAB realiza apoio logístico no transporte de órgãos há muito tempo. Em 2013, recebeu prêmio Destaque na Promoção da Doação de Órgãos e Tecidos do Ministério da Saúde. No ano passado, a iniciativa de manter um enfermeiro plantonista 24h dentro do Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA) para aumentar a capilaridade na distribuição de órgãos para transplante no Brasil por meio da disponibilização de voos foi uma das vencedoras do 20° Concurso Inovação na Gestão Pública Federal promovida pela Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) em parceria com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG).

Fonte: Agência Força Aérea, Tenente Jussara Peccini

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12 COMENTÁRIOS

  1. legal, dá para perceber que havia uma demanda represada pela falta de legislação. E bem melhor que transportar políticos, as tripulações devem se sentir recompensadas.

  2. Boa tarde Senhores!

    Agora porquê há combustível e avião disponível?

    Eu explico:

    _ A FAB deixou de ser apenas um táxi aéreo para políticos. A farra do boi dos últimos 13/14 anos encerrou-se.

    NOTA:
    Houve um comentarista que em matéria semelhante aqui no CAVOK me questionou se nos governos anteriores ao Partido dos Trabalhadores, também não fez mau uso da máquina…Não sou adolescente para ficar contestando qualquer merda que nego replica, então fiz o que meus 45anos de experiência civil + militar me ensinaram: paciência para a tomada de ação.
    Então caro comentarista que me questionou o acima, a reportagem (diga-se de passagem, felicitações ao CAVOK por apresentar também as boas realizações de nossa "força auxiliar") responde por mim.
    Não me lembro quem foi, por se tratar de um comentário quase insignificante, mas quem questionou sabe e aí está a resposta em números.

    CM

    • Perfeito Moreno! 🙂

      Tomará que muitas mais vidas sejam salvas a partir de agora.

    • Quer me convencer que antes o GTE era bem utilizado e depois virou bagunça.
      Conheço bem o sistema e ja recebi muitas tripulações do GTE, e sei que sempre foi utilizado desta maneira.
      Quanto a transportar políticos, esta atribuição é da FAB desde a sua inauguração, com a criação de uma Esquadrilha no RJ comandado pelo Cap. Av. Nero Moura. Em 1957 foi criado o GTE.
      Mas o transporte de autoridades existe desde 1938 quando a Aviação Militar do EB comprou por ordem do Pres. Getúlio Vargas 8 Lockheed 12A para transporte do Pres., Ministros e autoridades do Judiciário e Legislativo.
      E vamos melhorar o nível dos comentários.

      • Boa noite a todos, boa noite colega WRStrobel,

        Strobel eu não tenho a menor pretensão de convencer o senhor ou quem quer que seja com meus comentários! O senhor é livre e sapiente (penso eu) para tomar sua próprias decisões.

        Se o colega foi ou é militar da "força auxiliar" (se for das antigas está me entendendo), sabe que o uso da máquina do estado sempre foi digamos "marginal", mas nos últimos 13/14 anos isto se tornou evidente e mais ostensivo a ponto de prejudicar atividades rotineiras dentro da arma.

        Quanto a aula de história de nosso GTE, felicitações. Fez bem o dever de casa.

        Claudio Moreno

  3. Pra ver como existe a demanda… aliás sempre existiu. Menos de um mês e nove transportes…

    A FAB é importantíssima para o transporte de órgãos já que é a única capaz de se mobilizar a qualquer momento e em quaisquer condições.

    É inacreditável que nunca existiu uma forma de se priorizar isso. Digo isso porque uma nação que diz se orgulhar de ser pacifica e não se envolver em conflitos, deveria ser referencia em serviços ao apoio da população, especialmente aqueles prestados pelas forças armadas… Não que elas não os fazem, mas sabemos bem que há "ventos" soprando contra.

  4. Ufric, Regi5,

    Deus abençoe que não voltemos a ter tempos nefastos na FAB. Como bem dito por ti Regi, sempre houve e sempre haverá demanda.
    Em regiões em que somente a pista de pouso e um avião da FAB são os recursos, isto significa a vida ou a morte agonizante de um irmão (ã) brasileiro.

    Ufric, a FAB e por extensão das demais forças sempre priorizaram a vida e certamente muitas mais serão salvar, ou pelo menos terão uma miníma chance para isto.

    CM

  5. Que bom que a fab está usando meu rico dinheirinho para algo bom pois somente de "soldado fantasma", superfaturamento em Centros de ensino, contratos suspeitos em "martelinho de ouro", enfim só coisa ruim não dá né.

  6. 9 transplantes… anualmente isso deve se aproximar muito da marca dos 100, o que não corresponde a 0,003% dos transplantes realizados no Brasil. Neste contexto, eu pergunto, a que custo? Imagino que esses recursos poderiam muito bem serem aplicados de forma mais eficiente… mesmo porque toda essa mobilização, horas de voo e manutenção, apenas tendem a encarecer ainda mais esses procedimentos. No fim das contas isso não passa de politicagem.

    ps,: em 2015, 3,8 mil voos comerciais transportaram órgãos para serem transplantados.

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