Acredita-se que a Grã-Bretanha tenha deslocado seis aviões de reconhecimento fotográfico Canberra PR.Mk 9 para Punta Arenas, no extremo sul do Chile, para dar apoio às ações de retomada das ilhas Falklands/Malvinas.
Acredita-se que a Grã-Bretanha tenha deslocado seis aviões de reconhecimento fotográfico Canberra PR.Mk 9 para Punta Arenas, no extremo sul do Chile, para dar apoio às ações de retomada das ilhas Falklands/Malvinas.

Durante a Guerra das Falklands/Malvinas, a Grã-Bretanha montou operações clandestinas, em especial de espionagem. Afirma-se também que aviões seus voaram com insígnias chilenas.

A guerra entre Argentina e Grã-Bretanha pela posse das ilhas Falklands/Malvinas em 1982 teve ampla cobertura dos meios de comunicação de massa. As hostilidades recebiam destaque na imprensa escrita, no rádio e na televisão. Depois que o conflito terminou, foram publicados muitos artigos e livros, e mesmo filmes foram feitos. Um ponto dessa guerra, no entanto, é quase desconhecido do grande público e poucas vezes é mencionado: houve insistentes rumores de que o Chile colaborou com a Grã-Bretanha enquanto esta travava combates com a Argentina. Isso nunca foi comprovado, mas há indicações esparsas nesse sentido. Além de boatos, o apanhado aqui contido está baseado em relatos não oficiais e inferências feitas por especialistas em guerra aérea, principalmente britânicos.

Não é de se esperar que os dirigentes dos países envolvidos venham a revelar as operações que se acredita terem sido realizadas, mas pôr de lado a possível existência dessas operações seria ignorar um capítulo importante da guerra do Atlântico Sul de 1982, que provavelmente foi decisivo para a vitória das forças da Grã-Bretanha. Precisamente por sua importância, as operações clandestinas muitas vezes são mantidas em segredo.

Muito antes de 1982, existia atrito entre Argentina e Chile, especialmente em torno das ilhas do canal de Beagle, no extremo sul da Terra do Fogo. Por outro lado, o Chile e a Grã-Bretanha mantinham boas relações.

O Sea King I-IC.Mk 4 que aparece na foto é um gêmeo do exemplar ZA290, destruído por sua própria tripulação depois de pousar em uma praia deserta do Chile no fim do dia 18 de maio de 1982.
O Sea King I-IC.Mk 4 que aparece na foto é um gêmeo do exemplar ZA290, destruído por sua própria tripulação depois de pousar em uma praia deserta do Chile no fim do dia 18 de maio de 1982.

Quando o general Leopoldo Galtieri assumiu o governo argentino em dezembro de 1981, prometeu que as “Malvinas seriam reintegradas ao território argentino antes do 150º aniversário da anexação feita pelos britânicos”, isto é, antes de janeiro de 1983. Havia muito que se desenvolvia na Argentina um sentimento popular favorável à reivindicação, enquanto na Grã-Bretanha, em 1982, o assunto era praticamente ignorado pela opinião pública. Não parecia provável que uma invasão do arquipélago por parte dos argentinos provocasse uma reação séria dos britânicos, e o governo do general Galtieri sentia que, bem-sucedida, uma ação militar desse tipo serviria para dar apoio popular ao regime, ao mesmo tempo que afastaria a atenção dos argentinos de seus sérios problemas econômicos e políticos. No início de 1982, os serviços de inteligência chilenos descobriram que uma operação militar para ocupar as ilhas Falklands/Malvinas poderia ser empreendida pelos argentinos em 1º de maio. Isso serviria de ensaio para um possível ataque, meses mais tarde, a território chileno, e criaria um sentimento de nacionalismo exacerbado entre a população argentina, para dar respaldo ao governo. Em apoio a essa versão, os analistas militares apontam que, logo que a invasão das Falklands/Malvinas se concretizou, os fuzileiros navais e as tropas de choque que a realizaram foram transferidos para a fronteira chilena; a defesa do território recém-conquistado ficou por conta de recrutas.

E provável que o governo chileno tenha passado aos dirigentes britânicos as informações de que dispunha. Acredita-se que, na primeira semana de ocupação argentina das ilhas, o embaixador britânico em Santiago, John Heath, passou a servir de intermediário para uma série de entendimentos secretos, porém formais, entre seu governo e o do general Pinochet. Ao que parece, esses entendimentos garantiram à Grã-Bretanha o acesso a material recolhido pelos serviços de inteligência chilenos e o uso do aeroporto de Punta Arenas, diante do estreito de Magalhães. Ali operariam aviões de reconhecimento Canberra, britânicos mas com insígnias chilenas, além de helicópteros Westland Sea King e aviões de transporte Lockheed Hercules, destinados a infiltrar na Argentina equipes de sabotagem e espionagem do Serviço Aéreo Especial (SAS). Em troca, o Chile recebeu apoio da Grã-Bretanha na Organização das Nações Unidas, em torno da questão dos direitos humanos, bem como aviões Canberra e Hawker Hunter para equipar suas Forças Armadas.

