Reestruturada, a empresa estatal de aviões militares da Argentina depende unicamente de contratos com o Governo.

A FAdeA tem seu terceiro diretor – ou interventor como querem alguns – desde que o presidente Mauricio Macri assumiu o cargo. O novo chefe da Fábrica de Aeronaves da Argentina (FAdeA), Antonio Beltramone, um ex-executivo da Fiat.

Cristina Salzwedel de La Rioja foi a primeira administradora indicada por Macri, mas ela ficou a frente da empresa por apenas quatro meses e, em abril de 2016, foi nomeado Ercole Felippa, um empresário do ramo de laticínios, mas ele resistiu por 20 meses. O empresário de laticínios disse estar satisfeito com sua administração, que terminou na quinta-feira passada (28/12/17), embora reconheça que “ainda há muito o que fazer“.

Hoje a FAdeA é uma empresa viável e sustentável, mas para dar-lhe uma sustentabilidade definitiva, é necessário continuar avançando na realização de negócios fora do Estado“, observou.

O empresário reconhece que, atualmente, 85% da renda da empresa vem de contratos com o Ministério da Defesa, enquanto o acordo com a brasileira EMBRAER, para fornecimento de peças para o avião de transporte KC-390, é o único aporte financeiro oriundo do setor privado.

A ideia é que a participação das contribuições para contratos governamentais seja revertida, e isso implica que a FAdeA continua a ser um jogador importante. Mas para isso ela deve fazer outros negócios fora do Estado nacional“, insistiu Felippa.

Quando Fellipa assumiu em abril de 2016, encontrou um déficit operacional de US$ 80 milhões e uma planta com 1.596 funcionários praticamente ociosos. Felippa enfatizou que, sem conflitos, foi realizada uma reestruturação do pessoal (Programa de demissão voluntária, aposentadorias antecipadas e algumas demissões), de modo que a força de trabalho caiu para 1.108 funcionários, o que representa uma redução de 30%.

Ele também enfatizou que as despesas operacionais foram reduzidas em 50%, mas ele só conseguiu gerar receita, fora do Estado, com a venda de dois aviões Puelche para uma empresa colombiana. Essa operação tinha um caráter quase simbólico, já que contribuía com apenas US$ 500 mil. Além disso, as aeronaves foram fabricadas por outra empresa e montadas na FAdeA, que tratava da exportação.

Felippa afirmou que há negociações com companhias aéreas comerciais para realizar serviços de manutenção, e também contato com o Paraguai e a Bolívia para a eventual venda do Pampa III.

Felippa reconheceu que a FAdeA encerrou 2017 com um déficit “limitado”, que exigiu contribuições do Tesouro em cerca de US$ 27 milhões. Isso porque o ano passado apenas um dos três contratos com o Ministério da Defesa foi assinado, o que “impediu o nível esperado de atividade, faturamento e recursos genuínos“.

Mas ele assegurou que “esta questão é praticamente resolvida, o que proporciona um longo horizonte de previsibilidade“.

O importante é que a nova condução continuará a ser totalmente profissionalizada e que não seja contaminada pela política porque é uma empresa estatal“, afirmou.


FONTE: La Voz

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13 COMENTÁRIOS

  1. Para quem é saudoso da EMBRAER estatizada…

    É isto aí o que ela seria hoje em dia..

    Vivendo das migalhas da FAB

    • O resultado da FAdeA não é, somente, por ela ser estatal hoje em dia, mas por ela ter passado pelas mãos da Lockheed Martin (inicio da sua derrocada) ainda nos tempos de Menem. Hoje é só resultado de politicas desastrosas dos governos Kichners e agora do Macri.

      • Pelo contrário. A Lockheed deu uma sobrevida para a empresa, com uma gestão profissional. Acontece que os tão sonhados F-16 não vieram e o clamor popular reestatizou a bagaça.

  2. Mesmo privatizada sobreviveria? Seria preciso audácia e muito investimento.

    • Se vc tem contrato, consegue dinheiro.

      Teria que oferecer manutenção para o mercado civil, só que na Argentina ele era todo fechado. O Macri desregulamentou um pouco e parece que a aviação regional vai evoluir.

    • O "bom" de ser privada é que sendo ruim ela fecha logo..

      Eu estou vendo o processo de agonia de uma empresa que eu trabalhei alguns anos atrás porque ela não soube se adequar a realidade do mercado e hoje em dia segue como paciente terminal apenas porque recebe um pouco de dinheiro estatal na forma de anúncios.

      Se as coisas fossem sérias no Brasil todos estes montes de empresicas de Defesa que temos aqui já teriam se fundido..

      Aqui quando muito mudam de mãos e seguem mamando na teta do GF que não da os recursos suficientes para os seus projetos e nem os deixa morrer de vez.

  3. Situação dificil , depende de um governo indiferente , não tem nenhum produto relevante que interesse o mercado , mesmo se privatizar não consegue gerar nenhuma expectativa de sucesso. Só serve de cabide de empregos. É a cara da Argentina. PS … Pode ser a nossa cara tambem.

  4. Argentino se considera o primeiro mundo na América do Sul, eles são melhores em tudo, não precisam de ninguém.

  5. Vc tem corpo de engenheiros e parque industrial.

    Vai montar estrutura, dar consultoria, usinar peças, consertar trator, fazer martelinho de ouro.

    Essa cabeça de funcionário público de esperar cair do céu não dá.

  6. máfia kirchner destruiu o país sucateando tudo como a máfia pt fez no brasil. Presidente Macri não pode fazer milagre e salvar todo estado argentino e empresas ao mesmo tempo.

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