Os quatro PR.Mk 7 dc Esquadrão 100 tiveram sua identificação de unidade retirada e receberam insígnias britânicas pequenas, provavelmente para missões clandestinas
Os quatro PR.Mk 7 dc Esquadrão 100 tiveram sua identificação de unidade retirada e receberam insígnias britânicas pequenas, provavelmente para missões clandestinas

Insígnias chilenas

Ventilou-se que o Esquadrão 39 enviou seis de seus Canberra PR.Mk 9 para Belize em meados de abril de 1982, para ali receberem insígnias chilenas antes de voarem para Punta Arenas em segredo. O aeroporto local já tinha sido preparado: as vidraças do terminal de passageiros tinham sido caiadas e as tripulações dos aviões civis haviam sido instruídas a orientar os passageiros no sentido de, em terra e nas operações de pouso e decolagem, manterem as cortinas das janelas fechadas, “por questão de segurança nacional”. Ao lado dos Canberra britânicos operaram Hawker Hunter e Northrop F-5 da Força Aérea do Chile que, em voos junto à fronteira argentina, obrigaram o governo de Buenos Aires a deixar lá aviões de combate que poderiam ter sido deslocados para as Falklands/Malvinas. Jon Snow, repórter da Independent Television News, disse ter visto dois dos Canberra PR.Mk 9 no aeroporto de Santiago em meados de maio (além de dois C-141 da Força Aérea dos EUA).

Além dos PR.Mk 9 do Esquadrão 39, acredita-se que quatro Canberra PR.Mk 7 tenham pelo menos sido preparados para ir operar em Punta Arenas. O número real de aviões Canberra deslocados para Punta Arenas é desconhecido. Quando o Esquadrão 39 foi desmobilizado em 28 de maio de 1982, só três aparelhos estavam na Grã-Bretanha.

Uma equipe do SAS britânico observa dois Dagger argentinos decolarem para uma missão antinavio. Acredita-se que a Grã-Bretanha tenha infiltrado pessoal do SAS para avisar a força-tarefa quando aviões argentinos partiam de terra para atacá-la.
Uma equipe do SAS britânico observa dois Dagger argentinos decolarem para uma missão antinavio. Acredita-se que a Grã-Bretanha tenha infiltrado pessoal do SAS para avisar a força-tarefa quando aviões argentinos partiam de terra para atacá-la.

Autonomia de voo

Entre os aviões de reconhecimento de que a RAF dispunha, o Canberra PR.Mk 9 era provavelmente o mais adequado a operar no Chile; sua autonomia de voo lhe permitia, partindo de Punta Arenas, sobrevoar a Argentina e as ilhas Falklands/Malvinas. Por outro lado, seu desempenho a altitude elevada tornava a interceptação difícil.

O equipamento fotográfico sofisticado garantia bons resultados e uma distância segura das defesas inimigas. A RAF já tinha equipado seus PR.Mk 9 com receptores de alerta por radar e um sistema de navegação aerotática melhorado. Os aviões podiam portar também um sistema rastreador infravermelho para reconhecimento noturno e com qualquer tempo. Os aparelhos já tinham operado em bases no exterior, como em Belize, no Egito e na Dinamarca. Centros de interpretação de dados de reconhecimento aerotransportáveis podem ter sido levados ao sul do Chile, via Belize, por aviões de transporte Hercules da RAF com insígnias chilenas.

Aviões Canberra do Esquadrão 39, da base de Wyton, foram enviados para o Chile.
Aviões Canberra do Esquadrão 39, da base de Wyton, foram enviados para o Chile.

O papel dos Hercules

Sabe-se que a Esquadrilha de Forças Especiais do Esquadrão 47 desempenhou um papel importante na Guerra das Falklands/Malvinas, executando a maior parte das missões de lançamento em voo de longo alcance, mas poucos detalhes foram revelados das operações clandestinas. Um dos oficiais do Esquadrão 47, o capitão-aviador Harold Burgoyne, recebeu uma Cruz de Aeronáutica, oficialmente por ter levado a cabo a primeira missão de lançamento em voo depois de ter seu avião reabastecido no ar, em 16 de maio. De fato, foi uma viagem de mais de 24 horas, cobrindo 10 140 km, para lançar oito paraquedistas e 455 kg de equipamento. Não diferiu muito, porém, de qualquer das outras dezoito missões desse tipo que se seguiram, e pode ter havido outros motivos para Burgoyne ser o único piloto de Hercules a receber a Cruz de Aeronáutica.

Acredita-se que, durante o conflito, dois ou três Hercules da RAF operaram com base no Chile, com insígnias chilenas. Depois da guerra, dois desses aparelhos foram vistos em Lyneham, na Inglaterra, com sinais de que o número de série chileno havia sido apagado e ostentando uma estrela branca na deriva, além dos dizeres, até mesmo com erro de ortografia,”Fuerza Area de Chile” no nariz. Os aparelhos, identificados na RAF como XV192 e XV292, parecem ter usado, ambos, o número chileno 996. E interessante notar que, em março de 1981, o XV192 tivera que receber reparos na asa, exigidos por danos feitos a bala pelos alemães orientais; isso leva a crer que o avião estava equipado para missões de espionagem eletrônica ou infiltração clandestina.

Na foto grande em preto e branco, um dos três Canberra PR.Mk 9 que partiram de Wyton em 15 de outubro de 1982, em viagem para o Chile. Na foto pequena, o HMS Sheffield (à direita, ao lado do HMS Arrow), vítima de mísseis Exocet disparados por aviões Super Etendard da Argentina. Depois desse episódio, os britânicos procuraram neutralizar os Super Etendard com operações clandestinas.
Na foto grande em preto e branco, um dos três Canberra PR.Mk 9 que partiram de Wyton em 15 de outubro de 1982, em viagem para o Chile. Na foto pequena, o HMS Sheffield (à direita, ao lado do HMS Arrow), vítima de mísseis Exocet disparados por aviões Super Etendard da Argentina. Depois desse episódio, os britânicos procuraram neutralizar os Super Etendard com operações clandestinas.

Alguns jornais britânicos afirmaram que, após o afundamento do HMS Sheffield (graças à combinação de mísseis Exocet e aviões Dassault-Breguet Super Étendard usada pelos argentinos), teria havido um “acordo secreto. anglo-chileno”. Obedecendo a esse acordo, diversos aviões McDonnell Douglas Phantom da RAF teriam sido deslocados para uma base no Chile. Essa notícia pode ter-se originado de confusão com o deslocamento dos Canberra para Punta Arenas ou o de alguns Phantom do Esquadrão 29 para a ilha de Ascensão; pode também ter sido um golpe propagandístico para inquietar os argentinos. Nunca se obteve provas de que aviões Phantom da RAF foram transferidos para bases chilenas.

Os helicópteros Sea King

Além dos Canberra e Hercules, Punta Arenas parece ter hospedado helicópteros Sea King da Marinha Britânica, provavelmente para infiltrar equipes de espionagem e sabotagem do SAS na Argentina, visando a inutilizar os aviões Super Etendard antes que os elementos maiores e mais vulneráveis da força-tarefa britânica chegassem às ilhas Falklands/Malvinas. Afirma-se que catorze oficiais do SAS e dos serviços secretos, comandados por um certo tenente-coronel Tudor, foram transferidos para o regimento de paraquedistas, a fim de terem sua presença oficializada, em 11 de maio.

Na noite de 17 de maio, dois Sea King equipados para voo noturno pertencentes ao Esquadrão 846 foram transferidos do HMS Hermes para o HMS Invincible; este último cruzador e a fragata HMS Broadsword deixaram então a força-tarefa e deslocaram-se para oeste, a 25 nós, com os rádios e radares em silêncio. As 3h15min GMT, o Sea King ZA290 decolou do Invincible, levando a equipe do SAS. Os dois navios voltaram, então, à força-tarefa, com o Sea King de reserva ainda a bordo do cruzador. A única outra notícia que se tem do ZA290 é que, na noite de 18 de maio, ele fez um pouso forçado na praia de Agua Fresca, 18 km ao sul de Punta Arenas, em território chileno. Os três homens que estavam a bordo atearam fogo ao helicóptero e diz-se que estiveram desaparecidos por vários dias, antes de se entregarem às autoridades chilenas. Circula, porém outra versão, segundo a qual a tripulação do ZA290 foi resgatada quase imediatamente por um helicóptero chileno que ela própria havia chamado, e que as autoridades britânicas e chilenas combinaram sua “descoberta” para a véspera do principal desembarque das forças da Grã-Bretanha nas Falldands/Malvinas.

Testemunhas oculares chilenas revelaram que a tripulação do Sea King ZA290 foi recolhida por um helicóptero chileno, assim que ela ateou fogo a sua aeronave.
Testemunhas oculares chilenas revelaram que a tripulação do Sea King ZA290 foi recolhida por um helicóptero chileno, assim que ela ateou fogo a sua aeronave.

Não se conhece o objetivo da missão do Sea King; pode ter sido a infiltração de uma equipe do SAS para sabotar os Super Etendard, ou de um grupo de reconhecimento para relatar pelo rádio a decolagem de aviões de ataque. Pode ter sido, também, um embuste para despistar os argentinos, obrigando-os a gastar tempo e recursos. Jon Snow afirma que um oficial de inteligência chileno chamado Mario Burgos lhe mostrou uma foto aérea de Rio Grande, na parte argentina da Ilha Grande da Terra do Fogo, mostrando cinco aeronaves queimadas no solo.

Qualquer que tenha sido o resultado da missão, o piloto, tenente dos Fuzileiros Navais Richard Hutchings, e o co-piloto, tenente da Marinha Alan Bennett, receberam a Cruz de Serviços Relevantes; o outro tripulante, suboficial P. B. Imrie, recebeu a Medalha de Serviços Relevantes.

Outra unidade britânica envolvida em operações clandestinas de coleta de inteligência foi o Esquadrão 51, que é a unidade de Elint da RAF equipada com aviões Nimrod. Sua participação no conflito só foi confirmada quando a unidade recebeu condecorações de combate. Um dos aviões do esquadrão (eles eram três) recebeu sonda para reabastecimento em voo e talvez todos eles tenham operado com base na ilha de Ascensão. Fala-se muito que, durante o conflito, um desses Nimrod decolava de território chileno.

Um Sea King HC.Mk 4 aproxima-se do convés do HMS Fearless. Esse navio estava equipado com complexo sistema de telecomunicações e era o apoio ideal às atividades do SAS.
Um Sea King HC.Mk 4 aproxima-se do convés do HMS Fearless. Esse navio estava equipado com complexo sistema de telecomunicações e era o apoio ideal às atividades do SAS.

Compensações

Bem pouco se conhece daquilo que a Grã-Bretanha obteve do suposto acordo anglo-chi-leno. O que o Chile ganhou é muito mais aparente. A Grã-Bretanha obstruiu as investigações das Nações Unidas sobre violações de direitos humanos no Chile, apresentando objeções quanto à reabertura de uma porção de investigações e abstendo-se de votar uma moção de condenação do procedimento do governo, militar chileno quanto à democracia e aos direitos humanos.

As restrições à venda de armas ao Chile foram obviamente suspensas, mas depois de denúncias nesse sentido o Ministério da Defesa da Grã-Bretanha alegou que o embargo já havia terminado em julho de 1980, quando peças de reposição para aviões Hunter teriam sido liberadas. Isso não convenceu completamente os observadores militares britânicos, porque eles sabiam que o Chile esteve desesperadamente à procura de peças, motores e mesmo células de aeronaves Hunter no mercado internacional até o início das hostilidades entre Grã-Bretanha e Argentina. A inferência mais razoável é que as autoridades britânicas não podiam — ou não queriam — fornecer esse material. De qualquer forma, o Ministério da Defesa britânico negou que os aviões Hunter e Canberra entregues ao Chile tenham sido doados ou vendidos como resultado de entendimentos havidos durante a Guerra das Falklands/Malvinas, alegando que os acordos a respeito tinham sido feitos muito antes de as hostilidades começarem.

Um Nimrod do Esquadrão 51; a única comprovação da participação dessa unidade no conflito, em missões de espionagem eletrônica, foi o fato de receber uma condecoração de combate.
Um Nimrod do Esquadrão 51; a única comprovação da participação dessa unidade no conflito, em missões de espionagem eletrônica, foi o fato de receber uma condecoração de combate.

Pelo menos doze aviões Hunter foram retirados da Unidade de Armamento Tático da RAF em Brawdy e transferidos para a Força Aérea do Chile. Os primeiros oito foram deslocados em 6 de abril de 1982 para a base da RAF em Abingdon, onde foram reformados e encaixotados antes de serem enviados por via rodoviária para a base da RAF em Brize Norton. Os aparelhos saíram de lá em dois lotes, um em 24 de abril e outro em 22 de maio, a bordo de cargueiros Boeing 747 da Flying Tiger Airlines, chegando ao Chile com escala em Porto Rico.

O Boeíng 707 da Força Aérea do Chile, que esteve na Grã-Bretanha várias vezes,em 1982, para apanhar peças de reposição para os Hunter e Canberra.
O Boeíng 707 da Força Aérea do Chile, que esteve na Grã-Bretanha várias vezes,em 1982, para apanhar peças de reposição para os Hunter e Canberra.

Em 22 de novembro, mais quatro Hunter chegaram a Abingdon, sendo depois remetidos por via aérea para o Chile. A entrega desses aviões permitiu a reorganização do Grupo 9, que é o segundo esquadrão de Hunter da Força Aérea do Chile e que tinha sido desativado em 1981, por falta de peças sobressalentes. Vários pilotos da RAF foram enviados para “treinar” os chilenos. Três Canberra PR.Mk 9 foram retirados do depósito da MU 19 da RAF em St. Athan e reformados antes de serem transferidos para Wyton, onde seis pilotos e um número desconhecido de especialistas de terra chilenos tinham recebido treinamento. Os três aviões saíram de Wyton em 15 de outubro de 19827, mas não se tem certeza se estavam acompanhados pelo Boeing 707 da Força Aérea do Chile ou por um dos dois C-130 desse ramo das forças armadas chilenas. De qualquer forma, esses três aviões de grande porte fizeram diversas visitas a aeroportos britânicos em 1982, entre eles Lyneham, Luton e Wyton, presumivelmente apanhando peças sobressalentes e equipamento.

O general Fernando Matthei, chefe do Estado-Maior da Aeronáutica e membro da Junta Militar de Governo do Chile, visitou a Grã-Bretanha; o mesmo fez o diretor da Comissão Chilena de Energia Nuclear. A Grã-Bretanha enviou ao Chile uma delegação comercial e forneceu àquele país quarenta bastões de urânio enriquecido para emprego num projeto de reator nuclear.

Os F-5E Tiger do Grupo 7 da Força Aérea do Chile mantiveram os argentinos ocupados em sua fronteira oeste durante a Guerra das Falklands/Malvinas.
Os F-5E Tiger do Grupo 7 da Força Aérea do Chile mantiveram os argentinos ocupados em sua fronteira oeste durante a Guerra das Falklands/Malvinas.

Finalmente, a Grã-Bretanha também cedeu ao Chile suas bases na Antártida., oficialmente em troca do direito de usar em caráter permanente o aeroporto existente nas ilhas Diego Ramírez, em território chileno, ao sul da Ilha Grande da Terra do Fogo.

 

Glossário

GMT Hora média do meridiano de Greenwich (Greenwich Mean Time)

HMS Navio da Marinha Real Britânica (Her/His Majesty’s Ship)

MU Unidade de manutenção (Maintenance Unit)

SAS Serviço Aéreo Especial (Special Air Service).

 

FONTE/IMAGENS: Aviões de Guerra # 36

Edição: CAVOK


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7 COMENTÁRIOS

  1. Bela Matéria e pensar que esses são os parceiros da "UNASUR", se puderem me esclarecer uma coisa agradeceria, me parece que o Chile tem questões de fronteira mal resolvidas com todos seus vizinhos, é fato??

  2. Histórias das malvinas são tão interessantes quanto histórias da WWII. Parabéns Giordani.

  3. Não era segredo a grande amizade existente entre o General Augusto Pinochet e a Dama de Ferro… e que bom que eram amigos!

    Sobre o artigo… bem, já falei aqui algumas vezes e repito: esse tema é um de meus preferidos… Parabéns, Tchê! Mandou muitíssimo bem!

  4. É por isso que eu falo com frequência: Mudam-se ideologias, mudam-se políticos, amigos agora podem ser os desafetos no futuro e a história ensina que a cada década as coisas podem mudar… Por isso sou sempre a favor do Brasil ficar com um olho no gato, outro no peixe e o outro apertado ( se é que me entenderam sobre terceiro olho )… As coisas mudam e temos sempre que ficar atentos, sempre vai haver tretas recolhidas e velhas feridas que podem do nada inflamarem e incomodar!

  5. Giordani, parabens otima materia! O que eu pensei enquanto estava lendo até metade do texto? James Bond! Vou te falar… isso que é serviço secreto. Bobear o pessoal do MI6 a serviço da sua majestada, a Rainha, estavam la — se n estavam, "estavam".

    Fica a dica pro pessoal da CIA…

  6. O serviço secreto britanico desde a guerra das Malvinas nunca deixou de ter interesse no que ocorre com a Argentina.
    Essas ilustrações do Keith Woodcock são sensacionais . Me lembro bem da a Aviões de Guerra.

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